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Prelo

Tiago Novaes

Prelo apresenta os recursos e reflexões para que escritores possam construir uma disciplina autoral, escrever o seu livro e publicar da melhor maneira possível. Se você nutre o desejo de escrever uma obra de ficção ou não-ficção: um romance, um livro de contos, uma peça de jornalismo literário, um ensaio, uma saga distópica, a narrativa de uma viagem, uma obra infantojuvenil ou um projeto autoficcional – ou se já publicou uma obra e gostaria de sanar as lacunas de sua formação –, você está no lugar certo. Prelo é um podcast quinzenal com o escritor e professor de criação literária Tiago Novaes, autor de uma variedade de livros, finalista dos maiores prêmios literários e vencedor de uma série de bolsas de criação. Combinando entrevistas com grandes escritores, editores e críticos, reflexões pessoais, leituras e experiências concretas na literatura, Prelo oferece os caminhos para que você possa vencer as bolhas do mercado editorial, compreender os segredos da Escrita Criativa e construir o seu projeto ficcional – da ideia original à publicação, da inspiração ao cotidiano de um escritor em tempo integral. Clique agora no botão de inscrição e assuma o seu desejo de tornar-se uma escritora ou escritor.

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  • 20 episodes
  • fortnightly
  • Avg 30 min
  • Portuguese
  • #146
    Today · 35 min

    Literatura e RPG

    #146 – Quem diria: o role-playing-game está voltando. Na verdade, ele nunca foi embora de todo. Na pandemia, enquanto alguns assistiam a lives de banquinho & violão, outros se distraíam com transmissões ao vivo de longas campanhas fantásticas, onde elfos, druidas, anões e paladinos partiam em missões super arriscadas, masmorras adentro. É um universo imenso, que envolve cartões, tabelas e tabuleiros, um álbum de lembranças nostálgicas dos anos oitenta e noventa cheias de anglicismos – The Legend of Zelda, Final Fantasy, Ravenloft, DarkSun, Dragonlance –, e inclui dados de vinte lados, miniaturas que foram de chumbo e hoje são impressos em resina. Os livros que se desdobram desses universos são verdadeiros catataus e costumam andar em série. Quem curte fantasia lê, e lê muito. Para muitos de nós, antes da grande literatura havia um outro mundo que nascia da infância e se expandia em universos fantásticos, míticos e utópicos. Mais real que a realidade, ele carregava as contradições desta. Mas não ligávamos para isso. Ela bebeu do faz-de-conta, da inocência, mas também do teatro, do desenho, da História e das mitologias. E hoje ele é uma diversão não apenas para meninos adolescentes, mas para gente de todo gênero e idade. No papo dessa semana, conto um pouco como o RPG – mais especificamente, exercer o papel de DM (Dungeon Master) me ajudou a começar a escrever, e em que medida o retorno da fantasia pode te ajudar a escrever os seus livros. Na segunda parte do episódio, a gente vai falar sobre um traço dos personagens e que é, ao mesmo tempo, um traço humano: a agressividade em sua relação com o conflito na trama. E vamos, para isso, fazer uma análise da trama de "O senhor das moscas", clássico de William Golding. Sem dar nenhum spoiler, prometo. ​ Faça parte da comunidade: https://escritacriativa.net.br/comunidade

