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Artwork for O Tal Podcast
Society & CultureRelationships

O Tal Podcast

Paula Cardoso e Georgina Angélica

Um espaço onde cabem todas as vidas, emocionalmente ligadas por experiências de provação e histórias de humanização. Para percorrer sem guião, com autoria de Georgina Angélica e Paula Cardoso.

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  • 23 episodes
  • weekly
  • Avg 59 min
  • Portuguese
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  • S6 · E18
    Thursday · 57 min

    Alexandre Teixeira: “Alguém que paga 6 mil euros a um traficante de pessoas para vir para a Europa, se tivesse um processo migratório regulado, não teria de passar por tantas dificuldades”

    Filho de angolanos que deixaram Luanda em 1975, para se fixarem em Lisboa, Alexandre Nuno Teixeira aprendeu cedo como os processos migratórios podem desestruturar a vida familiar. Atento e sensível aos desafios que surgem com a integração num novo país, o convidado desta semana d’ “O Tal Podcast” tem na área das migrações não apenas um território de especialização profissional, mas também de intervenção cívica. A chegada a Portugal confrontou a família Teixeira com uma realidade inesperada. “Vivíamos à beira da ribeira do Jamor durante a década de 70, 80, em que se jogava o lixo para a ribeira, nas traseiras”, conta Alexandre, explicando que as condições de vida adversas forçaram uma nova mudança. “O meu pai passou por um processo de integração muito complicado, que levou a que tivesse que emigrar. A primeira vez que veio a Portugal de férias eu nem o reconheci”, recorda o jurista que, nesta conversa, revisita a infância e a adolescência. Embora tenha nascido em Oeiras, é na margem Sul do Tejo que situa grande parte do seu património de memórias, marcado por convívios familiares ímpares, que vê como especialmente formativos da sua personalidade e identidade. Essas vivências acabaram por moldar decisivamente a forma como olha para o mundo: Alexandre construiu uma sensibilidade particular para as questões da integração e da inclusão, aprofundada no trabalho com migrantes e refugiados. Empenhado em criar pontes e encontrar vias de entendimento – sobretudo num tempo em que a desinformação tantas vezes aumenta distâncias e preconceitos – este especialista em migrações não mede esforços para aproximar pessoas e mundos. É assim que, em vez de alimentar o confronto, prefere dar a conhecer experiências positivas. “Às vezes convidam-me para ir a universidades falar sobre migrações. As pessoas estão à espera, muitas vezes, de um discurso reivindicativo. E eu opto por dar exemplos. Tenho centenas de exemplos de integração maravilhosos, de projetos lindos, de pessoas lindas e maravilhosas.” Nas histórias que encontra, à semelhança do que acontece na sua, há um lugar primordial ocupado pela família, hoje alargada às filhas. “A partir de certa altura, principalmente quando somos pais, chega um momento em que o nosso maior legado é deixar memórias.” Ouça aqui a conversa completa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E17
    August 20 · 1 hr

    Iolanda Évora: “Estamos cheios de verdades. Não haver esse ‘não sei, vou procurar saber’, acaba por nos consumir. Dá a impressão que tens que saber tudo, ter opinião sobre tudo”

    Doutorada em Psicologia Social, investigadora associada do CESA - Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento, e professora universitária, Iolanda Évora é a convidada deste episódio d’ O Tal Podcast. Nascida em Moçambique, viveu a independência do país, passou pelo Brasil recém-saído da ditadura militar e integrou um programa de reforma administrativa em Cabo Verde, país das suas raízes familiares. Nesta conversa, revisita esse percurso e explica como influenciou o seu olhar sobre a sociedade. As pessoas estão no centro da forma como Iolanda Évora pensa o mundo. Nesta conversa, a psicóloga social regressa várias vezes à importância das relações, da interação e do coletivo na construção da identidade. "Para você se identificar como um indivíduo, passa por esse reconhecimento coletivo", afirma. "A gente precisa ter mais consciência daquele ir e voltar. Ir e individualizar, mas individualizar coisas que partilhamos com os outros." A economia solidária também faz parte do seu percurso académico, a partir de uma tese de mestrado sobre cooperativismo, que a levou a estudar modelos de organização assentes na cooperação e na partilha, um interesse que mantém até hoje através da ligação ao Instituto Paul Singer, no Brasil. Ao longo do episódio, Iolanda Évora revisita ainda o debate sobre identidade, racismo e imigração, questionando a forma como essas discussões têm sido conduzidas. "Estão sempre a pedir-nos para descrever o que é ser negro, o que é ser imigrante", observa, defendendo que continua por conhecer o outro lado da discussão, referindo-se às conversas que acontecem entre quem ocupa posições historicamente dominantes, raramente presentes no espaço público. "Eu quero saber qual é essa conversa", reitera a investigadora, acrescentando: "Sei que há famílias [brancas] que vivem um grande desconforto quando se encontram, precisamente porque não concordam entre si. Não sei qual é a conversa que acontece ali." A investigadora partilha ainda a sua frustração com a pressão por resultados rápidos na academia, e defende uma investigação capaz de acompanhar a complexidade dos fenómenos sociais. Explica por que privilegia metodologias qualitativas, que permitem compreender a dinâmica dos processos para lá de um simples retrato da realidade. "A pesquisa quantitativa dá-te uma fotografia daquele momento. Mas, se tu queres entender como é que o processo funciona, dificilmente consegues isso com métodos quantitativos." A reflexão passa igualmente pela importância de se recuperar a humildade intelectual. "Estamos cheios de verdades", observa, perante um espaço público e académico onde considera existir demasiada pressa para chegar a conclusões. Ouça aqui a conversa completa, com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E16
    August 13 · 58 min

    Miguel Sambé:  “Desacelerar não é importante apenas para o planeta; é também importante para nós, enquanto seres humanos. É por isso que gosto tanto desta frase: 'Sou ser humano, mas não sei ser humano'”

