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TIC, Educação e Web

Jorge Borges

A Tecnologia ao serviço da Educação

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  • 114 episodes
  • Avg 13 min
  • Portuguese
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  • October 20 · 15 min

    Como a IA inventa mentiras perfeitas

    Escrever com a máquina ou escrever sem ela? O que a escola pode aprender com um ensaio de Renato Ortiz Renato Ortiz, sociólogo da Universidade Estadual de Campinas, publicou na revista MATRIZes um ensaio sobre o que acontece à escrita quando uma máquina produz texto em segundos. Fala de ciências sociais e não de escolas. Lemo-lo, ainda assim, com uma turma à frente dos olhos, porque a pergunta que faz (o que se perde quando se escreve depressa?) é das que muitos professores já fazem em voz baixa, na sala de professores, desde que os chatbots chegaram aos telemóveis dos alunos.

  • October 20 · 7 min

    Escrever sem reflexividade

    Os documentos analisados examinam o impacto da inteligência artificial na produção textual, contrapondo a escrita automatizada dos modelos gerativos ao ofício intelectual humano, com particular ênfase nas ciências sociais. O autor explora como a máquina opera através de cálculos estatísticos e previsibilidade linguística, gerando conteúdos imediatos e padronizados, mas desprovidos de verdadeira reflexividade crítica e histórica. Em contraste, a escrita humana é descrita como um processo lento, artesanal e profundamente contextual, ancorado na persuasão e na singularidade do autor. Enquanto a inteligência artificial se limita a simular respostas sem discernir a verdade, as humanidades exigem metáforas, intencionalidade e argumentação contínua. Em suma, os textos reflexionam sobre os dilemas da autoria digital, o viés cultural e a necessidade urgente de preservar o pensamento crítico perante a crescente massificação tecnológica.

  • October 19 · 7 min

    IA: O mistério da consciência

    Onde se explora a complexa e incerta questão da consciência na inteligência artificial, analisando se as máquinas avançadas poderão vir a possuir sentimentos genuínos e experiências subjetivas num futuro próximo. Aborda-se o debate filosófico e científico sobre a essência da consciência, avaliando argumentos tradicionais como o teste de Turing, a sala chinesa de Searle e teorias funcionalistas. Os autores argumentam que, perante a rapidez da engenharia tecnológica e a estagnação da ciência da consciência, a humanidade poderá criar sistemas com aparência de inteligência sem saber ao certo se são verdadeiramente conscientes. Esta incerteza levanta dilemas profundos e urgentes sobre direitos, ética e a responsabilidade social de tratar entidades artificiais como seres conscientes ou como meros simuladores desprovidos de vida interior.

  • October 19 · 25 min

    Inteligência Artificial e Consciência

    Em agosto, a Cambridge University Press publicou um volume curto de Eric Schwitzgebel, filósofo da Universidade da Califórnia, em Riverside, com uma tese pouco comum: ninguém sabe se as inteligências artificiais mais avançadas virão a ser conscientes, e é provável que continuemos sem saber quando a resposta já importar a sério. O livro não fala de escolas. Lemo-lo, ainda assim, a pensar nelas, e encontrámos lá bastante coisa que um professor pode levar para a sala de aula, a começar pela coragem de dizer «não sei».

  • October 18 · 7 min

    Como usar a IA nas escolas

    Orientações para a IA nas escolas portuguesas: o que acertam, o que deixam em aberto e o que se faz lá fora O EduQA pôs em consulta pública, a 15 de outubro, as primeiras orientações nacionais para a utilização da inteligência artificial do pré-escolar ao secundário. Lemos as 33 páginas do documento e as 18 dos instrumentos de apoio a pensar em quem as vai aplicar, e pusemo-las ao lado do que fazem a Austrália, a Inglaterra e Singapura. Há muita coisa bem pensada. Há também perguntas que só a prática vai responder, e é para isso que serve uma consulta.

