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Artwork for Tempo ao Tempo

Tempo ao Tempo

Rui Tavares

Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da História, de passado, presente e futuro, e da mudança da memória no tempo. Aqui vamos percorrer a micro-história e a História global, a História europeia e a História nacional, sempre com o objetivo de atualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspetiva histórica os nossos dilemas do presente. Com o tempo, vão aparecer texturas e um padrão narrativo, que ajudará a fazer sentido do todo. Mas o todo será sempre multímodo, polifónico e eclético. De muitos caminhos. 

Todas as quintas-feiras um novo episódio escrito e narrado por Rui Tavares, com apoio à produção de Leonor Losa. 

A sonoplastia de Tempo ao Tempo é de João Luís Amorim e a capa é de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos. 

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  • 28 episodes
  • weekly
  • Avg 26 min
  • Portuguese
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  • S1 · E72
    Thursday · 22 min

    Inteligência Artificial na antiguidade? Quando os oráculos eram os algoritmos do passado

    Memória, imaginação e coragem são os três desejos que guiam Rui Tavares numa viagem em busca de instrumentos para pensar o presente e enfrentar o futuro. Este episódio assinala o início de um novo projeto de escrita, um livro em construção que cruza mitologia, história, religião e tecnologia para refletir sobre os desafios colocados pela inteligência artificial. Partindo de um mosaico da Antiguidade e das histórias de oráculos, génios, lares, musas e outras entidades que habitavam o imaginário greco-romano, o episódio recupera a longa experiência da humanidade na relação com inteligências consideradas diferentes da sua. Durante milénios, os seres humanos acreditaram viver rodeados por vozes, espíritos e vontades não humanas, e aprenderam a interpretar, temer ou negociar com elas. A inteligência artificial é realmente uma novidade? Rui Tavares propõe uma perspetiva inesperada: para compreender as inteligências não humanas que hoje emergem à nossa volta, talvez seja útil olhar para um passado em que elas já pareciam estar por toda a parte. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E71
    September 24 · 37 min

    Quem foram os professores que inspiraram a carreira de Rui Tavares? Uma história sobre o caminho académico do historiador

    Neste episódio, Rui Tavares recupera o seu passado de aluno e recorda aqueles professores que marcaram a trajetória da sua formação como historiador, desde a escola primária à universidade, passando pelos anos de formação em França. São histórias de vocação, aprendizagem, amizade e gratidão, contadas num registo pessoal e próximo, como uma conversa entre antigos colegas de escola. No centro destas memórias está António Manuel Hespanha, professor admirado por várias gerações e mestre de alunos que seguiram caminhos muito diferentes. Através das suas aulas, das suas ideias e do seu exemplo, o episódio reflete sobre aquilo que um grande professor pode deixar para lá dos programas, dos exames e das notas. Uma homenagem a todos os professores que continuam a acompanhar-nos muito depois da última aula. Porque, de certa forma, nunca deixamos totalmente de ser alunos daqueles que nos marcaram. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E70
    September 17 · 28 min

    Guerras Culturais: A invenção da imprensa ajudou à disseminação das ideias (e à censura) no século XVI

    No episódio anterior, Rui Tavares mostrou como as guerras culturais se ancoram no confronto entre identidades, valores e narrativas, e como a invenção da imprensa revolucionou a forma de contar, difundir e disputar ideias. Neste episódio, a história continua a partir das indulgências e da Reforma Protestante, um dos primeiros grandes exemplos de uma divisão cultural amplificada por uma revolução tecnológica. À medida que a imprensa acelerava a circulação de textos, imagens e polémicas, cresciam também a polarização, a censura e a propaganda. A ansiedade perante a sobrecarga informativa, que hoje associamos às redes sociais e ao mundo digital, acompanhou também os primeiros séculos da imprensa: nos séculos XVI, XVII e XVIII, muitos acreditavam que existia informação a mais, livros a mais, e que ninguém conseguia acompanhar tudo o que era publicado. Entre Lutero, Erasmo, a Bíblia Poliglota e os primeiros fenómenos de comunicação de massas, este episódio aprofunda a relação entre guerras culturais e tecnologia, mostrando como as revoluções da comunicação não mudam apenas a forma de transmitir ideias. Mudam também a forma como pensamos, escolhemos lados e imaginamos o mundo. Lista de obras musicais utilizadas neste episódio: Debussy - Petite Suite Menuet Vivaldi ‌- Gnossiene No.1 (Satie), Laurent Dury Lee John Gretton - Knowing Half the Future Giovanni Paolo Picchi - Canzon Quinta Georges Delerue - Gaillarde et air Steven Johh Carter - The Passing of Time Georges Delerue - Lamento See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E69
    September 10 · 25 min

