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TIC, Educação e Web

Jorge Borges

A Tecnologia ao serviço da Educação

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  • 114 episodes
  • Avg 13 min
  • Portuguese
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  • Today · 22 min

    IA e vigilância nas escolas chinesas

    Um plano de Estado, com data e com meta O documento tem data de 2 de abril de 2026 e foi colocado no sítio do Ministério da Educação chinês a 10 de abril. Assinam-no cinco entidades: além do Ministério da Educação, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o Ministério da Indústria e Tecnologias da Informação, o Ministério da Ciência e Tecnologia e a Administração Nacional de Dados. Ver a educação sentada à mesma mesa que a indústria e os dados já diz bastante sobre o enquadramento. A versão que usei é a tradução inglesa do Center for Security and Emerging Technology, da Universidade de Georgetown, publicada a 13 de julho. A meta é 2030. Até lá, o plano quer um sistema de educação em IA que cubra todas as etapas de escolaridade e um mecanismo duradouro para desenvolver a literacia em IA de toda a população. Não é a primeira vez que Pequim ocupa este terreno: o Consenso de Pequim sobre IA e educação, que a UNESCO endossou, já cá esteve. A diferença é que agora falamos de um programa nacional, com tarefas distribuídas por departamentos e orientações para as escolas e as localidades. Convém dizê-lo desde já: estamos a ler intenções. O texto não traz metas numéricas por etapa nem qualquer avaliação de resultados. É um plano de tarefas, não um balanço.

  • Today · 6 min

    A China quer a IA em todas as escolas até 2030

    Em abril de 2026, cinco organismos do Estado chinês publicaram o plano «IA + Educação». Há nele currículos, formação de professores, plataformas nacionais e muita recolha de dados. Lemo-lo com a pergunta de quem anda numa escola: o que muda para as aulas, para quem ensina e para quem aprende?

  • Thursday · 5 min

    Ensinar conetores textuais

    Quase todos os professores já leram aquela composição em que cada frase começa por «além disso» ou «por outro lado», e em que, mesmo assim, não se percebe para onde o texto vai. O problema raramente é a falta de conetores. É não saber o que cada um promete ao leitor.

  • Thursday · 21 min

    Conetores textuais: ensinar a ligar ideias

    Ensinar conetores não é ensinar listas. É ensinar que escrever é fazer promessas ao leitor e cumpri-las. A lista, como a do mapa acima, é um bom ponto de partida e um péssimo ponto de chegada. O que fica nos alunos é o hábito de perguntar, a cada frase, como é que ela se liga à anterior, e de o saberem dizer.

  • Tuesday · 7 min

    A busca pela consciência

    O artigo ¿Dónde se encuentra la consciencia? publicado na revista Telos examina a localização anatómica da consciência ao longo da história da ciência e propõe uma mudança radical de perspetiva. Inicialmente associada ao coração na Antiguidade e, posteriormente, fixada no córtex cerebral durante a modernidade, a investigação contemporânea sugere que a capacidade de sentir é mais primitiva do que se pensava. Especialistas como Jaak Panksepp e Mark Solms defendem que o afeto e a consciência elementar nascem em estruturas subcorticais muito mais antigas, nomeadamente no tronco encefálico. Esta hipótese ganha força através de evidências como o comportamento de crianças nascidas sem córtex e a Declaração de Cambridge, que estipula que vários animais partilham estes mesmos substratos neurológicos. Em suma, o texto desafia o paradigma tradicional de procurar a chave apenas onde a luz é mais evidente, abrindo novos debates na neurociência e na educação.

  • Tuesday · 14 min

    Onde está a consciência?

    A revista Telos, da Fundação Telefónica, publicou a 7 de outubro um texto curto do neurocientista Saúl Sal Sarria com uma pergunta muito antiga e uma suspeita incómoda: e se a consciência não estiver onde sempre a procurámos? O artigo fala de cérebros e de história da ciência, e não de escolas. Lemo-lo com uma turma à frente, porque dele saem perguntas que professores e alunos já fazem, sobre quem sente, sobre quem parece não sentir e sobre as máquinas que falam como se sentissem.

  • Tuesday · 7 min

    O mito viral da linguística

    Circula uma publicação que garante que um estudo recente «provou» que Chomsky estava errado e que falamos como o ChatGPT. Em vez de discutir a publicação, fomos ler o artigo de ponta a ponta. É um trabalho cuidadoso, com seis estudos e resultados pequenos mas consistentes, e que diz coisas interessantes para quem ensina línguas. Diz também bastante menos do que lhe atribuem.