    Especialista em análise geoespacial e ciência climática, videógrafo e fotógrafo, Miguel de Andrade Sambé é o único português na Agência Espacial da Tailândia, onde desenvolve projetos ligados às alterações climáticas através de imagens de satélite. Nesta conversa para “O Tal Podcast”, este filho de pai guineense e mãe angolana, nascido e criado em Portugal, fala sobre a “triangulação de identidades” que marca profundamente a forma como olha para o mundo. Quando aos 28 anos viajou pela primeira vez para a Guiné-Bissau, Miguel somava já mais de 20 países na sua rota de voos. Mas foi esse destino, de encontro com a terra natal do pai, que marcou um antes e depois.“Em África aprendi a não olhar, mas sim a observar”, conta o geoengenheiro que, a par das viagens, tem na geografia uma grande paixão. Desde a infância estimulado pelos pais a aprender, foi com eles que o também videógrafo despertou a curiosidade pelo mundo e pelo conhecimento. Mais tarde, dividido entre o atletismo de alta competição no Sporting e a ciência, acabou por seguir uma carreira internacional na área da engenharia geográfica, desenvolvendo a fotografia e a videografia como linguagens complementares ao trabalho científico. “A ciência dá-me a confirmação matemática; a fotografia e o vídeo dão-me a confirmação e a conexão espiritual com a Terra.” Ao longo da conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Miguel reflete sobre a importância de valorizar o conhecimento local, defendendo que pescadores, agricultores e comunidades tradicionais possuem saberes essenciais para compreender fenómenos ambientais e enfrentar as alterações climáticas. Para o investigador, a ciência deve aprender a escutar essas vozes. “O conhecimento científico é apenas um acessório. A base, essa, é o conhecimento local.” Outro dos grandes temas abordados neste episódio é a necessidade de a humanidade abrandar. “Desacelerar não é importante apenas para o planeta; é também importante para nós, enquanto seres humanos. É por isso que gosto tanto desta frase: 'Sou ser humano, mas não sei ser humano.'” Miguel de Andrade Sambé aborda também o racismo que enfrentou durante a infância, a educação exigente que recebeu dos pais e a forma como essas experiências moldaram a sua identidade. Partilha ainda a visão de um cientista que acredita que o futuro passa por aproximar o conhecimento académico dos saberes locais, e por reaprender a observar a natureza. Ouça aqui a conversa completa com Georgina Angélica e Paula Cardoso See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E15
    August 6 · 57 min

    Virgílio Varela: "Precisamos de resgatar o que hoje estou a chamar de soberania da imaginação. Quando não a temos, somos facilmente enganados, colonizados"

    Fundador da Human Fleet, facilitador internacional, contador de histórias e cultivador de possibilidades, Virgílio Varela é o convidado desta semana d’ “O Tal Podcast”. Enquanto percorremos a sua trajetória de vida, na qual tem procurado criar espaços de transformação humana e coletiva, conversamos sobre o que identifica como uma “crise de imaginação”, desafiando-nos a recuperar a capacidade de sonhar e projetar outros futuros. Cresceu no já demolido bairro de Santa Filomena, na Amadora, onde encontrou na comunidade o primeiro espaço de aprendizagem e pertença. Foi aí que percebeu que ninguém cresce sozinho. “Estou sobre os ombros de gigantes. Foram essas pessoas que me permitiram chegar a estes lugares. Eu nunca entro num lugar sozinho. Entro com todas elas.” Uma visão coletiva que continua a orientar a forma como olha para as pessoas e o trabalho que desenvolve. Começou por dar expressão a essa leitura do mundo na música, integrado na primeira geração do hip-hop português, tendo participado na compilação “Rapública”, a primeira do género editada no país e, por isso, reconhecidamente um marco. De volta a esses tempos, o convidado desta semana d’ “O Tal Podcast” recorda um movimento que abriu caminho para os talentos que se seguiram, e para quem a música era também um exercício de descoberta. “Sem dúvida que os livros que lemos e as referências que tivemos nos moldaram. Mesmo na música, éramos muito diggers. O digging é ouvires um tema e quereres saber quem o produziu, de onde vem aquele sample, quem é o autor.” Antes ainda dessas ‘escavações’ musicais, Virgílio conta que a leitura precoce do livro “The Silva Method” despertou-lhe a curiosidade por tudo aquilo que não se vê. Tinha apenas sete anos, e foi aí que começou a explorar a imaginação, os sonhos e o invisível, caminho que continua a influenciar a forma como vive, escreve e trabalha. “Quando somos crianças, vivemos muito naquilo que tocamos. ‘The Silva Method’ trouxe-me a consciência de que há coisas que não vemos, mas têm vida, têm força.” Para Virgílio, recuperar a imaginação é vital no mundo em que vivemos: “Precisamos de resgatar o que hoje estou a chamar de soberania da imaginação. Quando não a temos, somos facilmente enganados, colonizados.” Convicto de que “navegar num mundo como o de hoje” exige “ser capaz de sair da ilha, vê-la de fora e regressar com novos recursos e ferramentas”, o facilitador defende que “vivemos uma enorme crise de imaginação.” Nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Virgílio Varela aborda igualmente o conceito de Ubuntu, a escrita como um exercício de sobrevivência, a cerimónia de cura que viveu durante uma travessia do Atlântico e as aprendizagens que recolheu junto de comunidades quilombolas e indígenas no Brasil. Reflete ainda sobre a necessidade de descolonizar a imaginação e reconhecer que existem outras formas de conhecimento, tão válidas quanto aquelas a que o pensamento ocidental nos habituou. Ouça aqui a conversa completa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E14
    July 30 · 50 min

    Gil Semedo: “Além da música, quero inspirar com a escrita. Acredito que Deus me fez um mensageiro para passar aquelas mensagens e inspirações para a multidão, e para mim”

    Popularizado como “Rei do Pop de Cabo Verde”, Gil Semedo conta, neste episódio d’ “O Tal Podcast”, como a sua carreira foi influenciada por Michael Jackson. Desde os 16 anos na música, já lá vão 35, o autor do hit “Maria Julia”, apresenta, a 11 de setembro, no Coliseu dos Recreios, o espetáculo “Caboswing - Novo e Velho Tour”. Uma oportunidade para revisitar alguns capítulos da sua história, incluindo a queda de um oitavo andar. “Continuar em cima do palco, a cantar, é mesmo um milagre, porque Deus disse: Ainda não é o teu tempo". Nascido em 1974, na ilha de Santiago, Gil Semedo emigrou para a Holanda aos seis anos. Inspirado pelos ritmos tradicionais cabo-verdianos – como o batuku, o funaná e a coladera – cruzou essas sonoridades com as influências musicais que encontrou fora do seu país de origem, dando vida a um novo género: o Caboswing. O sucesso das suas músicas ficou implantado nas memórias afetivas de muitos cabo-verdianos, e não só, fazendo parte da banda sonora de festas e celebrações até aos dias de hoje. Entre os seus maiores êxitos destaca-se "Maria Julia", tema que atravessa gerações e continua a encher pistas de dança sempre que toca, consolidando Gil Semedo como um dos artistas cabo-verdianos mais populares de sempre. Ao “O Tal Podcast”, o cantor, que hoje conta com 51 anos, recorda a influência que Michael Jackson teve no seu percurso: “Fui para a Holanda com seis anos e um ano depois, o Michael lançou o álbum “Thriller”. Teve tanto impacto e sucesso que eu apaixonei-me totalmente e disse: ‘Quero fazer isso, subir em cima do palco, alegrar os corações da multidão.” Com 35 anos de carreira e um concerto marcado para o Coliseu dos Recreios, no próximo dia 11 de setembro, Gil Semedo falou também sobre o seu mais recente álbum, “Caboswing: O Novo Capítulo”, lançado no final de maio. O novo trabalho inclui um momento especial: o primeiro dueto da sua carreira, gravado com a filha de 16 anos, Melodia. “A minha filha é a minha melhor composição. Uma composição viva”, afirma. Durante a conversa, o cantor revelou também detalhes sobre o grave acidente que quase lhe tirou a vida, quando caiu do oitavo andar de um hotel, no Senegal, permanecendo três meses em coma. “Eu continuar em cima do palco, a cantar, é mesmo um milagre, porque Deus disse: Ainda não é o teu tempo". Este episódio marcante, bem como a sua história familiar e o percurso de vida, estarão retratados na autobiografia que tem lançamento previsto para o final deste ano. Ouça aqui a conversa completa, com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E13
    July 23 · 1 hr 3 min