  • #145
    August 27 · 21 min

    O futuro das histórias: videogames, audiotours e IA

    #145 – Há poucos dias, voltei de uma viagem a Dublin, na Irlanda, onde fui convidado para falar sobre o meu livro novo, ainda inédito. O International Dublin Writers Festival durou um fim de semana, e foi realizado na Trinity College, uma universidade fundada em 1592, por onde passaram autores como Bram Stoker, Sally Rooney, Samuel Beckett e James Joyce. Foi muito bacana falar em voz alta sobre o tema de um projeto que tem me ocupado há anos, e ainda por cima numa língua estrangeira. E foi igualmente interessante uma certa impressão de como os europeus e norte-americanos falam da literatura, discutem a publicação e perceber as diferenças e semelhanças conosco. Pensei em contar um pouco dessas diferenças para você. O tema do ciclo foi “O futuro das histórias”, e discutiu-se amplamente alguns dos meios alternativos de narrativa. Na cidade que celebra os livros clássicos em pubs, parques, museus e murais – participei de conversas sobre narrativas em video-games, audiotours ficcionais, podcasting e, claro, da infiltração da famigerada inteligência artificial no meio literário. Pude falar com alguns dos maiores agentes literários do Reino Unido e dos Estados Unidos, e sendo o único autor latino-americano do evento, dei uma de agente infiltrado, e quero contar para você o que ouvi.

  • #144
    July 23 · 28 min

    O jogo infinito da literatura

    Hoje eu quero conversar com você sobre o jogo infinito da literatura. Como a gente pensar grande na hora de escrever? E, inversamente, como podemos pensar pequeno no processo de escrita? Na segunda parte do episódio, falo sobre o que fazer quando terminamos de escrever um livro: ✅ Vamos conversar sobre a ansiedade da conclusão, e de como manejá-la. ✅ Das diferenças entre a primeira versão e a última do seu livro. ✅ De um recurso bastante simples para, uma vez concluído, voltar a enxergar o seu livro e lapidar-lhe sua forma final. ✅ Do movimento contínuo que relativiza princípios e fins.

  • #143
    July 9 · 21 min

    Do que é feito um bom romance?

    Você conhece a abertura do romance de Tolstói, Anna Kariênina? É um clássico: "Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Acho que com os romances é o contrário: romances ruins se parecem. Cada bom romance é bom à sua maneira. Existem, no entanto, quatro atributos que identifiquei ao longo de mais de quinze anos de leitura de originais, e que estão presentes em quase todos os bons livros. São os seguintes: Surpresa Beleza Falta/Fome Singularidade Se você quer saber no que consistem, e como aplicá-los a sua obra, você não pode perder esse episódio de Prelo. Por último, mas não menos importante, fica um convite especial: entre os dias 27 de julho e 2 de agosto, vamos promover a Semana do Romance – O Primeiro Capítulo, uma semana de encontros ao vivo comigo, onde vou te ensinar os pormenores da escrita do romance, para que consiga entender os fundamentos da vida autoral, da estruturação da obra e do trabalho de estilo e linguagem. Você irá encontrar disciplina para escrever e contornar facilmente qualquer tipo de bloqueio criativo que advenha no caminho. Clique agora no link para se inscrever: https://escritacriativa.net.br/lp/o-primeiro-capitulo-1/

  • #142
    June 11 · 32 min

    afinal, escrever paga as contas?

    #142 – Afinal: um escritor pode viver de sua escrita? E sob quais condições? Que fique claro: ninguém abraça a literatura para ficar rico. Se esta é a sua única intenção, recomendo que busque outros caminhos, menos incertos. Escrevemos porque amamos os livros, e é saudável para a sua escrita que continue assim. Se você me acompanha, sabe que raramente trato do tema dinheiro e vida artística, por mais importante que eu o considere. Em primeiro lugar, porque não sou e não quero ser mais um influencer que se vale das nossas angústias fiduciárias para alavancar-se, como a legião que há por aí no seu feed. Em segundo lugar, porque é muito fácil ser mal interpretado quando tratamos desse tema em complexidade – as pessoas facilmente encontram um modo de encaixar algo que dissemos em determinada caixinha interpretativa. Existem tantos preconceitos e melindres sobre dinheiro (e seus desdobramentos – merecimento, exclusão, comparações etc.), ele é tão carregado de distorções, que acabo concluindo que teria de escrever um ensaio mais longo apenas para começar a conversa. Só que também acho que não falar de dinheiro e vida artística acaba reiterando um certo pudor, um recato farisaico sobre o tema. Ainda que não considere a literatura uma carreira, mas um ofício (podemos vender livros, mas não a alma que os enseja; a insubordinação ao tempo da produção moderna é tremendamente necessária), tentar preservá-la na categoria de ofícios intocáveis no fundo nos distancia do que fazemos, e acho isso um erro e um problema. Também acho que não é porque amo o que faço que não possa receber por isso. Eu amava atender em consultório, quando trabalhava como psicólogo; por que não deveria ganhar dinheiro com isso? E por que não pode ser o mesmo com a escrita? Nem toda atividade direta ou indiretamente remunerável é alienada (todo um capítulo sobre isso...). Mais: conheço muita gente que, assim como eu, vive de atividades ligadas à escrita. Uns vivem melhor do que outros. Ou seja: é possível. Existem caminhos, mais do que há vinte ou trinta anos. E se é verdade que quem tenta te convencer de que sabe como vender 500.000 exemplares de seu romance é um charlatão (ainda que esta pessoa tenha ela própria vendido essa quantidade), também sei que, com um bom livro e algum conhecimento, não é tão difícil vender 1.000 exemplares de seu livro na pré-venda (ou seja, antes do lançamento). Em outras palavras: há um conhecimento (como em qualquer ofício), e vale a pena adquiri-lo. Esse é o tema do nosso vídeo da semana e do novo episódio de Prelo. Na segunda parte do Prelo, falamos sobre o livro Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga.