    Entre Gutenberg e o Burkini: Onde crescem as guerras culturais?

    A cultura é um terreno de disputas constantes e as guerras culturais surgem quando valores, identidades e narrativas entram em conflito e despertam emoções intensas. Muitas vezes, não são os acontecimentos em si que dividem as pessoas, mas a forma como são contados, interpretados e partilhados. Da imprensa do século XV às redes sociais de hoje, as histórias continuam a moldar opiniões, criar pertenças e alimentar divisões. A partir da história da invenção da imprensa, Rui Tavares mostra como as ideias ganham vida própria quando passam de pessoa para pessoa, de livro para rumor, de facto para mito. E é precisamente essa viagem entre passado e presente que torna este episódio tão atual e relevante. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E68
    September 3 · 13 min

    Como surgiram os conceitos de esquerda e direita na política? Uma viagem até Versalhes e à revolução francesa

    Afinal, de onde vêm os termos esquerda e direita? A resposta é mais simples do que muitos imaginam. Nascidos durante a Revolução Francesa, esquerda e direita surgiram a partir de um detalhe quase corriqueiro: o lugar escolhido pelos deputados numa sala de debates. Mas aquilo que parecia ser apenas uma questão de lugares acabou por refletir diferenças profundas sobre o poder, os direitos e o futuro da sociedade. Neste episódio, viajamos até 1789 para descobrir como uma circunstância aparentemente banal deu origem a duas das palavras mais influentes da política moderna. Uma história surpreendente que mostra como pequenos acontecimentos podem deixar uma marca duradoura na forma como entendemos e discutimos a política ainda hoje. Lista de músicas usadas no episódio: Antonio Vianello - “I’ll Wait For You” Roman Andor - “Brilliant Mind” Mozart - “Sinfonia Concertante” Daniel Pemberton - “Civil Uprising Mozart - “Variations on ‘Ein Madchen oder Weibchen’” See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • August 6 · 42 min

    Os mais ouvidos de 2026: Beatriz Ângelo, a primeira mulher a conseguir votar em Portugal

    Recorde aqui um dos episódios mais ouvidos do podcast Tempo ao Tempo, onde Rui Tavares nos conta a história de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a poder votar em Portugal durante a Primeira República, aproveitando uma exceção que lhe conferiu o direito (e uma salva de palmas). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E67
    July 30 · 25 min

    A história das férias pagas e a conquista do direito a não contar o tempo

    No verão de 1936, França assistiu a uma transformação inédita. Com a aprovação de duas semanas de férias pagas pelo governo da Frente Popular, milhões de trabalhadores passaram a poder fazer algo até então reservado a uma minoria: descansar sem perder salário. Mas esta conquista social desencadeou uma guerra cultural. Além do entusiasmo por parte dos trabalhadores, a medida provocou também uma forte reação. Parte da imprensa conservadora e de extrema-direita ridicularizou os novos veraneantes, anunciou o declínio das praias e dos costumes, apresentando as férias pagas como uma ameaça à ordem social. Neste último episódio antes das férias de Tempo ao Tempo, Rui Tavares conta a história das férias, desde as pausas religiosas e o lazer aristocrático até ao nascimento do trabalho industrial, que separou claramente o tempo de trabalho do tempo de descanso. As férias pagas, que em Portugal só seriam instituídas depois do 25 de Abril, tornaram-se uma das grandes conquistas sociais do século XX: o direito de, por alguns dias, deixar de contar o tempo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E66
    July 23 · 20 min