  • Monday · 14 min

    Os atalhos do cérebro ao falar

    Circula uma publicação que garante que um estudo recente «provou» que Chomsky estava errado e que falamos como o ChatGPT. Em vez de discutir a publicação, fomos ler o artigo de ponta a ponta. É um trabalho cuidadoso, com seis estudos e resultados pequenos mas consistentes, e que diz coisas interessantes para quem ensina línguas. Diz também bastante menos do que lhe atribuem. A publicação resume-se depressa: o cérebro não guarda a linguagem em árvores gramaticais, falamos a prever o bloco seguinte e é assim que funciona o ChatGPT. Do artigo, o que há a registar é outra coisa, e merece ser contada com algum vagar.

  • Sunday · 9 min

    A tecnologia matou a leitura?

    A revista LER publicou, no seu número 177, um texto de Luís Naves com um título que dispensa apresentações: «A tecnologia matou a leitura?». Leu-se de uma assentada e, depois, voltou-se atrás para sublinhar. Não por trazer respostas fechadas, mas por pôr lado a lado coisas que costumamos discutir separadamente: a escrita assistida por máquinas, o temor de que se leia menos e a evidência, nem sempre simpática, sobre o que os jovens e os adultos conseguem de facto fazer com um texto.

  • Sunday · 22 min

    A inteligência artificial matou a leitura?

    O debate sobre o futuro da leitura e da escrita na era digital e da inteligência artificial examina se a tecnologia está efetivamente a destruir a cultura escrita ou se representa apenas uma nova fase de transformação cultural. Embora dados recentes como o estudo PISA e avaliações da OCDE revelem uma degradação gradual nas competências de literacia, os especialistas argumentam que estes problemas derivam sobretudo de fatores socioeconómicos e estruturais, e não exclusivamente dos dispositivos eletrónicos. Paralelamente, o surgimento de conteúdos gerados por máquinas desafia os métodos tradicionais de ensino e a própria noção de autoria literária, exigindo que as escolas valorizem a argumentação e a criatividade humana. Em vez de ceder ao alarmismo, a reflexão sugere que a democratização tecnológica deve ser encarada como uma oportunidade para promover melhores condições de aprendizagem e incentivar a imaginação artística.

  • October 24 · 7 min

    O que não devemos entregar à inteligência artificial?

    A Big Think perguntou a três filósofos o que devemos esforçar-nos por guardar à medida que a inteligência artificial pensa por nós. Michael Hauskeller respondeu com o direito de ficar sem resposta, Susan Wolf com a curiosidade que se contagia e Luciano Floridi com o valor do que tem origem e história. Não falam de escolas. Lemo-los, ainda assim, com uma turma à frente, e fomos ver o que dizem os livros que sustentam as frases.

  • October 24 · 14 min

    O Pensamento Humano na Era da Inteligência Artificial

    Onde se reflete sobre o impacto da inteligência artificial na educação através das perspetivas de três filósofos consultados pela publicação Big Think. Michael Hauskeller alerta para a perda de pensamento crítico quando os estudantes delegam o esforço intelectual nas máquinas, enquanto Susan Wolf destaca a importância insubstituível da curiosidade genuína e do entusiasmo humano na aprendizagem. Por sua vez, Luciano Floridi submete a debate a relevância da origem e da história dos objetos, comparando a cópia gerada por computador a um produto sem autenticidade. Os autores do artigo analisam estas visões no contexto escolar e propõem atividades práticas para incentivar os alunos a valorizar o processo de reflexão em detrimento da simples obtenção de respostas prontas.

  • October 23 · 7 min

    Avaliação na era da IA

    Cristopher Sandoval Sepúlveda, académico do Observatório de IA em Educação da Universidade de Las Américas (Chile), publicou em outubro de 2026 um guia para professores que têm de decidir o que fazer às suas avaliações agora que uma máquina escreve, resume e resolve em segundos. O guia foi pensado para o ensino superior e não para o básico ou o secundário. Lemo-lo, ainda assim, com uma sala de aula do 3.º ciclo à frente dos olhos, porque a pergunta que faz serve a quem ensina em qualquer nível: o que é que esta avaliação me deixa concluir sobre o que o aluno aprendeu?

  • October 23 · 15 min

    Como avaliar a aprendizagem com IA

    Este guia académico propõe critérios e orientações para que os docentes do ensino superior possam refletir, avaliar e melhorar os seus processos de avaliação face aos desafios colocados pela inteligência artificial. O documento estrutura-se em torno de princípios fundamentais que salvaguardam o julgamento profissional, a integridade académica e a agência humana, garantindo que as tecnologias sejam utilizadas de forma crítica e alinhada com os resultados de aprendizagem. Através da análise de práticas concretas, da revisão de evidências e da implementação de ciclos de melhoria contínua, os educadores dispõem de ferramentas para decidir se devem manter, ajustar ou reformular as suas estratégias avaliativas. Em suma, o texto fomenta uma abordagem contextualizada e colaborativa para integrar a tecnologia na docência, assegurando que o foco permaneça no desenvolvimento formativo dos estudantes.