  • #140
    May 14 · 31 min

    Como estar presente

    #140 – Se existe uma coisa em comum entre bons livros, esta coisa é a atenção aos detalhes. Os detalhes da frase. A escolha das palavras. A singularidade das analogias. As metáforas, a coesão da obra como um todo, fruto do trabalho, da carpintaria reflexiva. Os sinais inevitáveis de que o autor fez do livro uma casa, e deixou ali marcas de convívio e de experiências. O tempo da escrita pode ser visto, também, como uma viagem a uma terra estrangeira. Se você passa três dias de um feriado em uma cidade, terá um conjunto de impressões muito semelhantes à maioria das pessoas. Seu ponto de contato com o leitor terá como base a identificação pelo lugar comum, pela generalização apressada. Agora, se você se lança, se entrega, convive com o frio do território desconhecido pelo tempo que achar suficiente, se procura entendê-lo, contemplá-lo, se experimenta ali distintas abordagens, a sua prosa – seja de ficção, seja de não ficção, se tornará infinitamente mais rica. Como fazer isso? No novo episódio do Prelo, trato da atenção aos detalhes, da importância essencial da presença no ato de escrever.

  • #139
    April 30 · 25 min

    O Caos Criativo

    #139 – Muitas vezes, a nossa miséria nasce de não podermos corresponder a ideais muito elevados que estipulamos para nós mesmos. Do que a vida deveria ser, de como os outros precisam se portar, de uma aura impossível que o nosso ofício dos sonhos precisa carregar. Nesses últimos tempos, tenho trabalhado ativamente em um livro, que – espero – deve ficar pronto no início do segundo semestre. O momento de costura da escrita é o de um sentimento oceânico. Sinto muito prazer em dialogar internamente com as experiências e leituras de que trato no livro. A escrita é uma terapia, para mim, uma meditação. E por isso mesmo, nesse momento, tenho me permitido prescindir tanto de meditação quanto de terapia. Mas as condições da escrita não poderiam ser menos ideais. O percurso tampouco é o de uma linha reta. Não seria a primeira vez que descobrimos que o caos pode ser produtivo, e que algumas restrições podem oferecer um ótimo enquadre para a criação. Toda história guarda uma segunda – a de como a primeira foi contada. O making off. A produção. O processo. A cozinha da escrita. No novo episódio de Prelo, procuro desconstruir os ideais que podem estar no caminho de um encontro feliz com o próprio projeto literário.