  • October 18 · 14 min

    As novas regras da IA nas escolas portuguesas

    As orientações oficiais estabelecem um quadro normativo para a integração responsável da Inteligência Artificial nas escolas portuguesas, abrangendo desde a educação pré-escolar até ao ensino secundário. O documento define princípios pedagógicos fundamentais, priorizando sempre a centralidade e a responsabilidade humana face às ferramentas tecnológicas. São estruturadas três dimensões essenciais para a abordagem educativa, que passam por aprender sobre IA, aprender com IA e utilizá-la de forma proficiente. Além disso, o texto estipula regras claras para docentes, alunos e encarregados de educação, garantindo a proteção de dados, a equidade e a integridade da avaliação escolar.

  • October 17 · 19 min

    A IA escreve um soneto à Camões? Uma aula com os alunos no papel de juízes

    Uma professora de Inglês, nos Estados Unidos, pede aos alunos que encomendem a um chatbot um soneto de Shakespeare e que depois verifiquem, com o texto à frente, se o que veio é mesmo um soneto shakespeariano. A ideia é boa e passa bem para o Português: trocámos Shakespeare por Camões, juntámos uma ficha de auditoria, um plano de aula de 90 minutos e critérios de avaliação. O que se segue serve para usar na segunda-feira, e também para desconfiar um pouco.

  • October 17 · 6 min

    A IA escreve um soneto à Camões?

    Uma professora de Inglês, nos Estados Unidos, pede aos alunos que encomendem a um chatbot um soneto de Shakespeare e que depois verifiquem, com o texto à frente, se o que veio é mesmo um soneto shakespeariano. A ideia é boa e passa bem para o Português: trocámos Shakespeare por Camões, juntámos uma ficha de auditoria, um plano de aula de 90 minutos e critérios de avaliação. O que se segue serve para usar na segunda-feira, e também para desconfiar um pouco.

  • October 15 · 8 min

    Aprender a Ser Livre

    O filósofo José Antonio Marina defiende que a evolução humana gerou um cérebro inteligente, mas vulnerável a patógenos mentais como o medo, o fundamentalismo e as adicções. Na sua nova obra, o autor argumenta que as dependências surgem quando as pessoas escolhem o alívio fácil em vez de enfrentarem os seus problemas reais. Além disso, critica a sociedade contemporânea por fomentar hábitos excessivamente cómodos que reduzem a capacidade crítica dos cidadãos. Para combater estas fragilidades, Marina propõe uma educação baseada na resolução de problemas desde a infância. Por fim, redefine o conceito de liberdade, sublinhando que esta não se resume a agir por puro impulso, mas sim à capacidade de resistir aos desejos prejudiciais.

  • October 15 · 18 min

    A vacina contra as adições digitais

    O filósofo José Antonio Marina defiende que a evolução humana gerou um cérebro inteligente, mas vulnerável a patógenos mentais como o medo, o fundamentalismo e as adicções. Na sua nova obra, o autor argumenta que as dependências surgem quando as pessoas escolhem o alívio fácil em vez de enfrentarem os seus problemas reais. Além disso, critica a sociedade contemporânea por fomentar hábitos excessivamente cómodos que reduzem a capacidade crítica dos cidadãos. Para combater estas fragilidades, Marina propõe uma educação baseada na resolução de problemas desde a infância. Por fim, redefine o conceito de liberdade, sublinhando que esta não se resume a agir por puro impulso, mas sim à capacidade de resistir aos desejos prejudiciais.

  • October 14 · 8 min

    O Atrito Melhora a IA

    Há quem veja na IA apenas um atalho: pede-se, copia-se, entrega-se. Um estudo de Stanford, assente em quase 250 mil conversas reais, sugere que a maior parte das pessoas faz outra coisa, que é discutir, corrigir e reescrever. Para a escola, o interesse está menos no elogio e mais nas condições em que isso acontece. Convém avisar desde já que o modelo analisado é o Claude, o mesmo que nos apoiou na redação deste texto.

