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O Assunto

G1

Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo.

O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist 'This Is O Assunto'. Ouça agora no Spotify:
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  • May 12 · 32 min

    A guerra política em torno da dosimetria dos atos golpistas

    Convidados: Valdo Cruz, comentarista da GloboNews e colunista do g1, e Eloísa Machado, professora de Direito Constitucional da FGV-SP. No fim de abril, um grande acordo no mundo político entregou duas derrotas seguidas ao governo: a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal foi recusada pelo Senado e o Congresso derrubou o veto de Lula à Lei da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A lei foi promulgada, mas duas ações questionaram sua constitucionalidade na Justiça. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para a relatoria do caso e suspendeu a aplicação da dosimetria até análise colegiada da Corte. Agora, enquanto os condenados aguardam pelo plenário do STF, parlamentares bolsonaristas ameaçam ressuscitar a PEC da Anistia, que prevê perdão “amplo, geral e irrestrito” aos crimes da tentativa de golpe de Estado. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com Valdo Cruz, que revela os bastidores por trás das movimentações do Congresso e do Supremo, e com Eloísa Machado, que analisa os aspectos jurídicos da lei.

  • May 11 · 22 min

    O Brasil e a nova estratégia chinesa

    Convidado: Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) A China passa por uma transformação que afeta diretamente o Brasil. Como explica Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), a potência asiática busca reduzir sua dependência externa — especialmente de importações como soja e proteínas brasileiras. Pequim acelera uma estratégia de autossuficiência alimentar porque a fome, historicamente presente no país, é tratada hoje como uma "vulnerabilidade". Por isso, o 15º Plano Quinquenal, que orienta o desenvolvimento do gigante asiático, projeta um crescimento mais moderado e maior foco no fortalecimento do mercado interno. Nesse contexto, segurança alimentar e segurança nacional passam a caminhar juntas. Esse movimento já aparece nos indicadores: na última década, a participação das importações no PIB chinês caiu de 22% para menos de 18%. Na área de alimentos, a estratégia combina tecnologia, subsídios, expansão da produção doméstica e estoques elevados — um cenário que tende a pressionar exportadores no longo prazo. Hoje, o Brasil responde por 25% de tudo o que a China importa do agronegócio global. Diante disso, analistas avaliam que a relação bilateral permanece sólida no curto prazo, mas impõe um desafio estratégico: como o Brasil deve se posicionar diante de uma China que continua investindo aqui, mas busca depender cada vez menos do mundo? Para Wachholz, o país também precisa ficar atento a possíveis acordos entre Estados Unidos e China e ampliar seu leque de parceiros comerciais.

  • May 8 · 21 min

    A delação do Vorcaro tem força para avançar?

    Convidado: Gerson Camarotti, jornalista e comentarista político da TV Globo, GloboNews e colunista do g1. A nova fase da operação Compliance Zero revelou indícios de uma suposta mesada de meio milhão de reais ao senador Ciro Nogueira e reforçou a avaliação de investigadores de que a Polícia Federal já reuniu um volume robusto de provas no caso Master. A defesa do senador Ciro Nogueira (Progressistas) afirmou que ele não participou de atividades ilícitas investigadas na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7). Ao mesmo tempo, a delação do banqueiro Daniel Vorcaro chegou às autoridades em um pendrive e está sob análise da PF e da Procuradoria-Geral da República. Nos bastidores, porém, investigadores consideram que o material apresentado até agora estaria abaixo do esperado e distante do que já foi apurado. Enquanto ministros do Supremo pressionam por ajustes no acordo e pela devolução integral dos recursos desviados, policiais seguem examinando milhares de arquivos apreendidos — só em um dos celulares de Vorcaro, são mais de 8 mil vídeos. Nesse episódio, o comentarista Gerson Camarotti traz os bastidores dessa operação e o que pode acontecer com a delação de Daniel Vorcaro e os próximos passos desse caso.