    Felso Ganhane: “Trabalhei com migrantes e refugiados. Foram 40 e tal nacionalidades em cerca de quase quatro anos. Despi-me de muitos estereótipos e preconceitos”

    Natural de Maputo, capital de Moçambique, Felso Ganhane sonhava, desde criança, construir edifícios. Foi esse objectivo que o levou a estudar no Instituto Industrial 1º de Maio, ainda na terra natal, e mais tarde a mudar-se para Castelo Branco, onde tirou o curso de Engenharia Civil. A experiência aproximou-o do associativismo, território de descoberta de uma nova vocação, partilhada neste episódio d’ “O Tal Podcast”, entre reflexões sobre os desafios da migração. O envolvimento em projetos comunitários despertou em Felso o interesse por causas sociais e políticas públicas, levando-o a prosseguir estudos em Ciência Política e Relações Internacionais. Foi no contexto associativo que começou a trabalhar com migrantes e refugiados de mais de 40 nacionalidades, vivência que o levou a questionar estereótipos e preconceitos e o instigou a construir pontes entre diferentes comunidades. “Não há nada maior do que a satisfação de olhares para o teu entorno e perceberes: ‘Consegui impactar imensa gente.’” Em 2020, a participação na Academia Ubuntu revelou-lhe a filosofia do “eu sou porque tu és”, que descreve como transformadora, enquanto via a consolidação da ideia de uma vida orientada pelo serviço aos outros e pela construção de pontes. O percurso acabaria por levá-lo à representação da Comissão Europeia em Portugal — onde trabalhou com jovens na promoção do projeto europeu — e também à comunidade Global Shapers, iniciativa do Fórum Económico Mundial. Atualmente, concilia esta intervenção com o empreendedorismo tecnológico, sendo cofundador da SpectrAll, uma startup que utiliza inteligência artificial para apoiar a conformidade regulatória em cibersegurança de infraestruturas críticas. Pai de uma filha, explica que a paternidade redefiniu as suas prioridades. “Os meus propósitos passam principalmente por ser bom pai”, afirma, acrescentando que a responsabilidade de deixar um mundo melhor para as gerações futuras reforçou o seu compromisso com a procura de soluções. Nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Felso Ganhane reflete ainda sobre a infância em Moçambique e o choque de chegar a Castelo Branco, os desafios da integração de migrantes na Europa, a importância da representatividade e a necessidade de arregaçar as mangas. “Podemos ser sempre adeptos e treinadores de bancada. Outra coisa é estar disposto e disponível a fazer acontecer, e querer ser parte da solução.” Ouça aqui a conversa completa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E12
    July 16 · 1 hr

    Patrícia Vaz: “Amo ver o mar. O dia-a-dia é tão corrido que necessitamos destes momentos, de olhar para o nada e simplesmente apreciar”

    Investigadora, gestora de programas na Fundação Calouste Gulbenkian e doutoranda em Estudos do Desenvolvimento, Patrícia Inês Vaz é a convidada desta semana d' “O Tal Podcast”. Nascida em Portugal, com raízes em Cabo Verde e Angola, construiu um percurso ligado ao conhecimento, movida por um profundo compromisso com a justiça social. Integrada na Fundação Calouste Gulbenkian, Patrícia Vaz acompanha programas de bolsas e iniciativas na área da Educação e Ciência, enquanto desenvolve a sua investigação de doutoramento sobre as relações entre o Norte e o Sul Global. “Se eu quero falar de desenvolvimento, tenho de entender toda a história que está para trás”, afirma, explicando a importância de compreender o passado para pensar as desigualdades do presente. As viagens de infância à Ilha do Fogo despertaram-lhe uma consciência precoce sobre o privilégio e a importância de criar oportunidades para os outros. Ao longo da conversa, fala ainda do papel da educação como ferramenta de transformação social, lembrando que uma bolsa representa muito mais do que apoio financeiro: “É a capacidade de alguém simplesmente estudar e focar-se no estudo.” Apaixonada por música, livros e viagens, Patrícia estreou-se recentemente na escrita para a plataforma “Rimas e Batidas”, onde entrevistou a artista Nenny, trabalho que descreve como transformador. Nos seus sonhos, tem de escrever um livro dedicado às vivências das mulheres negras, refletindo sobre identidade, colorismo e autoestima. “A sociedade é cruel connosco. Não é fácil para mulheres negras.” Nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Patrícia Inês Vaz fala ainda da procura pelo seu lugar no mundo, recusando a ideia de caber numa única definição. “Ainda estou a tentar encontrar-me, e entender onde é o meu lugar. Mas sinto que são vários lugares. E eu estou bem também em ser vários lugares. Hoje, se calhar, é este lugar aqui e amanhã aquele lugar.” Ouça aqui a conversa completa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E11
    July 9 · 1 hr 3 min

    Carlos Kangoma: “Assusto-me quando vou ver as notícias. Sinto que estamos a descair para um certo regime, um tipo de fascismo light”

    Após cerca de vinte anos dedicados ao rap, a pandemia obrigou Carlos Kangoma, também conhecido por Lucy, a reinventar-se. Hoje é à frente do seu restaurante de gastronomia libanesa, o Mankooche, que encontra independência financeira para continuar a lutar pela justiça social e bem-estar coletivo. Além de refletir sobre o percurso que o levou da música ao ativismo, o convidado deste episódio d’ “O Tal Podcast” defende que o rap pode ser “uma forma de jornalismo”, capaz de dar voz às comunidades periféricas e desafiar a ideia de que “o bairro é só criminalidade e violência.” Ao longo da conversa, Lucy regressa ao bairro onde cresceu para refletir sobre uma infância marcada pela discriminação, repressão policial e ausência de oportunidades. Recorda que o primeiro contacto com a polícia aconteceu quando tinha apenas 11 ou 12 anos, enquanto jogava à bola, e descreve uma realidade em que “existe uma marginalização e uma discriminação feita de uma forma bastante violenta a nível físico e psicológico.” Apesar disso, rejeita os estereótipos frequentemente associados às periferias e lembra que é dali que saem muitos dos trabalhadores que garantem o funcionamento da cidade, destacando também o forte sentido de comunidade que caracteriza estes bairros. Filho de pais que fugiram de Angola depois da independência, Lucy fala ainda sobre o peso do trauma migratório e da herança colonial, refletindo sobre as desigualdades que continuam a marcar a sociedade portuguesa. Um dos exemplos que aponta é o sistema educativo, que considera “muito eurocêntrico” e que, na sua perspetiva, falha em valorizar a diversidade cultural e em oferecer referências positivas às novas gerações. A música surge, por isso, como uma forma de responsabilidade social. Para Lucy, quem cria também influencia, e isso implica um compromisso com a realidade de quem raramente vê a sua experiência representada no espaço público. Neste episódio, fala também do trabalho desenvolvido pelo movimento Vida Justa, onde o ativismo acontece no terreno, junto das comunidades. Defende que “o ativismo é uma forma de resistência” e sublinha a importância da organização coletiva para enfrentar as desigualdades, acreditando que a transformação social depende da capacidade das pessoas se unirem para reivindicar direitos e construir um futuro mais justo. Ouça aqui a conversa completa, com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E10
    July 2 · 58 min