    Quem inventou a semana? A história dos sete dias que moldam as nossas vidas e o trabalho

    Há uma evidência que raramente questionamos: a semana. Vivemos orientados por segundas-feiras, esperamos pela sexta e contamos os dias até ao fim de semana… A semana está tão entranhada na vida quotidiana que raramente se pensa nela. No entanto, ao contrário do dia, do mês ou do ano, não corresponde a nenhum fenómeno natural. É uma convenção humana que acabou por por se tornar o principal ritmo da vida moderna. Neste episódio, a atenção recai sobre essa estranha invenção de sete dias que organiza o trabalho, o descanso, a religião e a própria perceção do tempo. Porque razão a semana tem sete dias? De onde vêm os nomes dos dias? E porque é que, em português, a segunda, a terça, a quarta, a quinta e a sexta-feira são diferentes do Monday, do Tuesday ou do jeudi? Entre tradições religiosas, heranças da Antiguidade e transformações do mundo do trabalho, emerge uma ideia simples: poucas criações humanas tiveram tanto sucesso como a semana. Tão bem-sucedida, aliás, que quase já ninguém se recorda de que foi inventada. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E65
    July 16 · 19 min

    Como começa o tempo? A história do ano 1 do calendário Islâmico

    Partimos de Bassorá, cidade nas margens da antiga Mesopotâmia, para seguir a história da origem do calendário da Égira. O ponto de partida é quase burocrático: uma carta enviada para Medina sem indicação do ano. Mas dessa dificuldade administrativa nasce uma questão muito maior: como começar a contar o tempo de uma nova comunidade, de um novo império, de uma nova visão do mundo? Neste episódio, Rui Tavares percorre a história da criação do calendário islâmico e explica por que razão venceu a Hégira — a migração de Maomé de Meca para Medina — como marco inaugural da nova era. Pelo caminho cruzam-se religião, política, cronologia e memória, num exercício que recorda que os calendários não são neutros: são formas de organizar o passado e dar sentido à história. Porque, afinal, contar o tempo é também uma maneira de contar o mundo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E64
    July 9 · 23 min

    O CR7 do ano 147: Caio Apuleio Diocles, o atleta lusitano que terá ganho mais dinheiro e mais fama que Cristiano Ronaldo

    A notícia da possível despedida de Cristiano Ronaldo dos Campeonatos do Mundo leva-nos à singular história de Caio Apuleio Diocles, ou Lamecus, talvez o mais célebre e rico desportista da Antiguidade. Entre a história e a curiosidade, este episódio estabelece um paralelo fascinante entre duas figuras ligadas ao atual território português, separadas por quase dois mil anos. Identificado nas inscrições romanas como lusitanus e tradicionalmente associado a Lamego, Diocles participou em mais de quatro mil corridas de quadrigas, conquistou mais de mil e quatrocentas vitórias e acumulou uma fortuna que, em valores atuais, poderá corresponder a milhares de milhões de euros. Com base nas inscrições romanas que preservaram a sua memória, o episódio conduz-nos ao universo das corridas de quadrigas, o grande espetáculo de massas do Império Romano, onde a fama, o dinheiro e as rivalidades entre equipas mobilizavam multidões. Uma comparação inesperada entre dois campeões que marcaram o seu tempo, Ronaldo e Diocles, revela como o culto dos grandes atletas atravessa os séculos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E63
    July 2 · 38 min

    Marc Bloch e Simone Vidal: a história serve para quê, afinal?