  • #138
    April 15 · 21 min

    Como estruturar o seu livro

    Clique aqui para preencher o formulário e se candidatar a uma conversa sobre a Mentoria Ciclos: https://form.typeform.com/to/xynEAKmm #138 – Pouca coisa no trabalho da escrita é mais mal compreendida do que a estruturação de um livro. Muita gente confunde estrutura com supressão de liberdade criativa. Toda arte tem o seu enquadre. Teatro, dança, pintura. A escrita não é diferente. Mesmo que um ator deseje levar o seu teatro para as ruas, dificilmente irá considerar o palco um constrangimento a sua arte. A estrutura de um livro é o palco do escritor. É a sua tela em branco. É como a cidade para o arquiteto. Muita gente se perde na escrita do próprio livro porque desperta todo dia sem saber o que vai escrever. O livro vai para qualquer lado e perde a forma quando não sabemos distinguir a flauta do capricho da música do destino. E é a estrutura preliminar que irá apontar o caminho. Se você… 🛎️ Tem dificuldade para estruturar o seu livro; 🛎️ Costuma se perder na hora de escrever; 🛎️ Retoma o projeto indefinidamente; 🛎️ Sente que não sabe como desenvolver um projeto autoral; ... recomendo que assista a este novo episódio de Prelo.

  • #136
    March 19 · 28 min

    O que fazer com os clássicos?

    #136 – Você não leu Guimarães Rosa nem Proust. Perdeu a aula de Homero. Não ouviu falar em Tucídides. Talvez tenha lido é um ensaio de Schopenhauer afirmando que o escritor, se é de verdade, mesmo, precisa ser afiado em latim. Os livros pendem sobre a sua cabeça. Os clássicos. Obras vultuosas, de autores categóricos, peremptórios, aparentemente tão certos de si. Agora um tanto calcificados pela poeira que acumulam. Eis que chega a vida adulta, e as lembranças desencontradas dessa memória de leituras sem método (Drummond se repreendia por ter lido sem método; mas que método, Carlos?). E você quer escrever. Palmilhar a vereda das palavras. Voltar a cantar a língua materna. Dar nome a experiências anônimas. Mas avança em marcha insegura; carregado, com medo da picada de aranha, de cobra, do erro, do clichê, do "não saber que não sabe". A pergunta: se quero escrever, devo ler os clássicos? Quais? De que maneira? Esse constrangimento diante da literatura será infundado? Que a leitura é a base da escrita, já sabemos. Mas de que modo? Como ler os clássicos? O que fazer com eles? Esse é o tema do novo episódio do Prelo.

  • #135
    March 5 · 29 min

    Como Transformar uma Tese em um Livro – Os Três Maiores Equívocos

    #135 – Como transformar um projeto que está guardado na gaveta — uma tese, uma dissertação, um ensaio acadêmico ou mesmo anos de prática profissional — em um livro capaz de alcançar leitores fora da universidade? O que precisa mudar quando um texto deixa de falar apenas para especialistas e passa a dialogar com o público amplo? E por que tantos autores altamente qualificados tropeçam justamente nesse momento de transição — quando tentam transformar conhecimento sólido em um livro vivo, curioso, capaz de ampliar horizontes e despertar perguntas no leitor? Neste episódio, vamos falar sobre os equívocos mais comuns que aparecem nesse processo: erros de forma, de estrutura, de tom. Erros derivados de anos de escrita acadêmica. Se você quer se libertar de uma linguagem acadêmica, do formato impessoal e reiterativo da validação institucional, e quer entender a lógica das publicações de não ficção – biografias, ensaios, divulgação científica – não perca esse papo. :)

  • #134
    January 29 · 18 min

    Como a I.A. pode contribuir para a produção literária?

    Neste episódio de Prelo, vamos falar sobre os princípios da I.A. Muita coisa mudou nesse últimos anos e ela tem parecido, cada vez mais, uma ferramenta incontornável. Você abre o seu e-mail, o seu processador de texto e você se depara com a mensagem: "Você não quer que eu escreva para você?" ou "Você não quer que esse recurso seja ativado?". Parece que, da troca de mensagens à escrita de e-mails e elaboração de redações e trabalhos, a inteligência artificial tem sido insidiosamente presente. Em que medida isso é positivo? Em que medida isso não é nada positivo e um elemento muito deletério para a produção textual? Eu passei os últimos seis meses usando a inteligência artificial para gravar esse episódio e te mostrar como esse recurso pode te ajudar a escrever o seu livro.