    Cátia Severino: “É importante esta sociedade começar a assumir que ser português não é ter um perfil específico. A Cova da Moura é tão Portugal como o Saldanha”

    Veio de Angola na barriga da mãe, e foi no Algarve que nasceu e cresceu antes de se mudar para Lisboa, onde construiu uma trajetória académica na área da Linguística. Convidada deste episódio d’ “O Tal Podcast”, Cátia Severino descreve a entrada no ensino superior como a “realização de um sonho de sobrevivência”, enquanto única via possível de mobilidade e dignidade, numa vida marcada pela precariedade, e guiada pela resiliência e educação. Do Algarve para Lisboa, Cátia trouxe não apenas o desejo de estudar, mas também um percurso atravessado pelo esforço contínuo: trabalhar de noite, estudar de dia, e sustentar um ritmo de sobrevivência que se prolongou muito além da licenciatura. Mesmo após o mestrado, doutoramento e pós-doutoramento, o descanso parecia sempre adiado. Só mais tarde, com apoio pessoal, conseguiu finalmente reconhecer e habitar as suas conquistas. Ao longo da sua trajetória, confrontou-se com várias experiências de discriminação, inclusive dentro da academia. Para começar, o seu sotaque “afro-algarvio” era frequentemente lido como menos legítimo. Somou-se a isso uma reprovação no 12.º ano, que alterou profundamente o seu percurso escolar, episódio que a obrigou a mais um ano de esforço, e que expõe as desigualdades muitas vezes naturalizadas no sistema educativo. Cátia reflete ainda sobre o “branqueamento social” do seu percurso, num meio académico onde se tornou frequentemente a única pessoa negra portuguesa. A sua experiência é também marcada por uma reflexão profunda sobre identidade, pertença e colorismo. Entre o Algarve e Lisboa, Portugal e Angola, Cátia descreve o impacto constante da pergunta “de onde és?”, apesar de ter nascido em Portugal. As suas viagens a Angola ativaram uma ligação íntima com a terra dos pais, mas também a consciência de uma identidade híbrida, que define como afro-portuguesa ou portuguesa negra. Neste episódio, Cátia revisita ainda a história familiar atravessada pela guerra, pelo colonialismo e pela migração, destacando figuras como a sua avó Angelina. Ao mesmo tempo, recorda os efeitos dolorosos do colorismo dentro da própria família e comunidade, onde o tom de pele podia determinar aceitação ou exclusão. Para Cátia, negar essa complexidade seria negar a própria história. Ouça aqui a conversa completa, com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E9
    June 25 · 53 min

    Grada Kilomba: “Temos que aprender a aceitar quem as pessoas são e saber negociar, estar com essas almas. Há dificuldade em dialogar, porque há dificuldade em escutar”

    Inaugurou, no passado dia 2 de junho, em Paris, o “Memorial para o Genocídio dos Tutsis no Ruanda”, numa cerimónia de Estado, que contou com a presença do Presidente da França, Emmanuel Macron, e do seu homólogo ruandês, Paul Kagame. Dias antes, a 30 de maio, estava em Sintra, na abertura da exposição “O Fundo do Mundo”, patente até 26 de setembro na Albuquerque Foundation. Dona de uma abordagem artística que corre mundos, Grada Kilomba é a convidada deste episódio d’ O Tal Podcast. Reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho sobre memória, colonialismo, raça, género, linguagem e poder, Grada Kilomba tem desenvolvido uma prática artística que cruza literatura, performance, instalação, vídeo e encenação. “O conhecimento tem que ser cruzado, estar constantemente em diálogo”, afirma. Artista transdisciplinar, com raízes em Angola e São Tomé e Príncipe, Grada fala sobre o seu mais recente projeto: "O Memorial para o Genocídio dos Tutsis no Ruanda", instalado em Paris. Encomendada pelo Estado francês, como reconhecimento da cumplicidade naquele genocídio, a obra representou o maior desafio da sua carreira. “A maior honra para um artista é ser convidado para pensar, elaborar e criar uma obra em honra de um milhão de pessoas assassinadas num genocídio”, partilha. Ao longo da conversa, Grada reflete sobre o processo de criação de uma obra que procura representar o aparentemente irrepresentável: a violência, a perda, o silêncio e a memória. Fala sobre as viagens que realizou a Kigali, dos encontros com sobreviventes e descendentes das vítimas, e da influência da tradição artística ruandesa Imigongo na construção do memorial. “Uma coisa é trabalhar sobre um tema, outra coisa é vivenciar e conversar diretamente com as pessoas que vivenciaram esse tema”, sublinha. Grada aborda também o papel da arte numa sociedade marcada por conflitos, desigualdades e traumas históricos. Na sua leitura, a tarefa do artista passa por abordar os assuntos com os quais a sociedade tem dificuldade em lidar, criando novos vocabulários e imaginários. “Trabalho com temas extremamente violentos, como a morte, a exclusão, a desumanidade, o genocídio, o esquecimento. É extremamente importante trabalhá-los, criando o belo, a poesia”. Num diálogo que atravessa a arte, a educação, a espiritualidade e a transformação pessoal, Grada Kilomba reflete ainda sobre a importância da transdisciplinaridade, do corpo como linguagem artística, e da necessidade de cultivar espaços de escuta e colaboração. Critica modelos educativos assentes na fragmentação do conhecimento e defende formas de aprendizagem baseadas no diálogo e na construção coletiva. Entre memórias, silêncios e processos criativos, a artista deixa uma reflexão sobre um dos grandes desafios do nosso tempo: a incapacidade de escutar verdadeiramente o outro. “Estamos num momento absolutamente catastrófico, rodeados de guerras, genocídios, ocupações, cumplicidades internacionais, violência explícita e o que parece absolutamente constante é a incapacidade de diálogo.” Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E8
    June 18 · 56 min

    Assunção Fernandes: “Agradeço ao universo por esta visão que tenho. Não demoro muito ao pé das pessoas para perceber aquilo de que a comunidade precisa”