  • October 14 · 16 min

    Porque devemos discordar da inteligência artificial

    Há quem veja na IA apenas um atalho: pede-se, copia-se, entrega-se. Um estudo de Stanford, assente em quase 250 mil conversas reais, sugere que a maior parte das pessoas faz outra coisa, que é discutir, corrigir e reescrever. Para a escola, o interesse está menos no elogio e mais nas condições em que isso acontece. Convém avisar desde já que o modelo analisado é o Claude, o mesmo que nos apoiou na redação deste texto.

  • October 13 · 7 min

    Ensinar Literacia em IA

    Um guia recente compila vinte e dois referenciais sobre inteligência artificial na educação, servindo como um mapa prático para navegar entre diferentes diretrizes e ferramentas pedagógicas. A compilação distingue abordagens essenciais para professores, que contam com quadros de competências da UNESCO e orientações éticas europeias, e para alunos, promovendo uma transição de simples utilizadores para cidadãos conscientes. Além disso, o documento aborda as responsabilidades das direções escolares face aos novos quadros de literacia e às exigências legais do AI Act europeu. Em vez de seguirem normas rígidas, as escolas são incentivadas a combinar estrategicamente estes recursos para estruturar o ensino da tecnologia. Em suma, os referenciais ajudam a evitar a improvisação, estimulando uma reflexão profunda sobre o papel da inteligência artificial nas salas de aula.

  • October 13 · 22 min

    Literacia em inteligência artificial nas escolas

    Vinte e dois referenciais sobre IA na educação: por onde começar? Um guia recente reúne vinte e dois documentos de referência sobre inteligência artificial na educação. Ninguém precisa de os ler todos. Pareceu-nos mais útil perceber para que serve cada um e quais merecem lugar na mesa de um professor, de um aluno ou de uma direção. Em outubro, Hatem Bounif, doutorando em Tecnologia Educativa na Universidade de Sevilha, publicou um guia gratuito em PDF com vinte e dois referenciais sobre IA na educação. Cada um vem com o ano, a entidade, os destinatários e a ligação à fonte oficial. É uma compilação e não um estudo, e convém lê-la como tal: serve de mapa, e um mapa só vale pelo caminho que nos ajuda a fazer. A lista é longa e mistura coisas de natureza muito diferente. Há quadros de competências, orientações éticas, legislação e modelos pedagógicos com quase vinte anos. Por isso procurámos separar o que pode fazer diferença numa escola, numa sala de aula ou numa reunião de grupo disciplinar.

  • October 12 · 1 min

    A apatia, o maior risco da cibersegurança, segundo Kemba Walden

    Quando as pessoas veem a cibersegurança como abstrata, elas não a relacionam com aquilo de que dependem diariamente: bancos seguros, acesso à energia e uma sociedade estável. Aqui, a ex-diretora nacional de cibersegurança dos EUA — agora presidente do Paladin Global Institute — compartilha por que acredita que a cibersegurança precisa ser repensada como uma oportunidade e por que são as empresas, e não os indivíduos, que devem assumir a maior parte do trabalho.

  • October 11 · 7 min

    A tutoria por IA igualou a humana num teste de admissão…

    O trabalho chama-se StudentBench, é assinado por Curtis Northcutt e mais cinco autores e foi publicado como preprint no arXiv a 23 de setembro de 2026 (a versão que lemos é a segunda, de 30 de setembro). Quem o financiou foi a Handshake AI, o que os autores declaram na secção de ética. Não encontrámos indicação de que tenha passado por revisão de pares, e convém lê-lo com essa condição à vista. O teste escolhido foi o GRE, a prova usada sobretudo nos Estados Unidos para candidaturas a mestrados, doutoramentos e escolas de gestão, com uma parte de raciocínio quantitativo e outra de raciocínio verbal, em inglês. Os participantes foram 2383 adultos, 83% deles entre os 18 e os 24 anos, recrutados numa plataforma de emprego para jovens e pagos com 50 dólares por sessão, fizessem bem ou mal. Cada um fez um teste inicial de 27 perguntas, passou cinco minutos a rever os erros e depois uma hora numa de três situações, atribuída ao acaso: tutoria por IA, tutoria humana ou nada (neste último caso viram documentários de natureza). Terminada a hora, fizeram um segundo teste, com perguntas novas mas da mesma dificuldade, escritas por antigos autores de questões do ETS e da Kaplan. O ganho de aprendizagem é a diferença entre as duas notas, em pontos percentuais. Do lado da IA estiveram 13 tutores, construídos a partir de 12 modelos de várias empresas. Receberam os erros do aluno, planearam a aula, criaram os exercícios e conversaram por escrito, com instruções deliberadamente curtas. Nunca viram o teste final. Os tutores humanos davam a aula por videochamada e eram antigos funcionários do ETS ou da Kaplan, ou pessoas com pelo menos cinco anos de experiência em explicações de GRE.