  • #133
    January 15 · 1 hr 4 min

    A Psicologia da Criação

    Neste episódio de Prelo, você vai aprender a entender e superar bloqueios criativos e resistências internas. Estes medos enraizados: o que são? Do que se alimentam? Como aprender a ignorá-los? Como NÃO revisar os seus originais com as lentes da autodepreciação? Na primeira aula desta semana, conversamos sobre o trabalho criativo e o percurso autoral. Afinal, um romance é um meio de denunciar, de mergulhar num mundo próprio, de fomentar a própria voz e estimular a riqueza da linguagem. Para forjar um livro é preciso acreditar que ele vai existir um dia. É preciso confiar neste poder de materialização do que ainda não tem forma. Os livros, afinal, nascem de algo tão impalpável quanto um anseio. De um lugar impreciso, vago, do que os psicanalistas chamam de "umbigo do sonho". Houve uma vez em que Ulisses não existia. Ou Crime e Castigo. Hoje, não concebemos o mundo sem eles, e nem imaginamos que algum dia eram apenas anotações num caderno, um modo de sobrevivência. Estas escritoras, estes escritores tiveram a generosidade de perceber que as ideias não bastam (a biblioteca dos livros inexistentes está cheia de boas ideias assim como o inferno está repleto de boas intenções). E mais: entendendo a psicologia da criação e as necessidades que a leitura de um livro satisfaz, você aprenderá recursos para construir uma obra irresistível e como capturar a atenção dos seus leitores. Já te aconteceu de não conseguir largar um filme ou um livro, mesmo que não esteja gostando tanto dele? Nesta conversa, vamos superar a dicotomia existente entre improvisar o livro ou estruturá-lo. O que significa estruturar um romance, e qual é o espaço que deve ser deixado para o acidente feliz da criação. E HOJE, quinta-feira, 15 de janeiro, temos a terceira aula da Semana do Romance! Não perca!

  • #132
    January 1 · 26 min

    Projeto: Um Romance em 2026

    #132 – No novo episódio de Prelo, tenho um exercício para você. É a primeira aula para a escrita do seu romance em 2026. São 12 perguntas reflexivas que você deve se fazer para se preparar para escrever o seu melhor livro no ano que começa. É um tempo para sonhar. Se você escrevesse ou seu livro, o seu romance, nos próximos meses, como será que a vida seria para você? Como você imagina este cenário? Quão motivada, quão motivado você está para aprontar isso? O que isso faria para a sua vida? O que está no caminho? Qual é o obstáculo?

  • #131
    Dec 18, 2025 · 18 min

    Melhores Leituras de 2025

    #131 – Já reparou que o tempo se dilata quando lemos? Por aqui, 2025 teve cinquenta meses, e resolvi dividir com você algumas das leituras mais intensas e absorventes que fiz desde o remoto mês de janeiro. Indico as melhores porque sei que, para escrever bem, precisamos da companhia de bons livros. E para seguirmos motivados, nada como leituras que orientem caminhos. Foram histórias em quadrinhos, ensaios, romances. Clássicos e contemporâneos. Não me pautei muito em categorias, nacionalidades prévias. Eu me servi do que gostava. Segui o apetite. Se quiser, preparei aqui uma pequena aula onde me debruço sobre algumas dessas leituras. E você? Quais foram as suas melhores leituras de 2025?

