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show notes
Francisco Mota Saraiva e João Dinis dão a volta à casa, percorrem os corredores, sobem e descem as escadas, abrem e fecham as portas e as janelas, e tropeçam na «acumulação de trastes pelo chão», como quem dá a volta à vida toda, à vida inteira, para dizerem uma palavra, uma só palavra, e que esta fique “Para Sempre”, como assim a obra de Vergílio Ferreira.
Publicado em 1983, em estilo de poema em prosa com laivos ensaísticos e de pendor fortemente biográfico, este é um livro comovente e que nos murmura a passagem do tempo num exercício compulsivo, circular e persistente, quase catártico, em que um violino numa peça de Schubert toca ao fundo, e Paulo, um homem velho e só, abandonado por todos menos pela sua memória, redescobre a casa, a si mesmo talvez.
E à mesa da «casa grande e deserta», serve-se um Pedra e Cal, arinto, branco, de 2023, do projecto Lés a Lés, que nos guia pela viagem do tempo, comprovando que nós somos senão as voltas efémeras do mundo e que aqui estamos para sempre ou, pelo menos, antes de morrer.