    Maria Assunção Fernandes Lopes Tavares, mais conhecida como “São”, nasceu em Fundura, no interior da ilha de Santiago, em Cabo Verde, e emigrou para Portugal com 22 anos. A convidada deste episódio d’“O Tal Podcast” cresceu numa família onde o serviço à comunidade fazia parte do quotidiano – os pais eram catequistas e ensinaram-lhe, desde cedo, que ninguém constrói nada sem os outros. “Não fazemos nada sozinhos. Temos de ter sempre alguém a apoiar, de uma forma ou de outra.” Ao chegar ao bairro da Pedreira dos Húngaros, entretanto demolido, São deparou-se com uma realidade que a inquietou: a falta de oportunidades para crianças e jovens, e uma forte segregação social. Sem recursos, mas movida pela vontade de fazer a diferença, recuperou a paixão pelo andebol que tinha desenvolvido na juventude, e lançou um projeto que viria a mudar centenas de vidas. “Começámos a treinar num campo de futebol, um descampado. No início nem tínhamos bolas”, recorda. O que começou com algumas raparigas curiosas tornou-se um espaço seguro de crescimento, pertença e desenvolvimento pessoal. Ao longo dos anos, o desporto abriu horizontes, fortaleceu a autoestima de muitas jovens filhas de imigrantes e ajudou-as a desenvolver competências que transportaram para a vida adulta. Paralelamente ao trabalho comunitário, São nunca desistiu da sua formação. Entre a família, o emprego e os treinos, estudou à noite para completar o ensino secundário e, mais tarde, ingressou na universidade. Licenciou-se em Serviço Social e concluiu um mestrado com uma tese dedicada ao impacto do andebol na integração social de jovens raparigas. “A [autoestrada] A5 foi onde eu estudei mais, de noite, de madrugada”, conta, lembrando os anos de esforço e perseverança. Neste episódio, fala também sobre os projetos que continua a dinamizar, como o grupo de mulheres “As Marias”, e os Centros de Apoio ao Estudo em bairros municipais de Oeiras, onde procura criar novas oportunidades para crianças e famílias. Reflete ainda sobre os desafios pessoais que enfrentou ao longo do caminho, incluindo os sacrifícios familiares que a sua dedicação exigiu. “Em alguns momentos, esqueci-me dos meus filhos. Dos filhos dos outros, nunca me esqueci”, confessa com honestidade. Entre histórias de resiliência, liderança e serviço, São Fernandes partilhou com ‘O Tal Podcast’ a visão que orienta a sua vida: a crença de que a empatia, a educação e o trabalho coletivo têm o poder de transformar comunidades. “O universo ajuda quando a pessoa trabalha com sinceridade, com empatia.” Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E7
    June 11 · 1 hr 6 min

    Wilds Gomes: “Poderíamos ser todos melhores humanos se tivéssemos terapia por cada indivíduo que está aqui nessa terra”

    Jornalista, apresentador, gestor de marca e autor do livro infantil “A girafa do Noah”, Wilds Gomes é o convidado desta semana d’ “O Tal Podcast”. Natural de São Tomé e Príncipe, veio para Portugal quando tinha apenas 4 anos, e desde sempre se viu rodeado de afectos, razão pela qual se confessa “uma pessoa de amor”, com facilidade para falar de sentimentos e expressá-los. Comunicador nato, Wilds conta que a grande transformação na forma como passou a olhar para si, e a procurar ser uma melhor pessoa, foi a experiência da paternidade. “Acho que me tornei adulto de verdade após o nascimento do meu filho”. A separação da mãe dos filhos mais velhos foi um momento que o fez parar e refletir sobre quem realmente era e o que queria na vida. Esse período mais sombrio levou-o a valorizar mais o auto-cuidado, e a procurar terapia. Uma das formas de conexão que tem desenvolvido com os filhos é a leitura noturna, algo que não teve na infância. Foi também por esta razão que escreveu o livro “A girafa do Noah”, publicado no final do ano passado, e no qual aborda o luto de uma forma adaptada para crianças. “Eu quero escrever sobre algo que faça sentido, que os pais consigam refletir e falar com os seus filhos, embora sejam conversas difíceis de ter.” Ao “O Tal Podcast”, o apresentador de 34 anos revelou que uma das maiores inspirações da sua vida é a relação dos pais que, após mais de três décadas de união, recentemente subiram ao altar. Wilds teve um papel fundamental na boda, tendo sido responsável pela compra do anel para o pedido de casamento feito pelo pai. Nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, o são-tomense falou ainda sobre a sua “Carta aberta aos homens negros que odeiam as mulheres negras”, onde desafia preconceitos, e convida a uma reflexão sobre a forma como mulheres da sua comunidade são tratadas. Para o apresentador, o amor, o respeito e a proteção das mulheres negras são também uma forma de resistência e transformação. Ouça aqui a conversa completa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E6
    June 4 · 38 min

    Victória Pauferro: “Estava na fila da escola para lanchar e um menino disse que a minha amiga era burra. Eu disse que não, e ele falou: ‘Cala a boca macaca’. Decidi fazer uma app para ajudar pessoas que sofrem preconceitos”

    Victória Vasconcelos Pauferro tem apenas 11 anos, mas já passou pela Faculdade de Ciências Tecnológicas de Lisboa, para apresentar o jogo "Aventuras com a Zoom Boom", que criou para combater preconceitos e todas as formas de discriminação. Sempre a pensar na inclusão, a convidada deste episódio de “O Tal Podcast” juntou-se à nossa celebração do Dia da Criança, com planos para programar um mundo melhor, com consciência social e inteligência artificial. Para festejar o 1 de junho, “O Tal Podcast” conversou com esta aluna do 5.º ano, que começou a programar e a utilizar inteligência artificial através do projeto “Technovation Girl”, no qual teve a ajuda de uma mentora para aprender a criar códigos e programar um mundo melhor através da tecnologia. Se tivesse um botão mágico no qual carregasse e pudesse mudar o mundo, “acabava com as guerras e o preconceito”, e criaria um mundo com pessoas de todas as cores: amarelas, roxas, verdes, rosas”. A preocupação com a injustiça social fez com que Victória criasse a “Aventuras com a Zoom Boom” - um jogo de perguntas e respostas, que utiliza inteligência artificial para combater preconceitos como o racismo, educando os jogadores sobre o significado destes conceitos, e a forma correta de agir perante estas situações. Este resultou num termo novo que inventou: “euquipa”, já que este foi um trabalho individual. Mais tarde, a “euquipa” expandiu-se, e juntou-se a outras colegas com as quais desenvolveu a aplicação “Hug Connect”, que tem como objectivo ajudar crianças e adolescentes com dificuldade de comunicação, criando salas anónimas onde podem partilhar e discutir problemas como racismo ou bullying com outras pessoas que enfrentam as mesmas situações. Fora do mundo da programação, Victória interessa-se por desporto, nomeadamente vólei e ténis, e faz planos artísticos, a partir do gosto pelo desenho, a que junta a diversão de brincar às bonecas. Com ascendência brasileira, a estudante mantém contacto diário com a avó, que está do outro lado do oceano, na Bahia, através de videochamadas. Orgulhosa das origens, no final do quarto ano, a convidada de Georgina Angélica e Paula Cardoso, usou um vestido de “princesa africana”, simbolizando a importância de recordar as suas raízes e história familiar. Ouça aqui a conversa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E5
    May 28 · 55 min