  • #130
    Dec 4, 2025 · 20 min

    As Etapas da Publicação de um Livro

    #130 – Publicar não é uma ciência exata. Mas suas variáveis são mais ou menos previsíveis. Cada livro que escrevi cumpriu um caminho distinto no mundo das editoras, percorreu algumas etapas específicas. Publicar por uma casa editorial pequena não é o mesmo que lançar o seu livro por uma editora grande, ou ter a sua obra divulgada pelo Sesc ou pela Funarte. Nesses mais de 20 anos publicando, percorri diversos caminhos. E posso dizer que, apesar das especificidades, existem algumas etapas necessárias – e outras altamente recomendadas – pelas quais você deverá passar. Antecipar essas etapas e saber o que esperar pode te ajudar muito na hora de fazer boas escolhas e garantir que seu livro seja bem conduzido e bem editado. No novíssimo episódio de Prelo, conto para você as etapas da publicação.

  • #129
    Nov 21, 2025 · 1 hr 24 min

    Biomas Afetivos: Leituras de Clarice Lispector, Carolina Maria de Jesus e Augusto de Campos – uma conversa com Reynaldo Damazio

    #129 – “É com uma alegria tão profunda. É uma tal aleluia. Aleluia, grito eu, aleluia que se funde com o mais escuro uivo humano da dor da separação mas é grito de felicidade diabólica. Porque ninguém me prende mais. Continuo com capacidade de raciocínio – já estudei matemática que é a loucura do raciocínio – mas agora quero o plasma – quero me alimentar diretamente da placenta. Tenho um pouco de medo: medo ainda de me entregar pois o próximo instante é o desconhecido. O próximo instante é feito por mim? Ou se faz sozinho? Fazemo-lo juntos com a respiração. E com uma desenvoltura de toureiro na arena.” Essa é a abertura de Água Viva, da Clarice Lispector, um dos poucos livros da autora que felizmente ainda não li. Ia copiar só um trechinho, mas deu vontade de percorrer o parágrafo todo. Imagine o que foi ler algo assim na adolescência, o abalo tectônico que representou na formação da personalidade, ainda uma argila úmida. Clarice, toda grande literatura formalmente disruptiva, abre em nós uma fissura no tecido discursivo, na viscosidade dos lugares comuns, nos discursos motivacionais e técnicos, na arenga ameaçadora das escolas, no sussurro neurótico das novelas domésticas, no esforço sempre vão dos adultos de domesticar a perturbação selvagem daqueles anos perigosos. Foi o meu caso, quando li “Amor”, quando li “Perto do Coração Selvagem”, que Clarice escreveu quando tinha apenas 17 anos. E foi também o que aconteceu com o meu amigo Reynaldo Damazio. A palavra nunca mais seria a mesma. O Reynaldo – poeta, editor, jornalista, coordenador de literatura na Casa das Rosas, em São Paulo, e colaborador das formações do nosso canal, Escrita Criativa – foi iniciado por Clarice Lispector. E por Carolina Maria de Jesus. E por Augusto de Campos. E desde então uma verdade profunda sobre a poesia acompanhou a sua vida e a sua própria escrita. O Reynaldo é também uma das minhas amizades mais antigas na literatura. É o grande amigo na viagem a Alto Paraíso que retratei em “Divã: jangada”, terceiro ensaio de “Baleias no Deserto”. É dele o ensaio no fim de "Documentário", que a Funarte publicou. São vinte anos de prosa, leituras e colaborações. E nesta semana, quero convidar você a sentar-se comigo e com o Rey em um papo sobre como os anos inaugurais da adolescência ajudaram a compor o sujeito que lê e que escreve. Reynaldo Damazio nasceu em São Paulo. Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais pela USP, com especialização em publicidade e gestão cultural; é editor, crítico literário, tradutor, curador de eventos literários, mediador de oficinas de criação e supervisor de conteúdo e formação nos museus Casa das Rosas, Mário de Andrade e Guilherme de Almeida. Autor de O que é criança (Editora Brasiliense), Nu entre nuvens (Ciência do Acidente), Horas perplexas (Editora 34), Trilhas, notas & outras tramas (Dobradura Editorial), Crítica de trincheira: resenhas (Giostri Editora) e Movimentos portáteis (Kotter Editorial), entre outros. Criou em 2012 o programa formativo Clipe (Curso Livre de Preparação de Escritores), na Casa das Rosas, que coordena até hoje, e foi co-curador das exposições “Um corpo estanho: Centenário de publicação de A metamorfose”, em 2015, “As ideias concretas: Poesia 60 anos adiante”, em 2016, e “Barroco em trânsito”, em 2017, todas na Casa das Rosas.

