
161 - A fábrica de sonhos vazios : psicanálise, classe e o fim da experiência criativa
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, mergulhamos numa pergunta que ecoa nos consultórios, nos estúdios e nas fábricas do século XXI: o que aconteceu com a nossa capacidade de criar? Partindo da experiência pessoal do apresentador no universo da publicidade e da criação, atravessamos a crítica à captura do termo "criatividade" pela lógica de mercado, o esvaziamento do seu sentido e a ironia perversa de um sistema que nos exige ser criativos sob pressão — e nos adoece com burnout e depressão exatamente por isso. Com referências a Byung-Chul Han e à psicanálise de Winnicott, discutimos a importância do ócio, do tédio e do silêncio como condições para a criação genuína, a clivagem de classe no acesso ao tempo criativo e a urgência de resistir à pasteurização do pensamento. A criatividade verdadeira, defendemos, não se vende em cursos de fim de semana — ela exige tempo, estudo, conhecimento crítico e, acima de tudo, a coragem de desacelerar. 🎧 Ouça e compartilhe.


















