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Psicanálise e Cultura

Psicanalista Sandro Cavallote

Meu nome é Sandro Cavallote. Sou Psicanalista, professor, escritor e comunicólogo e a ideia deste podcast é falar sobre psicanálise, saúde social, inconsciente, Escuta, linguagem, comunicação, tecnologia, cultura, mídia e o que aparecer na mente. Pensar o "Mal-estar da nossa época". Sem um roteiro pré-definido, a construção do conteúdo é basicamente apertar o REC e gravar o que sai, inclusive erros, sons externos do ambiente e até atos falhos. Nada de muita formalidade, sem pretensão nenhuma de qualquer coisa. Sejam bem-vindos. Novos episódios semanais.

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  • 24 episodes
  • weekly
  • Avg 25 min
  • Portuguese
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  • S5 · E161
    Monday · 35 min

    161 - A fábrica de sonhos vazios : psicanálise, classe e o fim da experiência criativa

    Neste episódio do Psicanálise e Cultura, mergulhamos numa pergunta que ecoa nos consultórios, nos estúdios e nas fábricas do século XXI: o que aconteceu com a nossa capacidade de criar? Partindo da experiência pessoal do apresentador no universo da publicidade e da criação, atravessamos a crítica à captura do termo "criatividade" pela lógica de mercado, o esvaziamento do seu sentido e a ironia perversa de um sistema que nos exige ser criativos sob pressão — e nos adoece com burnout e depressão exatamente por isso. Com referências a Byung-Chul Han e à psicanálise de Winnicott, discutimos a importância do ócio, do tédio e do silêncio como condições para a criação genuína, a clivagem de classe no acesso ao tempo criativo e a urgência de resistir à pasteurização do pensamento. A criatividade verdadeira, defendemos, não se vende em cursos de fim de semana — ela exige tempo, estudo, conhecimento crítico e, acima de tudo, a coragem de desacelerar. 🎧 Ouça e compartilhe.

  • S5 · E160
    August 31 · 38 min

    160 - O inconsciente não é neutro: psicanálise, poder e marcadores sociais

    O que acontece com a psicanálise quando ela se recusa a encarar os marcadores sociais como parte constitutiva do sujeito? E o que ela perde quando insiste em ser uma clínica do universal abstrato, desencarnado e des-historicizado? Neste episódio do Psicanálise e Cultura, falo um pouco da parte da experiência de supervisão clínica realizada com a psicanalista Gabi Braun no Neppa para interrogar um dos pilares mais caros à técnica psicanalítica: a neutralidade. E mostra que, longe de ser um "não lugar", o setting analítico é atravessado por gênero, classe, raça e tecnologia — e que a escuta que não dá conta disso corre o risco de repetir as violências que deveria acolher. Com referências a Ferenczi, Fanon, Neusa Santos Souza e outros, o episódio propõe uma psicanálise implicada, que não tem medo de se sujar, que reconhece o inconsciente como também social e que convoca o analista a descolonizar sua escuta. E ainda: letramentos raciais, de gênero, de classe e tecnológicos como ferramentas clínicas indispensáveis para uma prática mais verdadeira. Uma conversa sobre o mal-estar contemporâneo e sobre o que a psicanálise ainda precisa aprender — ou desaprender — para continuar sendo um espaço de transformação. Palavras-chave: psicanálise, neutralidade, gênero, classe social, tecnologia, descolonização, Ferenczi, Fanon, Neusa Santos Souza, clínica contemporânea, Neppa, supervisão clínica, marcadores sociais.