  • May 7 · 29 min

    A febre dos implantes anabolizantes no Brasil

    Convidados: Talyta Vespa, repórter do g1 especializada em saúde, e Clayton Luiz Dornelles Macedo, doutor em Endocrinologia Clínica e especialista em Medicina do Esporte pela UNIFESP. O chamado “chip da beleza” promete mais disposição, emagrecimento, ganho de massa muscular, mais libido. Mas o que parece moderno esconde um problema. O produto - que não é um chip, é um implante hormonal - não tem comprovação científica para os efeitos estéticos que são anunciados. Sociedades médicas e órgãos reguladores são categóricos: os implantes de testosterona, oxandrolona e gestrinona têm ação anabolizante. Eles servem para ganhar massa muscular e produzir efeito estético. Mesmo assim, o mercado cresceu e hoje movimenta milhões de reais no Brasil. E funciona com uma engrenagem: médicos prescrevem, treinam outros profissionais e indicam farmácias de manipulação. Um ciclo que vai da consulta à venda do produto e que, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), pode envolver conflito de interesse. A Anvisa chegou a proibir a manipulação, a venda e a propaganda desses implantes. Mas recuou após pressão do setor. Hoje, o uso com finalidade estética segue restrito, mas uma brecha na legislação permite a manipulação de substâncias aprovadas sem definir claramente como elas podem ser usadas. Na prática, o mercado continua ativo e em crescimento. Nas redes sociais, onde a fiscalização é mais difícil, o público-alvo é claro: mulheres. Promessas de autoestima e desempenho físico se espalham com a ajuda de influenciadores e profissionais de saúde. E o “chip da beleza” vira porta de entrada para um mercado maior — que vai da suplementação a tratamentos estéticos, e se apoia, muitas vezes, em inseguranças sobre o corpo.

  • May 6 · 23 min

    Javier Milei: impopularidade recorde e situação econômica na Argentina

    Convidado: Ariel Palacios, correspondente da Globo e da Globonews para América Latina. A Argentina registrou a menor taxa de pobreza em sete anos, recuando de 38,1% em 2024 para 28,2% sob a gestão de Javier Milei, segundo o Indec, o "IBGE argentino". No entanto, esse avanço econômico contrasta com uma queda drástica na popularidade do presidente, que se tornou o líder mais impopular da América Latina, acumulando 64,5% de desaprovação (dados da consultoria Zuban Córdoba). As políticas econômicas celebradas pelo governo têm sido insuficientes para conter o ceticismo da opinião pública. O desgaste político é alimentado por uma série de escândalos envolvendo o gabinete de Milei. Além disso, a população reage ao aumento do desemprego, ao fechamento de milhares de empresas e aos cortes na saúde e educação pública. Para grande parte do eleitorado, a realidade do cotidiano e a inflação persistente, mesmo que em queda anual, pesam mais do que os índices oficiais de redução da pobreza. Em paralelo, outro desafio crítico é a profunda desconfiança no sistema financeiro, herança de traumas como o "corralito" de 2001. Estima-se que os argentinos ainda guardem US$ 170 bilhões fora dos bancos, e as recentes tentativas de Javier Milei de atrair esse capital com isenções fiscais, sob o mote "alivie seu colchão", tiveram pouco sucesso até agora.

  • May 5 · 26 min

    O novo Desenrola: até onde vai o alívio para os endividados?

    Convidados: Lauro Gonzalez, professor da Fundação Getúlio Vargas e coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira e Guilherme Balza, repórter de política da GloboNews em Brasília . O Brasil atingiu em março de 2026 a marca de 82,8 milhões de inadimplentes, o que significa que metade dos lares brasileiros está endividada e comprometendo quase um terço da renda com o pagamento de dívidas. Para tentar reverter esse quadro o governo federal lançou nesta segunda-feira (4) o novo Desenrola, que agora permite o uso de parte do FGTS para quitar dívidas e impõe uma regra inédita: quem aderir ao programa fica bloqueado em sites de apostas. A nova fase do Desenrola mira especialmente a inadimplência familiar e precoce. Economistas, porém, afirmam que o atual cenário das contas públicas é um dos fatores que impedem a queda dos juros — o que impacta diretamente o tamanho do endividamento dos brasileiros. Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV, a questão é mais complexa do que o anúncio faz parecer. “Não existe uma solução mágica, uma bala de prata que vai resolver tudo.” Além da economia, existe uma estratégia política por trás do anúncio: o governo tenta recuperar sua popularidade em ano eleitoral por meio de medidas de impacto direto no cotidiano para tentar reverter o “mau humor” do eleitorado e recuperar a popularidade do presidente Lula em um ano eleitoral, e “não tem como fugir disso" -- analisa Guilherme Balza, repórter da GloboNews.