    A recente panteonização do historiador francês Marc Bloch e da sua mulher, Simone Vidal, oitenta e dois anos após as suas mortes, serve de ponto de partida para uma profunda reflexão de Rui Tavares sobre a história e para que serve a história. Marc Bloch e Simone Vidal entraram, por proposta de Emmanuel Macron, no Panteão de Paris, onde são agora evocados através de cenotáfios que preservam a sua memória, uma vez que os seus restos mortais permanecem no local de origem. Figura nuclear da historiografia contemporânea, fundador da Escola dos Annales e da corrente da História das mentalidades; defensor de uma História entendida como ciência da humanidade e da mudança, Bloch distinguiu-se também pelo seu compromisso ético e político: recusou o exílio e integrou a Resistência francesa, acabando por ser preso e executado pela Gestapo em 1944. Da interrogação do seu filho quando menino “para que serve a História?” nasceu Apologia da História, obra interrompida pela violência da guerra. Mostrando-nos como a família se posicionou politicamente face à panteonização de Bloch e Vidal, Rui Tavares aproveita para refletir sobre o legado do historiador: a busca da verdade, a empatia pelo passado e a coragem perante a adversidade. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E62
    June 25 · 14 min

    O Queijo e os Vermes: o legado Carlo Ginzburg nos modos modernos de fazer e pensar a história

    Interromper a programação prevista para falar do historiador Carlo Ginzburg por ocasião da sua morte, não é um gesto circunstancial, mas uma exigência da própria prática da história. Neste episódio Rui Tavares traz-nos um pouco da biografia de Ginzburg, evoca como o seu pensamento moldou a forma como olhamos para o passado e, de certo modo, reconhece a sua própria filiação intelectual. Num século marcado por grandes sínteses e ambições de totalidade, a proposta de Carlo Ginzburg foi a de reduzir a escala. Não para diminuir a história, mas para a tornar mais densa. Na obra “O Queijo e os Vermes”, em vez de vastos panoramas de uma época, mostra-nos um moleiro; em vez de procurar no pormenor a confirmação da norma, endereça o atípico como forma de questionar as certezas acerca do passado; em vez de usar os documentos do passado como provas, trata o arquivo como um terreno vivo, quase ao modo antropológico. Interromper para falar de Ginzburg é, por isso, também lembrar que fazer história implica saber parar — e reconhecer quem nos ensinou a ver no ínfimo uma outra forma de grandeza. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E61
    June 18 · 35 min

    Magnífica Humanitas: o que a encíclica de Leão XIV nos diz sobre a IA e o futuro da humanidade

    Na encíclica Magnifica Humanitas, de maio de 2026, o Papa Leão XIV apresenta a inteligência artificial como uma questão existencial, comparável a outros grandes desafios da humanidade, e coloca-a perante um dilema: entre uma nova Babel — marcada pela perda de sentido humano — e a construção de uma comunidade assente na responsabilidade partilhada. A partir deste documento, Rui Tavares retoma a reflexão sobre a história do futuro, lendo-o nos sinais do presente, como faria um historiador. Na encíclica Leão XIV defende a cooperação, critica o nacionalismo e a ausência de regulação global, convocando referências de Santo Agostinho a Hannah Arendt e Tolkien. Mas o episódio detém-se também no que falta: a ausência de Pentecostes, num tempo em que a tecnologia começa a ultrapassar barreiras linguísticas. Entre história, tecnologia e ética, este episódio propõe escutar o presente como um arquivo vivo, procurando nele os sinais do futuro. Porque, bem vistas as coisas, e como William Gibson sublinha, “o futuro já está aqui, só não está bem distribuído”. Nota: Todas as músicas utilizadas neste episódio foram geradas por IA. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E60
    June 11 · 28 min

    O dia de Camões e a história do futuro

    O ponto de partida é o 10 de Junho: uma data que parece fixa, repetida, ano após ano, mas cuja própria história revela o contrário. Ao longo do tempo, este dia mudou de significado, de regime, de discurso, espelhando cada momento do país. Um exemplo de como aquilo que julgamos estável é, afinal, profundamente afectado pela mudança. A partir deste dia, Rui Tavares convida-nos a pensar a História como a disciplina que estuda a mudança no tempo, na definição de Marc Bloch, e a recuperar Camões como guia inesperado para refletir sobre ela. No seu verso — “não se muda já como soía” — esconde-se uma ideia poderosa: há momentos em que não são apenas as coisas que mudam… é a própria natureza da mudança que se transforma. E então, será possível, a partir dessas transformações, fazer uma “história do futuro”? Este episódio abre uma série de episódios que serão um convite a pensar a filosofia da história, a olhar o presente com mais atenção e a reconhecer os sinais de um tempo em que múltiplas mudanças, tecnológicas, sociais, climáticas: acontecem ao mesmo tempo e a um ritmo sem precedentes. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E59
    June 5 · 33 min