  • #128
    Nov 6, 2025 · 34 min

    O que tem funcionado no mundo da publicação?

    #128 – Muita coisa mudou no mundo editorial nos últimos vinte anos. Por conta de um certo saudosismo ou de uma certa romantização, temos dificuldades em enxergar isso. Práticas de divulgação, debate e publicação praticamente se extinguiram. O papel do jornal e da livraria diminuiu, as editoras se multiplicaram. Aquilo que funcionava há vinte anos não funciona mais. Ao mesmo tempo, muitas possibilidades surgiram no universo da publicação, incluindo aí a autopublicação, o financiamento coletivo, o print-on-demand, a criação de uma plataforma autoral. Autor e leitor têm a chance de manter um diálogo regular que, há vinte anos, seria impensável. Se é verdade que os nossos esforços devem se concentrar na própria obra — na criação, na prática regular da escrita — tampouco podemos ignorar o mundo em que estaremos lançando esse livro e os meios pelos quais isso é feito. É esse o tema do novo episódio de Prelo: o que tem funcionado no mundo da publicação. Vamos conversar sobre: √ Os recursos e possibilidades da publicação tradicional e da autopublicação, e por onde devo seguir com o meu próximo livro; √ Por que a autoria — estilo, subjetividade, histórias particulares — será cada vez mais valorizada no mundo da IA; √ Os recursos que utilizei em Baleias no Deserto para vender centenas de exemplares na pré-venda; √ Como as nossas primeiras leituras pautaram o nosso caminho na literatura e no modo como enxergamos a escrita hoje. Um excelente episódio!

  • #127
    Oct 23, 2025 · 20 min

    O escritor fora: crônica da mudança e lembrança de Roberto Bolaño

    #127 – Eles estão por fora. Não participam. Fazem questão de não saber. Estão envolvidos com suas próprias coisas. Absorvidos por sua militância particular. São indiferentes à polêmica mais circunstancial, ao sobe e desce dos palanques, dos congressos do ofício. “Você viu?” “Soube do que disse ele, do que disse ela?” Não, não sabem. Você vai ter de contar. As colunas do jornal? O lançamento blockbuster, aquele debate em que todo mundo irá se envolver por vinte e cinco dias corridos? Ele ouviu falar qualquer coisa, sim. Você lhe conta, ele opina. Segue, e é isso. E esquece do assunto, assim como você se esquece dele. Uns constroem devagar sua biblioteca. Veem os pais envelhecer. Participam dos aniversários. E há esses outros, dos quais temos poucas notícias. Foi sua escolha, afinal. Ele partiu. Pode voltar uma, outra, uma infinidade de vezes. Mas nosso amigo, nossa amiga, parecem não se contentar com a novela cotidiana dos conhecidos e familiaridades. É uma escolha difícil: afinal, a trama social é o que nos sustenta. É o outro que nos oferece os parâmetros. O espaço-tempo, são os outros que ancoram. Eles talvez vivam em um tempo sem tempo, em um lugar sem lugar. Quem sabe? De quem estamos falando? Ora. É do fotógrafo que passa as noites fumando, resmungando em mandarim, jogando mahjong e tirando fotos dos becos escuros de Xangai. É a bióloga que investiga o comportamento dos fungos que nascem depois dos incêndios em Oaxaca. É o músico do cruzeiro transatlântico, que aprende a viver sobre as águas, e que se sente só apenas quando volta para casa. Estamos falando das escritoras e dos escritores que não participam do meio. Que estão em outro lugar, fazendo um bolo e tomando um café em um sítio, cuidando da sua horta. Vão começar agora a leitura de um livro que descobriram em uma livraria de bairro e do qual quase ninguém ouviu falar. Estou falando de escrita, de viagem, de algo maior que a literatura.

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