  • May 4 · 28 min

    O avanço das facções criminosas pelo interior do Brasil

    Convidados: Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro De Segurança Pública e Paulo Renato Soares, jornalista da TV Globo e um dos repórteres do documentário ‘Territórios’ do Globoplay. O Brasil vive um processo de interiorização da violência, com o avanço das facções criminosas para cidades médias e pequenas. É o que mostram estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Enquanto grandes capitais (como Fortaleza, São Luís e Goiânia) reduziram as taxas de homicídios em mais de 60% entre 2013 e 2023, municípios do interior passaram a concentrar episódios de violência antes restritos às metrópoles. Como mostra o documentário do Globoplay “Territórios – Sob o Domínio do Crime”, o crime organizado deixou de ser um fenômeno localizado e passou a atuar de forma articulada em escala nacional e transnacional, apoiado no domínio de territórios, no uso da força armada, na influência dentro do sistema prisional, na penetração em atividades da economia formal e em práticas de corrupção. "A gente escolheu esse nome 'Territórios', porque este é o ponto: é grave a dominação armada de territórios que acontece muito no Rio de Janeiro e está se espalhando por tudo quanto é lugar. Isso subjuga milhões de pessoas. Eles impõem regras a elas, que são consumir produtos e serviços imposto pelos traficantes", disse Paulo Renato Soares, um dos repórteres do documentário. Cidades como Rio Claro, no interior de São Paulo, com cerca de 200 mil habitantes, viraram palco de disputa entre o PCC e o Comando Vermelho. A localização, próxima a grandes rodovias, transformou a cidade em um ponto estratégico para o tráfico. Na Bahia, o município de Juazeiro, a 500 quilômetros de Salvador, reflete esse mesmo movimento. Lá, a taxa de homicídios chega a 76,2 por 100 mil habitantes, três vezes maior que a média nacional. E, na Amazônia Legal, formada por nove estados, a presença do crime organizado já alcança 45% dos municípios. De acordo com Samira Bueno, do Fórum Brasileiro De Segurança Pública, com esse avanço, o Estado precisa considerar a atuação das facções não apenas no âmbito da segurança pública, mas também na formulação de políticas de habitação, transporte e até no processo eleitoral. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem realizado uma força-tarefa para conter a influência do crime organizado nas eleições.

  • April 30 · 27 min

    Messias rejeitado para o STF: uma derrota histórica para Lula

    Convidada: Ana Flor é comentarista da GloboNews e colunista do g1. O Senado impôs uma derrota histórica ao rejeitar a indicação do presidente Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Jorge Messias foi o primeiro nome reprovado desde 1894, no governo de Floriano Peixoto. Há 132 anos. O placar foi de 42 votos a 34, após articulação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), contra o governo. Desde o início, Alcolumbre queria que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) fosse a indicação do presidente, não o advogado-geral da União (AGU). Antes da rejeição no plenário, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a indicação de Messias por 16 votos a 11. Durante a sabatina na CCJ, Messias reforçou sua posição contrária ao aborto e criticou as decisões individuais do STF que, segundo ele, diminuem a dimensão institucional do Supremo. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Ana Flor, comentarista da GloboNews e colunista do g1, sobre os bastidores da sabatina de Jorge Messias, as articulações que levaram à derrota do governo e como o episódio embaralha completamente as alianças políticas em Brasília.

  • April 29 · 22 min

    A saída dos Emirados Árabes da Opep: os impactos no petróleo e os efeitos para Trump

    Convidado: Tanguy Baghdadi é professor de Política Internacional e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Rio. Os Emirados Árabes Unidos decidiram, após quase 60 anos de alinhamento, sair da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A decisão foi tomada após “várias discussões” e “reflexões” sobre o cenário internacional do petróleo e entra em vigor no dia 1º de maio. O cenário por trás dessa saída envolve a falta de respostas a um evento que se prolonga há quase dois meses: a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A decisão ocorre em um momento delicado para o setor, marcado pela volatilidade dos preços, rearranjos geopolíticos e disputas cada vez mais intensas por influência sobre o fluxo global de energia. Em Washington, o movimento é visto como uma vitória para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, crítico recorrente da atuação da Opep. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o analista internacional Tanguy Baghdadi para analisar os efeitos dessa mudança no mercado do petróleo e na geopolítica do conflito.