  • S5 · E159
    August 24 · 33 min

    159 - A falácia da tal Síndrome do Impostor

    A "síndrome do impostor" se tornou um dos diagnósticos mais populares da atualidade. Mas será que ela existe? Ou será que é uma falácia — uma forma de patologizar o que é, na verdade, uma resposta humana a um mundo que adoece? Neste episódio, a gente investiga a origem do termo, cunhado em 1978 a partir de um estudo com 150 mulheres bem-sucedidas, e questiona: onde estavam os homens? Por que a dúvida virou doença, e não uma questão a ser escutada? Com uma crítica à hiperpatologização do sofrimento, à indústria da insegurança e ao capitalismo que transforma dúvida em produto, o episódio propõe uma escuta psicanalítica que não diagnostica para curar — mas acolhe para elaborar. E pergunta: o que você deixou de fazer porque se sentiu um impostor? 🎧 Ouça agora. #psicanalise #psicologia #psiquiatria #freud #podcast

  • S6 · E158
    August 17 · 38 min

    158 - Você compete com você mesmo: o isolamento narcísico da competição

    "A competição consigo mesmo é uma competição com um fantasma. E, contra um fantasma, não há vitória possível." Por que a frase "você compete com você mesmo" é uma das maiores armadilhas do nosso tempo? O que ela produz de isolamento, exaustão e narcisismo? Neste episódio, a gente investiga o deslocamento da competição do mundo para a cabeça — e como isso nos torna estrangeiros do outro. Um episódio para quem quer entender por que a competição interiorizada adoece — e como o encontro com o outro ainda é o caminho. Referencial direto ou indireto do episódio: Com Freud (Sobre o Narcisismo), Filipe Boni, Flávia Albuquerque (Despatologiza) e dados do Google Trends.

  • S6 · E157
    August 10 · 30 min

    157 - Quando o sonho vira dívida: o empreendedorismo e seus custos subjetivos

    "Seja seu próprio chefe", "liberdade financeira", "trabalhe de onde quiser". Essas promessas têm enchido os feeds e alimentado sonhos. Mas o que elas escondem? Neste episódio, a gente desmonta o discurso do empreendedorismo contemporâneo. Mostramos como ele transforma trabalhadores em "empresários de si", transfere todos os riscos para o indivíduo e cria um modelo de trabalho profundamente predatório — exemplificado por plataformas como iFood e Uber. Com referências a Vladimir Safatle e uma análise do sofrimento psíquico produzido por essa lógica, o episódio também denuncia o impacto no SUS, que está cada vez mais sobrecarregado com as consequências desse modelo. Porque, quando o sonho vira dívida, quem paga a conta não é o sistema — é o sujeito sozinho.

  • S6 · E156
    August 3 · 31 min

    156 - A psicologia do ego: da clínica ao controle

    A psicanálise nasceu como prática de escuta do inconsciente. Mas, ao ser apropriada nos Estados Unidos, tornou-se ferramenta de adaptação, conformação e controle. Neste episódio, a gente viaja da Viena de Freud à América corporativa de Edward Bernays, passando pela psicologia do ego de Hartmann e pela crítica radical de Lacan. E perguntamos: o que acontece quando a clínica do conflito se transforma em técnica de ajuste? Com base no documentário O Século do Ego, de Adam Curtis, e numa reflexão sobre como essa lógica colonizou também o Brasil. 🎧 Ouça agora.

  • S6 · E155
    July 27 · 34 min

    155 - Reconstituição do dispositivo psíquico: o sujeito contemporâneo e a psicanálise

    O sujeito da Viena de 1900 ainda cabe no dispositivo pensado por Freud? Ou será que a psicanálise contemporânea precisa reconstituir algo para acolher o sujeito de hoje? Neste episódio, a gente viaja no tempo. Primeiro, até a Berggasse 19, para olhar para o sujeito freudiano: seus sintomas, sua estrutura neurótica, sua crença na palavra, sua capacidade de deitar-se num divã e falar por horas. Depois, voltamos ao presente — para o sujeito das telas, da aceleração, da imagem, do vazio. O sujeito que chega ao consultório com um diagnóstico, mas sem uma história; com um sintoma, mas sem uma pergunta sobre si; com uma identidade colada ao sofrimento, dizendo "sou ansioso" em vez de "tenho ansiedade". A técnica freudiana não está ultrapassada. A associação livre ainda funciona. O problema é que cada vez mais topamos com casos em que o dispositivo analítico está "por vir" — não está dado, não está garantido pela tradição. E, nesses casos, a psicanálise precisa fazer mais do que interpretar. Precisa reconstituir: a atenção, a narrativa, a pausa, o desejo, o corpo. Um episódio sobre o sujeito contemporâneo, o sofrimento produzido pelo capitalismo neoliberal e a psicanálise como prática viva, ética e implicada. 🎧 Ouça agora.

