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À procura das raízes do mal, Francisco Mota Saraiva e João Dinis aventuram-se no imenso «inferno verde» de “A Selva”, de Ferreira de Castro, em que o meio natural amazónico é uma «personagem de primeiro plano, viva e contraditória, ao mesmo tempo admirável e temível, como são as de carne, sangue e osso».
Ferreira de Castro, proposto por duas vezes ao Prémio Nobel da Literatura, neste livro, considerado pela UNESCO um dos dez mais lidos em todo o mundo, revela o caso particular de escravatura dos trabalhadores sertanejos deslocados nos fundos da impossível e impiedosa Amazónia para a exploração dos seringais, base do comércio da borracha, e onde há sede de justiça e um desejo imenso de fugir. Porém, um mistério ameaçador atrás de cada árvore, de cada brenha, até nas margens quietas dos rios, e onde «um silêncio sinfónico» parece deixar toda a «selva em êxtase», não permite qualquer fuga ou tão-pouco a salvação.
Para este episódio, escolheram um clássico, um Soalheiro, de 2025, um alvarinho da região dos vinhos verdes, que é um brinde à frescura dos dias e que nos deixa amolecer «sob uma funda sensação de vida irrecuperável».