  • October 11 · 17 min

    IA iguala tutores de elite no GRE

    A tutoria por IA igualou a humana num teste de admissão. E a escola com isso? Ana Ferreira e Jorge Borges · 11 de outubro de 2026 · Artigos, Educação, Estudos, Inteligência artificial, avaliação Uma hora com um modelo de linguagem rendeu aos estudantes tanto como uma hora com um explicador humano experiente, pelo menos num teste norte-americano de acesso à pós-graduação. A conclusão anda a circular com entusiasmo e quase sem ressalvas. Lemos o estudo inteiro, apêndices incluídos, e há nele coisas que animam e coisas que pedem travão. Excerto Um estudo com 2383 adultos concluiu que tutores de IA e tutores humanos produzem ganhos equivalentes numa hora de preparação para o GRE. Os números são sólidos numa parte e frágeis noutra, e dizem pouco sobre alunos do básico e do secundário. Eis o que interessa a quem ensina.

  • October 11 · 35 min

    Quem é Anne Carson e por que recebeu o Prémio Nobel de Literatura 2026?

    Quem é Anne Carson e por que recebeu o Prémio Nobel de Literatura 2026? O que há de extraordinário em uma escritora que conseguiu transformar os antigos mitos gregos em algumas das obras mais originais da literatura contemporânea?Anne Carson nunca precisou de obedecer às regras tradicionais da literatura. O seu universo está cheio de personagens impossíveis, amores complexos, perdas irreparáveis e livros que desafiam até mesmo nossa ideia do que significa escrever. Mas como uma mulher fascinada pelas palavras da Grécia antiga chegou a se tornar uma das vozes mais singulares do nosso tempo?Neste novo documentário, mergulhamos na vida, na obra e nos mistérios literários de Anne Carson, vencedora do Prémio Nobel de Literatura 2026. Um percurso pela sua maneira particular de entender a poesia, suas grandes criações e as experiências que marcaram sua trajetória.Um convite para descobrir uma autora que nos lembra que a literatura ainda tem territórios desconhecidos a explorar.

  • October 9 · 6 min

    O poder da hesitação | Anne Carson

    Anne Carson, Nobel da Literatura 2026: o que a escola pode aprender com quem lê devagar A Academia Sueca premiou, a 8 de outubro, uma classicista canadiana que escreve ensaios com feitio de poema, poemas com ar de conferência e livros que se abrem como caixas. Pelo caminho, Anne Carson foi dizendo coisas de grande utilidade a quem ensina: sobre o dicionário, o erro, a mão que escreve e a desconfiança perante a pergunta «qual é a mensagem?».

  • October 9 · 13 min

    A hesitação segundo Anne Carson

    Anne Carson, Nobel da Literatura 2026: o que a escola pode aprender com quem lê devagarPublicado a Outubro 9, 2026 por Jorge Borges e Ana Ferreira A Academia Sueca premiou, a 8 de outubro, uma classicista canadiana que escreve ensaios com feitio de poema, poemas com ar de conferência e livros que se abrem como caixas. Pelo caminho, Anne Carson foi dizendo coisas de grande utilidade a quem ensina: sobre o dicionário, o erro, a mão que escreve e a desconfiança perante a pergunta «qual é a mensagem?».

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