  • S6 · E154
    July 20 · 28 min

    154 - O corpo que grita (pt. 2): sintomas psicossomáticos como expressão do social

    O CORPO É TERRITÓRIO. E TODO TERRITÓRIO PODE SER HABITADO OU COLONIZADO. No novo episódio do Psicanálise e Cultura, a gente vai além do corpo biológico e do sintoma. A gente fala do corpo como experiência simbólica, atravessado por linguagem, por história, por cultura. Corpo estrangeiro. Corpo-avatar. Corpo racializado. Corpo que se perde nas telas e se reencontra na palavra. Como habitar um corpo que é, ao mesmo tempo, próprio e estranho? Como se reapropriar de um território que foi colonizado pelo olhar do outro?

  • S6 · E153
    July 13 · 23 min

    153 - O corpo que grita (pt. 1): sintomas psicossomáticos como expressão do social

    O QUE O SEU CORPO ESTÁ TENTANDO TE DIZER? 🔊 O corpo fala. E, muitas vezes, o que ele diz não é só sobre você — é sobre o mundo. Dores crônicas, transtornos alimentares, doenças autoimunes, sintomas que a medicina explica e não explica. Será que eles têm uma história? Será que essa história é também social? Neste episódio do Psicanálise e Cultura, a gente propõe uma escuta diferente: escutar o corpo não como objeto, mas como sujeito. Não como algo a ser consertado, mas como algo a ser acolhido. Ferenczi, Winnicott e uma provocação: 👉 Se o corpo fala, a sociedade está ouvindo?

  • S6 · E152
    July 6 · 20 min

    152 - Não há neutralidade na psicanálise contemporânea

    Neutralidade na psicanálise? Spoiler: não existe. Neste episódio, a gente desconstrói o mito do analista como espelho vazio e conversa sobre o que realmente ocupa o lugar da neutralidade: a ética, o envolvimento e a presença. Ferenczi, Winnicott e os desafios da clínica contemporânea – incluindo as sessões online e os riscos da tecnologia para o sigilo. Um papo sem filtro, sem neutralidade e sem rodeios. Aperte o play e se implica.

  • S6 · E148
    June 29 · 26 min

    151 - Saúde social: por que o sofrimento não é só individual

    O que a ansiedade de hoje diz sobre a exigência de produtividade? O que a depressão de hoje diz sobre o vazio de laços? O que o burnout diz sobre uma cultura que transforma o trabalho em identidade e a identidade em mercadoria? A saúde não cabe no consultório. Ela transborda para a rua, para o trabalho, para os relacionamentos, para a política. Neste episódio, trago a pauta sobre uma saúde social — uma forma de perguntar como o sofrimento é produzido coletivamente e como psicanálise, psicologia e psiquiatria podem se unir para enfrentar o sofrimento da atualidade. Porque, no fundo, o que está em jogo não é o nome dos campos de saber. É a possibilidade de um cuidado mais ético, mais amplo e mais atento à complexidade do sujeito. Ouve e me diz o que você pensa? Comentários são sempre bem-vindos!

  • S6 · E150
    June 22 · 36 min

    150 - Psicanálise não é Psicologia

    Neste episódio, eu começo com uma afirmação que costuma gerar incômodo: a psicanálise não é psicologia. Falo sobre por que isso importa, sobre a história que nos trouxe até aqui, sobre o cansaço de ver a psicanálise sendo reduzida a um puxadinho das psicoterapias, e sobre como o capitalismo quer transformar tudo em produto — inclusive a escuta. Também abordo a confusão que a classificação do CNPq gera, e defendo que psicanálise, psicologia e psiquiatria precisam dialogar sem se reduzir mutuamente. Porque, no fundo, o que está em jogo é a possibilidade de um cuidado mais ético e mais humano.