  • April 28 · 33 min

    Terras raras: os desafios da exploração sustentável no Brasil

    Convidado: Jonathan Colombo, engenheiro e professor do MBA em ESG de Mudanças Climáticas e Transição Energética da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Um negócio de quase US$ 3 bilhões colocou o Brasil no centro das atenções em um mercado no qual o país detém a segunda maior reserva do mundo: as terras raras. São 17 minerais estratégicos, usados na fabricação de produtos que vão de carros elétricos a sistemas militares, e que hoje estão no centro de uma disputa geopolítica global, impulsionada pela corrida tecnológica e pela transição energética. Nesse contexto, uma mineradora em Goiás, controlada por fundos privados e internacionais, foi vendida para uma empresa americana. O movimento reacendeu preocupações no governo brasileiro sobre soberania e controle de recursos estratégicos. Enquanto os negócios avançam, a regulamentação das terras raras ainda anda lentamente no Congresso e deve ser analisada em maio; ao mesmo tempo, o tema também está no STF, que avalia uma ação que questiona se a exploração da mina em Minaçu, no norte de Goiás, fere a Constituição. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o engenheiro Jonathan Colombo, professor de transição energética da FGV, sobre os desafios para evitar danos ambientais e a perda de soberania na exploração de terras raras no Brasil.

  • April 27 · 28 min

    Uma geração sem cigarro é possível?

    Convidadas: Margareth Dalcolmo, pneumologista, pesquisadora da Fiocruz e membro titular da Academia Nacional de Medicina; e a advogada Eloisa Machado, professora da FGV/SP e especialista em direito constitucional e direitos humanos. Enquanto o Reino Unido aposta em uma medida radical para criar uma geração de não fumantes — proibindo a venda para pessoas nascidas a partir de 2009 e para a vida toda —, o Brasil enfrenta um movimento inverso: após décadas de políticas públicas que reduziram o consumo, o tabagismo volta a crescer. O episódio parte desse contraste para discutir o que levou o país a avançar no combate ao cigarro no passado, e por que esses mecanismos perderam força nos últimos anos, abrindo espaço para novos desafios, como o avanço dos cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens. Também entram em pauta os impactos do tabagismo na saúde pública e na economia, com números expressivos de mortes, internações e custos para o sistema de saúde, além de uma ação bilionária contra a indústria do tabaco em fase final no Brasil, que traz à tona o debate sobre responsabilidade e regulação. Natuza Nery entrevista a pneumologista Margareth Dalcolmo e a advogada Eloisa Machado para discutir os fatores que explicam o avanço recente do tabagismo no Brasil, os desafios impostos pelos novos dispositivos e os caminhos possíveis para conter essa tendência.

  • April 24 · 29 min

    Reforma do Judiciário: as chances de sair do papel 

    Convidados: Ana Flor, comentarista da GloboNews; e Beto Vasconcelos, advogado mestre em Direito do Estado pela USP, especialista em direito público e constitucional e ex-secretário Nacional de Justiça; O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), propôs, na segunda-feira (20), uma nova reforma do Poder Judiciário. Em artigo publicado no portal ICL Notícias, o ministro sugere medidas divididas em 15 eixos. Entre elas, defende o fim de privilégios como a aposentadoria compulsória como punição e a limitação das verbas indenizatórias — os chamados "penduricalhos". Soma-se a essa proposta o Código de Ética sugerido pelo presidente da Corte, Edson Fachin, apresentado em meio à crise de confiança no Supremo e aos enroscos criados pelos próprios ministros, citados em manchetes relacionadas ao Caso Master. Mas a ferida vai além, e a crise de imagem se espalha por todas as instâncias. O texto de Dino ainda não foi formalizado, e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil criou uma comissão para mobilizar a sociedade em torno do tema. Enquanto a discussão avança, uma coisa é certa: é preciso solucionar o problema de confiança no Judiciário. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Ana Flor, comentarista da GloboNews, para analisar as chances de a proposta de Dino sair do papel no Supremo e no Congresso, e o advogado especialista em direito público e constitucional Beto Vasconcelos, para explicar as diferenças e semelhanças entre a proposta e o código de ética de Fachin.

