
Amor de Perdição
No último episódio da segunda temporada, Francisco Mota Saraiva e João Dinis enfrentam a maior tragédia da literatura portuguesa e unem os vértices da relação proibida entre Simão Botelho e Teresa Albuquerque e a que se junta a pobre Mariana, trazendo-nos um livro que exalta e que faz exaltar. Há de tudo: drama, sátira, tragédia, violência, crime, paixão… nada lhe falta; tem tudo o que faz falta à vida… antes de morrer. Apesar dos «bastantes aleijões líricos», “Amor de Perdição”, escrito durante os quinze dias mais atormentados da vida de Camilo Castelo Branco, assim mesmo descritos pelo próprio, durante a sua prisão nas cadeias da Relação do Porto na sequência da sua detenção no caso de adultério com Ana Plácido, é um dos maiores exemplos do (ultra)romantismo português. É caso para dizer – «de que céu tão lindo caímos» ao ler este livro. Para aliviar a tragédia e comprovar que a vida não tem de ser um desastre completo, os nossos anfitriões servem um Lemos, rosé, da Quinta de Lemos, e despedem-se até à próxima temporada que será mais um convite à morte, aos vinhos e, claro, aos livros. Até lá, como diz o outro, se puderem, evitem a trágica consequência de perderem a vida.