  • S6 · E149
    June 15 · 26 min

    149 - Luto e melancolia no mundo moderno

    Neste episódio do Psicanálise e Cultura, proponho uma reflexão sobre uma das transformações mais silenciosas da contemporaneidade: a forma como a tecnologia modificou nossa relação com a perda. Se durante grande parte da história o luto era marcado pela experiência da ausência, hoje convivemos com fotografias, vídeos, mensagens, perfis ativos e até inteligências artificiais que mantêm, de alguma forma, a presença de quem já morreu. A partir da psicanálise — especialmente do texto Luto e Melancolia, de Freud — e de referências da cultura contemporânea, como o episódio San Junipero, de Black Mirror, convido você a pensar comigo: será que estamos preservando memórias ou dificultando o próprio trabalho do luto? Mais do que falar sobre a morte, este episódio é um convite para refletirmos sobre nossa dificuldade crescente em lidar com os finais, a finitude e o desaparecimento em uma cultura que parece não permitir que nada vá embora. Espero que essa conversa desperte boas perguntas e novas formas de pensar um tema que atravessa, cedo ou tarde, a vida de todos nós. 🎧 Dê o play e venha pensar comigo.

  • S6 · E148
    June 8 · 18 min

    148 - Comunicar antes de ressentir

    Quantas relações se desgastam não por grandes conflitos, mas por pequenas coisas que nunca foram ditas? Neste episódio, converso sobre a difícil tarefa de comunicar os pequenos incômodos. Aquilo que nos incomoda, mas que consideramos pequeno demais para mencionar. Aquilo que engolimos para evitar conflitos, para não decepcionar, para não parecer difíceis ou exigentes. A partir da psicanálise e das contribuições de Winnicott, reflito sobre o medo de frustrar o outro, a necessidade de agradar, a formação do ressentimento e a importância de construir relações capazes de sobreviver às diferenças e aos desencontros inevitáveis da convivência. Porque, muitas vezes, o ressentimento não nasce de grandes feridas. Ele nasce de pequenas experiências que nunca encontraram palavras. Um episódio sobre comunicação, maturidade emocional, vínculos humanos e a coragem de dizer: "isso me incomodou".

  • S6 · E147
    June 1 · 23 min

    147 - Quando tudo vira opinião

    Quando foi que opinião passou a ocupar o lugar do conhecimento? Vivemos uma época em que todos parecem ter algo a dizer sobre tudo. Redes sociais, podcasts, mesacasts, influenciadores e algoritmos transformaram a opinião em uma das principais moedas da cultura contemporânea. Mas existe uma diferença entre opinar e pensar. Entre comunicar e elaborar. Entre visibilidade e conhecimento. Neste episódio, reflito sobre a deterioração da linguagem, a lógica dos algoritmos, a cultura dos cortes e a crescente dificuldade de sustentar a complexidade. A partir de Freud, Byung-Chul Han e da psicanálise contemporânea, discutimos como opiniões muitas vezes funcionam como mecanismos de pertencimento, proteção narcísica e defesa contra a dúvida. E, ao final, uma provocação importante: o que tudo isso tem a ver com a formação em psicanálise e com a responsabilidade ética de quem ocupa um lugar de escuta? Talvez, em um mundo repleto de certezas, pensar continue sendo um dos atos mais revolucionários.

  • S6 · E146
    May 25 · 21 min

    146 - A clínica para além da urgência

    Neste episódio de Psicanálise e Cultura, proponho uma reflexão sobre a ideia de que estar em análise não é apenas sobre sofrimento. A partir da psicanálise freudiana, falo sobre como a dor muitas vezes nos leva a buscar ajuda, mas também sobre como o processo analítico pode abrir espaço para o desejo, a alegria, a singularidade e novas formas de existir. Um episódio sobre escuta, acolhimento e tudo aquilo que pode surgir quando o sofrimento deixa de ocupar todo o cenário da vida psíquica.