  • October 22 · 7 min

    A origens da Universidade

    Da universitas medieval à sala de aula: o que a escola pode aprender com uma história da universidade Andrés García Barrios, escritor e comunicador, colaborador do Observatório do Instituto para o Futuro da Educação (Tecnológico de Monterrey), publicou a 14 de outubro um ensaio sobre as origens medievais da universidade e sobre uma tensão que nunca a largou: a que separa o saber do rendimento. O tema é o ensino superior. Lemo-lo com a escola à frente, porque essa tensão chega aos alunos muito antes dos dezoito anos, com notas, exames e médias pelo caminho.

  • October 22 · 25 min

    Como a IA resgata o ensino medieval

    O ensaio de Andrés García Barrios examina a evolução histórica das instituições de ensino superior, desde as suas origens nas comunidades medievais até aos desafios contemporâneos da educação moderna. O texto analisa a tensão persistente entre a preservação do saber essencial e a subordinação da aprendizagem às exigências utilitaristas do sistema socioeconómico. Além disso, o autor explora o impacto da tecnologia e da inteligência artificial na avaliação académica, criticando a tendência de transformar o ensino num mero treino focado em resultados rápidos (fast school). Por fim, defende-se a importância de recuperar a dimensão humana e quotidiana da escola, promovendo o pensamento crítico e a verdadeira transformação pessoal dos alunos para além dos testes e das notas.

  • October 22 · 6 min

    A Europa desafia a História

    No fim de 2025, num debate com cidadãos, um homem disse a Arancha González Laya que era pacifista, que acreditava na União Europeia como projeto de paz e que andava em guerra consigo próprio, porque uma parte de si sabia que a paz talvez exigisse rearmar-se. A antiga ministra dos Negócios Estrangeiros de Espanha conta o episódio numa entrevista à revista Ethic. Lemo-la a pensar em salas de aula: o que lá cabe, o que convém verificar e o que fica em aberto.

  • October 22 · 17 min

    O rearmamento de uma Europa sozinha

    A União Europeia enfrenta uma crise existencial caracterizada pela sua vulnerabilidade face à nova postura dos Estados Unidos e às tensões geopolíticas globais, como a guerra na Ucrânia e a ascensão da China. Perante estas ameaças e o afastamento de aliados tradicionais, o bloco europeu encontra-se numa solidão fértil que o obriga a repensar a sua autonomia estratégica. Esta nova realidade exige que a Europa reforce a sua defesa e capacidade de dissuasão, conciliando a segurança com a preservação do seu modelo de bem-estar social. Assim, o projeto europeu debate-se entre o risco de desempoderamento e a oportunidade de agir com maior união no tabuleiro internacional.

  • October 21 · 7 min

    E se os professores pudessem imaginar, em conjunto, o futuro do ensino? | OCDE

    Uma conversa que o calendário escolar raramente permite Imagine-se a última reunião de grupo disciplinar em que alguém perguntou como queremos que seja esta profissão daqui a uns anos, e a conversa foi até ao fim, sem ninguém olhar para o relógio. (A cena é nossa, e confessamos que nos custa a imaginar.) O costume é falar do que está por entregar: as grelhas, as metas, o lançamento de notas, a plataforma que mudou outra vez. É a esse vazio que responde o relatório Co-constructing Visions for the Future of Teaching (OECD, 2026a). O ponto de partida é uma pergunta quase ingénua: e se criássemos espaço para pensar coletivamente o futuro do ensino? O projeto da OCDE sobre o novo profissionalismo e o futuro do ensino fê-lo em quatro sistemas educativos, entre 2024 e 2026, com profissionais de funções diferentes, dentro e fora do sistema educativo, a trabalhar juntos para construir as visões que preferem, isto é, aquelas que gostariam de ver acontecer.

  • October 21 · 22 min

    Como reinventar a carreira dos professores | OCDE

    A OCDE acaba de publicar um relatório sobre uma coisa pouco habitual nas políticas educativas: pôr professores, diretores, formadores, sindicatos e decisores a imaginar, em conjunto, a profissão docente que gostariam de ter. Lemos o resumo oficial e os três estudos nacionais que lhe serviram de base, porque o texto integral não nos foi acessível. Ao longo do artigo dizemos sempre de onde vem cada coisa.

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