    Ana Martins: “Sempre vi a minha mãe e a minha avó a correrem riscos e irem atrás de coisas em que as pessoas diziam: ‘Não podes. Isto não é para ti’. Então, eu sempre quis ser mais”

    Empreendedora, fundadora da Mella Supply e co-fundadora do The Fam Kitchen Group, Ana Martins constrói pontes dentro da comunidade negra, com foco na promoção de uma maior representatividade e solidariedade. Neste episódio de “O Tal Podcast”, a convidada de Georgina Angélica e Paula Cardoso revisita o percurso que a levou da diplomacia à restauração, sem nunca abandonar a missão de criar impacto social. Formada em Relações Internacionais e Estudos de Conflitos no Reino Unido, Ana sonhava trabalhar em diplomacia, mas cedo percebeu as barreiras de acesso a determinados lugares. Entre Inglaterra e Estados Unidos da América, foi construindo um olhar crítico sobre representatividade, pertença e liderança, até regressar a Portugal por motivos familiares e decidir abraçar o sonho da mãe: transformar o The Fam Kitchen num projeto familiar que honra o legado da avó cabo-verdiana, imigrante que enfrentou inúmeras dificuldades para construir uma vida melhor. Ao longo da conversa, partilhou também a relação complexa com o pai ausente, reencontrado apenas aos 20 anos durante os estudos no estrangeiro. Foi precisamente entre o luto, a pressão do empreendedorismo e a solidão da pandemia que nasceu a Mella Supply. O projeto começou ligado ao autocuidado e à beleza negra, mas rapidamente evoluiu para uma plataforma focada em conexão, mentoria e partilha de conhecimento entre talentos negros .“Como é que nos reconhecemos como líderes dentro dos nossos próprios nichos?”, questiona Ana, que defende a importância de fortalecer redes internas, combater a fragmentação da comunidade e esbater as barreiras que impedem acessos a lugares. Entre workshops, encontros e debates, a fundadora da Mella Supply procura criar espaços onde a comunidade se possa ouvir, organizar e apoiar mutuamente. A gastronomia surge também como ferramenta de encontro e diplomacia, enquanto os novos projetos do The Fam Kitchen Group — como as casas de hospedagem no norte de Portugal — prolongam essa ideia de acolhimento, descanso e pertença. Entre memórias de imigração, empreendedorismo e viagens em família organizadas através de um mealheiro coletivo, Ana Martins revela-se uma “super connector”: alguém que acredita que abrir portas para os outros também é uma forma de transformar o mundo. Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E4
    May 21 · 1 hr 7 min

    Marco Mendonça: “O humor é uma porta de entrada para um lugar de empatia, escuta, compreensão. Ou mesmo que não seja compreensão, de respeito”

    Em 2024 criou, encenou e interpretou o espetáculo “Blackface”, a partir de uma velha prática racista. No ano seguinte, juntou a direção artística ao currículo, com “Reparations, Baby!”, peça que usa um concurso de TV para debater reparações históricas. Agora planeia um musical ‘fora de tom’, em que o hino nacional promete desafinar ideias. Marco Mendonça é o convidado deste episódio d’ “O Tal Podcast”, e sobe hoje ao palco do Planetário da Marinha, em Lisboa, com “Hotel Paradoxo”, em cena até sábado, 23. Entre histórias da infância em Moçambique, o fascínio precoce pela performance e a descoberta do teatro como espaço de liberdade, Marco Mendonça reflete sobre o impacto pessoal das suas investigações em torno do passado colonial português e da presença negra na cultura contemporânea. Com a honestidade e ironia que atravessam criações como “Blackface” e “Reparations, Baby!”, o ator e encenador falou sobre o impacto pessoal das suas investigações em torno do passado colonial português, da presença negra na cultura contemporânea e das dinâmicas de poder que persistem dentro e fora das artes. “Uso muitas vezes os espetáculos que faço para aprender mais. Facilmente me esqueço de coisas importantes: factos, datas. É bom ter várias notas nestes processos de investigação e de pesquisa, para ter acesso direto à história, e àquilo que vou recolhendo como material de uma forma mais acessível para mim também.” O humor e o riso acompanharam Marco Mendonça desde a sua juventude, tornando-se cedo uma forma de relação com o mundo: “Achavam que eu fazia bem imitações, porque eu sempre fiz questão de ser um dos palhaços da turma. Quando havia situações mais risíveis, eu tentava estar sempre envolvido nelas.” Esse impulso para “mandar larachas” foi-se construindo ao longo do tempo, até resultar na criação em palco. Depois do secundário em Artes Visuais, entrou em Estudos Artísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas bastaram duas semanas para perceber que o melhor seria avançar para a Escola Superior de Teatro e Cinema. “De repente, ali era um espaço de liberdade total. Vamos abraçar-nos e chorar e ser vulneráveis à frente uns dos outros.” Pelo meio, houve espaço para falar da “alma velha” de Marco Mendonça, num momento em que, aos 31 anos, assume novas responsabilidades e outra relação com o trabalho e com o corpo. A conversa trouxe ainda uma notícia esperada por muitos — o regresso do espetáculo “Blackface” a Lisboa — a que se junta outra novidade: vem aí um musical sobre o hino nacional português, com estreia prevista na Culturgest. Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E3
    May 14 · 53 min

    Raquel Lima: “Tendo um filho, é importante ele sentir que estou bem. Não dá para reproduzir a mãe estressada. Quero muito estar bem e feliz à volta dele”