  • S6 · E145
    May 18 · 16 min

    145 - A imperfeição é o que me interessa

    No episódio “O que me interessa é a imperfeição”, proponho uma reflexão sobre como a busca obsessiva pela perfeição tem produzido novas formas de sofrimento na contemporaneidade. Entre filtros, performances e ideais inalcançáveis, percebo que estamos nos afastando cada vez mais daquilo que nos torna singulares. A partir da psicanálise, trago uma provocação: e se fossem justamente nossas falhas, marcas, contradições e imperfeições aquilo que ainda preserva nossa humanidade? Uma conversa sobre subjetividade, cultura digital, desejo, imagem e o esgotamento de viver tentando parecer perfeito o tempo inteiro.

  • S6 · E144
    May 11 · 17 min

    144 - Humanos na vitrine: entre a imagem e o apagamento do sujeito

    Vivemos cada vez mais entre filtros, superfícies lisas e corpos editados como se fossem de plástico. Neste episódio, refletimos sobre o desejo contemporâneo de controle, a intolerância ao erro e a transformação da vida em vitrine. O que se perde quando o humano precisa parecer perfeito o tempo todo?

  • S6 · E143
    May 4 · 19 min

    143 - Os jovens da pandemia

    Neste episódio de Psicanálise e Cultura, mergulho nas marcas deixadas pela pandemia de COVID-19 na constituição psíquica de crianças e adolescentes. A partir de uma escuta psicanalítica, reflito sobre os bebês que tiveram seus primeiros vínculos restritos ao ambiente doméstico, os adolescentes privados do encontro e lançados às telas, e os cuidadores que precisaram sustentar tudo isso em meio ao próprio sofrimento. Entre perdas, adaptações e invenções, proponho uma leitura que evita simplificações e busca compreender como esse período reorganizou modos de sentir, de se relacionar e de existir. Mais do que analisar “os jovens da pandemia”, o episódio convida a uma pergunta direta: como cada um de nós atravessou esse tempo — e o que ainda estamos tentando elaborar? Um episódio para quem deseja pensar a clínica, a cultura e a responsabilidade ética de escutar o que ainda não encontrou palavra.

  • S6 · E142
    April 27 · 20 min

    142 - Empreendedorismo e sua relação com o sofrimento atual

    Neste episódio, parto de uma provocação que tem me atravessado: por que, em uma época que exalta tanto a liberdade, a autonomia e o protagonismo, a gente parece cada vez mais cansado, ansioso e culpado? A partir de uma leitura histórica do empreendedorismo — de função econômica a ideal de existência —, eu vou explorando como esse discurso foi sendo apropriado pelo capitalismo contemporâneo até se transformar em uma exigência subjetiva constante. Trago a psicanálise para a conversa para pensar como esse imperativo de desempenho, produtividade e sucesso reorganiza o nosso sofrimento, deslocando aquilo que é social para o campo do individual. No contexto brasileiro, aprofundo a relação entre empreendedorismo e economia informal, refletindo sobre como a precarização do trabalho e o enfraquecimento de garantias passam a ser vendidos como liberdade, produzindo uma autonomia que, muitas vezes, aprisiona ainda mais. Também me detenho em algo que tem me preocupado bastante: como essa lógica chega cada vez mais cedo. Crianças e adolescentes sendo atravessados por uma cultura de performance, monetização e exposição, onde experiências fundamentais vão sendo substituídas pelo valor de mercado. Ao longo do episódio, tensiono essa “política do eu” e seus efeitos na nossa capacidade de existir em coletivo, propondo uma escuta do sofrimento que não o reduza a falha individual, mas que o compreenda como parte de um modo de vida que nos atravessa. Um episódio para escutar com atenção — e, talvez, com algum incômodo.

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