    Especial dia da Criança: A história de todas as histórias começa sempre com um menino, uma árvore e um bicho

    A propósito do Dia da Criança, celebrado esta semana, Rui Tavares parte de uma pergunta do seu filho, simples e, ao mesmo tempo, vertiginosa: “qual é a história de todas as histórias?” Neste episódio especial, regressamos à infância, às infâncias e percorremos milénios. Ao longo deste envolvente episódio, atravessamos diferentes histórias que parecem distantes no tempo e no espaço, mas que se unem por três elementos essenciais: uma criança, uma árvore e um bicho. Neles se condensam as experiências fundadoras da infância — o espanto, a descoberta, a relação com o mundo vivo. De Ulisses a Santo Agostinho, de Anne Frank às memórias pessoais, o episódio revela como essas imagens primeiras persistem e reaparecem, moldando a forma como lemos, lembramos e compreendemos o mundo. Uma poética reflexão sobre a continuidade da infância dentro de nós. Talvez todas as histórias comecem assim: com uma criança a olhar o mundo e a tentar, pela primeira vez, dar-lhe sentido. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E58
    May 28 · 42 min

    O outro 28 de maio: um agradecimento a Carolina Beatriz Ângelo

    Cumprem-se hoje 100 anos sobre o golpe de Estado que mergulhou Portugal na mais longa ditadura da Europa Ocidental. Este poderia ser um episódio sobre o 28 de maio de 1926, mas Rui Tavares rebela-se e leva-nos antes a um outro 28 de maio, o de 1911, data das primeiras eleições da República portuguesa e o dia em que, pela primeira vez, o direito de voto foi exercido por uma mulher em Portugal: Carolina Beatriz Ângelo. Médica, viúva, mãe, e pioneira, Carolina Beatriz desafiou o seu tempo e abriu caminho na luta pela igualdade entre homens e mulheres ao encontrar uma brecha na lei e reclamar o direito ao voto. Seguimos os seus passos nesse dia, numa assembleia de voto em Arroios, em Lisboa; revisitamos os acontecimentos que o antecederam; e percorremos o seu notável trajecto biográfico. Cruzamo-nos também com as mulheres que, com Carolina, fizeram emergir o feminismo em Portugal. Nos 15 anos que separam estes dois 28 de maio, joga-se mais do que uma mudança de regime. Joga-se a possibilidade de uma cidadania plena — que, por um instante, pareceu ao alcance das mãos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S1 · E57
    May 21 · 27 min

    A História de Thomas Chase, um sobrevivente do terramoto de 1755

    Entre o caos, o medo e a sobrevivência, este episódio transporta-nos para o coração do terramoto de 1755 em Lisboa através de um relato raro e intensamente humano de Thomas Chase, sobrevivente da catástrofe. Rui Tavares retoma o seu Pequeno Livro do Grande Terramoto e traz a história de um jovem estrangeiro preso num cenário apocalíptico. Das colinas que então eram campos abertos aos acampamentos improvisados cheios de refugiados, Chase leva-nos por uma cidade devastada, marcada por ruínas, fogo indomável, tremores e pânico coletivo. O relato cru de Thomas — ferido, perdido e rodeado por desconhecidos — abre uma janela única sobre o desespero, a solidariedade e o estranhamento entre comunidades num momento limite. Com base em cartas e testemunhos da época, esta descrição vívida lembra como, mesmo nas maiores catástrofes, persistem gestos de humanidade. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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