    Poeta, investigadora, arte-educadora e ativista, Raquel Lima é a primeira intelectual portuguesa, angolana e são-tomense galardoada com o Prémio Emma Goldman, recebido no último mês de março, em Viena de Áustria. A experiência, conta neste episódio de “O Tal Podcast”, permitiu-lhe refletir sobre merecimento, autocuidado e literacia financeira, e constatar como, independentemente de geografias, as mulheres partilham uma espécie de “síndrome da impostora coletivo”. Nascida em Lisboa, filha de mãe angolana e pai são-tomense, cresceu na margem sul do Tejo, entre uma infância marcada por precariedade, ruturas familiares e perdas precoces, que viriam a tornar-se matéria viva da sua escrita. A sua assinatura literária tem passado por vários formatos, tanto no spoken word, como através da academia. Publicou livros como “Ingenuidade, Inocência e Ignorância” e “Ululu”, e hoje trabalha também a partir da oratura, ligada às tradições africanas de transmissão oral. Fundadora da União Negra das Artes, tem vindo a pensar o coletivo como espaço de criação, mas também de desgaste. “Perceber o que o coletivo quer dizer é isto: não pode recair sobre uma, duas ou três pessoas que ficam sobrecarregadas”, nota, ao refletir sobre os limites do trabalho partilhado e a necessidade de abrandar sem abandonar a comunidade. Neste episódio, a conquista recente do Prémio Emma Goldman surge como ponto de inflexão. Distinção internacional atribuída em Viena, o prémio chega num momento de transição pessoal e abre espaço para uma reflexão sobre merecimento e autocuidado. Entre outras oito mulheres de geografias diversas, Raquel reconhece um “síndrome da impostora coletivo”, como se a dúvida sobre o lugar de cada uma fosse menos individual do que estrutural. “Ainda estou a processar”, diz, ao falar de uma distinção que mexe com a autoestima e com a forma como o trabalho é validado. Ao mesmo tempo, a artista revela que os 50 mil euros correspondentes ao prémio a fizeram questionar a relação com o dinheiro, e a importância da literacia financeira.Tudo de um lugar onde defende que aprender a receber é tão importante quanto aprender a cuidar. Raquel partilha também como a espiritualidade atravessa o seu percurso de forma central. “Eu acho que a nossa revolução só vai acontecer se a gente puser o espiritual aí dentro. Acho que a nossa batalha mesmo antirracista, feminista, é espiritual”, assinala, ao falar de práticas de espiritualidade de matriz africana que recuperou em adulta. Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E2
    May 7 · 54 min

    Ângelo Delgado: “A nacionalidade não vale por si só. Tens que ir provando que tens os mesmos hábitos. É aí que está a validação. Não é o bilhete de identidade”

    Nascido em Portugal em 1981, ano em que a Lei da Nacionalidade entrou em vigor, o escritor Ângelo Delgado reflecte, neste episódio de “O Tal Podcast”, sobre a relação entre documentos e acolhimento. “Cresci num país que me via como alguém diferente”, diz o autor do romance “Foi o Preto”, obra lançada no início do ano, que espelha bem as fraturas raciais que continuam a dividir o país. “A nacionalidade não vale por si só”, sublinha. Escritor, leitor compulsivo e voz ativa na reflexão sobre identidade e racismo, Ângelo Delgado abre espaço, entre memórias, feridas e reconstruções, para uma conversa onde a escrita surge como refúgio, mas também como confronto. “É onde vomito aquilo que me vai na alma”, confessa, revelando um processo criativo profundamente íntimo e, muitas vezes, doloroso. No centro da conversa está “Foi o Preto”, obra construída a partir de vivências reais — suas, da família e de pessoas próximas. Mais do que um livro, é um exercício de exposição e catarse. “Tive de remexer nas minhas entranhas”, admite. O resultado é uma narrativa provocadora, que coloca o leitor diante do desconforto e o deixa, tal como o racismo faz, “num beco sem saída”. O autor revisitou uma infância marcada pela sensação de diferença. “Cresci num país que me via como alguém diferente”, recorda, apontando a escola como o primeiro espaço onde essa perceção se impõe, muitas vezes sem explicação, sem espaço para questionar. “A nacionalidade não vale por si só”, diz, sublinhando que o verdadeiro reconhecimento continua a depender de códigos invisíveis — hábitos, comportamentos, formas de estar. A conversa atravessa também as dinâmicas familiares e culturais que moldam o seu olhar sobre o mundo. Das mulheres cabo-verdianas, fortes, resilientes, frequentemente sobrecarregadas, às estruturas comunitárias que contrastam com o isolamento vivido na diáspora, há um constante movimento entre geografias e significados. “É como colorir memórias a preto e branco”, descreve, num processo de redescoberta da própria identidade. Pelo caminho, há ainda espaço para pensar o racismo para lá do discurso imediato, questionando a forma como ele é abordado publicamente, e defendendo a literatura como lugar essencial dessa reflexão. Porque, no fim, escrever não é apenas contar histórias: é dar sentido ao passado, reorganizar o presente e, talvez, encontrar alguma forma de liberdade. Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S6 · E1
    April 30 · 54 min

    Cirila Bossuet: “O meu trabalho é emprestar o meu corpo. Tudo que eu tenho, eu dou”

    Nomeada para os Prémios Sophia 2026, marcados para o próximo dia 15 de maio, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Cirila Bossuet vai disputar a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, pela interpretação no filme “Banzo”, de Margarida Cardoso. A indicação, logo na sua primeira experiência no cinema português, evidencia a importância das oportunidades, um dos temas em destaque neste episódio de “O Tal Podcast”. Desde cedo habituada a um ambiente familiar intenso e cheio de vida, foi no silêncio que encontrou o seu lugar. Antes de subir a palco, Cirila Bossuet era a criança que observava e apreciava o silêncio. Hoje, é nesse mesmo equilíbrio, entre interioridade e exposição, que constrói uma carreira marcada pela entrega total à arte de representar. Neste episódio de “O Tal Podcast”, a atriz revisita um percurso que começou quase por acaso: seguiu uma amiga para o teatro sem imaginar que ali encontraria a sua voz. “Não fazia ideia do meu tom, do que o meu corpo era capaz”, conta, descrevendo o teatro como um portal de autoconhecimento que lhe permitiu ocupar espaço, falar mais alto e sentir que a sua opinião importa. Se a descoberta artística foi inesperada, as raízes estavam lá desde sempre. Filha de bailarinos fundadores do Ballet Nacional de Angola, Cirila cresceu rodeada de expressão artística, embora só mais tarde tenha feito essa ligação. A história familiar, marcada pela migração forçada e pela reconstrução em Portugal, trouxe consigo uma palavra-chave: responsabilidade. E com ela, o desejo profundo de honrar o percurso dos pais. Entre múltiplos projetos simultâneos, exaustão física e a instabilidade da profissão, Cirila fala abertamente sobre os desafios de viver da arte em Portugal. Do “veneno da comparação” ao ritmo avassalador de Lisboa, a atriz descreve um meio onde “há sempre a sensação de que se deveria estar a fazer mais”. Ainda assim, resiste, criando distância ao viver fora da cidade, em Sintra, onde encontra o seu “ninho” e o silêncio necessário para se reconstruir. A conversa abre ainda espaço para uma reflexão crítica sobre a falta de oportunidades no cinema e na televisão portugueses, onde, lamenta a atriz, “vemos sempre as mesmas caras”. Deixa, por isso, um apelo por processos mais justos e inclusivos. Ouça a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso aqui. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S5 · E53
    April 23 · 59 min

    Rita Évora dos Santos: “Uma coisa que as mulheres têm é empatia. A minha mentora, que me trouxe às finanças sistémicas, diz: cada mulher que encontro traz-me notícias de mim”

    Licenciada em Gestão, e empresária há mais de uma década, Rita Évora dos Santos transformou as aprendizagens num programa de mentoria exclusivo para mulheres, e focado em finanças sistémicas. Uma abordagem que desenvolve a partir do entendimento de que “o dinheiro é emoção”, conforme partilha neste episódio de “O Tal Podcast”, em que sublinha a importância das crenças e padrões familiares na relação com a área financeira, e partilha como Cabo Verde lhe devolveu o sorriso. Todos os cêntimos contam, por isso, mesmo a moeda mais pequena deve ser valorizada, defende Rita Évora dos Santos. “Não vim de um sítio com dinheiro, tive que o ganhar. E hoje respeito todo o tostão. Se vejo um cêntimo, apanho”, diz a convidada desta semana de Georgina Angélica e Paula Cardoso. Filha de uma empregada de limpeza e de um trabalhador da construção civil, a gestora conta que aprendeu com os pais o sentido de sacrifício. “Vou fazer o que tiver que ser feito para me manter intacta”, garante, dando como exemplo a forma como conduz o seu negócio. “Tenho uma empresa de gestão de alojamentos, mas o nosso core também são limpezas. Se tiver que limpar um apartamento, sou a primeira”. Além das lições que traz da infância, nomeadamente que pobreza não é sinónimo de indignidade, e que o básico é o essencial, Rita partilha como a experiência empresarial tem sido formativa. “Limpámos as nossas poupanças para empreender”, revela, recuando aos primórdios da sua aventura empresarial, iniciada com o ex-companheiro, há mais de 10 anos. Hoje mentora de finanças sistémicas, a empresária conta que chegou a ter a conta ordenado a negativo – “Então, muitas vezes saía à meia-noite do trabalho, e às sete da manhã estava a limpar um escritório” – antes de encontrar a sua ‘fórmula’ de poupança. “Há pessoas que com aquilo que têm fazem uma vida digna, e há pessoas que estão enrascadas, porque somos influenciados por muitos viciozinhos. Vivemos num mundo de consumismo”. Sem ceder às inúmeras pressões de compra, Rita explica como se foi ‘libertando’. “Quando acabei de comprar o carro, continuei a pôr [dinheiro] de parte. Quando aluguei a casa, tinha o Porta 65, e aquilo que me deram pus de lado, como se estivesse a pagar a renda por completo. E ganhei este hábito”. A partir do que tem vivido, a empresária pretende apoiar outras mulheres na sua gestão financeira. “Quando conheço as finanças sistémicas, percebo que o dinheiro é emoção”, afirma, convicta da importância de manter o foco feminino do seu trabalho. “Uma coisa que as mulheres têm é empatia. A minha mentora, que me trouxe às finanças sistémicas, diz: cada mulher que encontro traz-me notícias de mim”, partilha a empresária neste episódio de “O Tal Podcast”, em que revê as próprias reconstruções emocionais. “Vim de Cabo Verde super apaixonada por mim, porque conheci uma Rita que não via há mais de 20 anos, que sorri só porque sim. O meu sorriso estava apagado e voltou”. O processo de transformação, revela a empresária, implicou uma mudança de vida completa. “Saí da relação em que estava, e vi-me sozinha pela primeira vez. Na altura até isolei-me um bocadinho, passei por uma tristeza, até perceber que a tristeza também é boa. E comecei a abraçá-la, e a abraçar-me”. Mais do que isso, Rita garante que renasceu: “Passei a olhar para mim e a gostar, a perceber que não são os outros que me veem. Sou eu que tenho de me ver primeiro. Isso tornou-me ainda mais bonita”. Ouça a conversa na íntegra aqui. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • S5 · E52
    April 16 · 1 hr 12 min

    Marco Aurélio Mendes: “As lideranças estratégicas cada vez mais serão entregues a mulheres. Isto é uma revolução que África irá viver nos próximos anos”

    O convite para pisar o palco da TEDxLuanda deu um novo rumo à vida de Marco Aurélio Mendes. Filho de angolanos, nascido no Algarve, o gestor e empreendedor conta, neste episódio de “O Tal Podcast”, o que o levou a trocar Portugal por Angola, há quase 15 anos. Nesta conversa, recorda também como sobreviveu a uma malária muito grave, encontrou na adoção uma nova forma de olhar o mundo, e se tornou aprendiz e mestre de liderança. O título do livro é provisório – “Sonhalidade” – e, antecipa Marco Aurélio Mendes, nele caberão os primeiros 50 anos da sua história de vida, demarcada pela “linha que separa o sonho da realidade”. Ainda em fase de “rabisco-sarrabisco”, conforme o gestor pré-cinquentão faz questão de assinalar, a autobiografia apresenta 2016 como um ano de renascimento. De volta a esse período, o convidado desta semana de Georgina Angélica e Paula Cardoso recorda os efeitos de uma malária muito grave. “Estive três meses no hospital, perdi um pouco da audição, cabelo, 18 quilos, e toda a massa muscular. Acho que só fiquei a 100% dois anos depois”. A experiência, com passagem por 10 dias de coma induzido e sessões de hemodiálise, impulsionou velhos planos familiares. “Se Deus me deu uma segunda oportunidade de cá estar, achei que devia dar corpo a este sonho: entrámos no processo de adoção”. Juntamente com a mulher, Nancy, Marco, à época já pai de Francisca, tornou-se também pai de Alexandre, e, mais recentemente, de David. “Vou no terceiro filho, e todos me fizeram mudar”, nota o empreendedor, lembrando uma das primeiras lições que recebeu quando decidiu adotar. “Uma coisa que a psicóloga nos disse é que não se escolhe. Escolhe-se uma mercadoria, as crianças sinalizam-se”. É também ao círculo familiar que o convidado deste episódio de “O Tal Podcast” vai buscar uma das aprendizagens mais estruturantes da sua liderança. “Mal cheguei [a Luanda], estava a criticar a equipa e o meu pai disse: ‘não te esqueças que, quando chove, a rua de boa parte destas pessoas vira um rio. Se calhar algumas meninas tiveram que ir buscar água para tomar banho. É importante que penses nisso”. Mais do que refletir, Marco começou a questionar quem são os trabalhadores que tem a responsabilidade de gerir. “Onde e como vivem? Porque se vivem oito pessoas dentro de um quarto, o sono não é tranquilo”, diz, por um lado; enquanto, por outro, observa: “Comecei a perceber que era complicado desenhar um caminho a três anos, quando a pessoa ao meu lado só está a pensar em como consegue 200 Kwanzas para ir para casa”. Cada vez mais atento a quem o rodeia, o gestor transforma as experiências de liderança em conversas, integradas no podcast “Performance 360”. “Muitas empresas acham que construir ADN é ir buscar os quadros da concorrência que já trabalham bem”, aponta, questionando a estratégia: “Vais trazer o ADN da concorrência, e não constróis o teu?”. Confiante no potencial do denominado continente-berço, que apresenta como “o diamante da Humanidade”, Marco Aurélio Mendes considera que “as lideranças estratégicas cada vez mais serão entregues a mulheres”, num movimento que vê como “uma revolução que África irá viver nos próximos anos”. Qual será o papel de Angola nesta transformação? Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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