  • April 23 · 22 min

    Os recuos de Trump e o desgaste de poder

    Convidado: Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, pesquisador da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment. Horas antes do fim do prazo estabelecido por ele mesmo para um cessar-fogo na guerra contra o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão da trégua por tempo indeterminado. O movimento marca o que analistas e a imprensa internacional classificam como o sétimo recuo do republicano em um conflito no qual ele insiste em se declarar vencedor. Enquanto Washington justifica o adiamento como uma espera por uma "proposta unificada" de um regime supostamente fragmentado em Teerã, o governo iraniano ironiza a retórica americana e utiliza inteligência artificial para zombar da indecisão de Trump. Em paralelo, Trump enfrenta o nível mais baixo de aprovação de seu mandato, com 62% de rejeição entre os americanos. Mais do que o desgaste externo, a pesquisa Reuters/Ipsos revela rachaduras na base aliada: 46% dos republicanos hoje consideram que o presidente não é "equilibrado". Neste episódio, Natuza Nery entrevista Oliver Stuenkel para analisar o impacto da série de recuos apresentados até aqui por Trump, o reflexo na sua popularidade e os entraves para um acordo. O professor de RI explica como a guerra com o Irã pode respingar nas eleições de meio de mandato.

  • April 22 · 35 min

    A crise do modelo econômico e a inteligência artificial

    Convidado: Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, professor e escritor. Em março, o CEO da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, enviou uma carta aos investidores com uma previsão: “o velho modelo do capitalismo está se fragmentando”. No comunicado, Larry Fink afirma que a riqueza está cada vez mais concentrada e aponta o risco de que a inteligência artificial amplie ainda mais a desigualdade. É uma ideia que está em linha com o relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em dezembro de 2025: o texto indica que a IA deve gerar ganhos de produtividade de até 5% em alguns setores da economia nos próximos dois anos, mas alerta que a tecnologia pode impactar até 40% dos empregos no mundo e ampliar a desigualdade entre países e dentro das próprias sociedades. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Eduardo Giannetti da Fonseca para analisar o impacto dessa nova revolução tecnológica no modelo econômico e na ampliação da desigualdade. O economista explica o momento histórico que vivemos, que chama de “fim do ciclo da globalização”, e projeta mais pressões por políticas públicas.

  • April 17 · 37 min

    A tragédia humanitária no Líbano e o cessar-fogo com Israel

    Convidados: Gabriel Chaim, fotógrafo, cinegrafista independente e correspondente de guerra, e Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) um acordo de cessar-fogo costurado entre os líderes de Líbano e Israel. Durante dez dias não haverá ataques – o grupo extremista Hezbollah, que não integrou as negociações, confirmou que irá suspender os bombardeios, com a condição de que Israel também interrompa sua ofensiva. É um alívio para a população libanesa: desde o início de março, os ataques israelenses já mataram mais de 2 mil pessoas e deixaram milhares de feridos; 1 milhão de pessoas abandonaram suas casas e os serviços essenciais, como os hospitais, estão colapsando. Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados. Primeiro, ela conversa com Gabriel Chain, correspondente de guerra que está em Beirute. Ele conta a história por trás da foto da menina de 7 anos enfaixada e ensanguentada que chamou a atenção de todo o mundo e relata o clima que se espalhou pelo país durante o conflito. Depois, Natuza conversa com Guga Chacra para analisar a viabilidade real do cessar-fogo e explicar a intrincada política libanesa, que coloca em lados opostos o governo central e o Hezbollah.

  • April 16 · 22 min

    Inadimplência recorde e a operação resgate do governo

    Convidado: Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, criador do podcast Petit Journal e professor de economia do Ibmec. De acordo com o Mapa da Inadimplência, o número de brasileiros que não consegue pagar suas dívidas disparou nos últimos dez anos: hoje, mais da metade dos adultos está com o CPF negativado. A dificuldade para sanar as contas contamina a percepção sobre a economia e sobre o governo. Com uma eleição no horizonte, o Palácio do Planalto decidiu agir e prevê um pacote de medidas emergenciais para enfrentar a inadimplência generalizada, incluindo uma nova edição do programa Desenrola, para renegociar dívidas, a liberação de recursos do FGTS e a antecipação do 13º do INSS para injetar R$ 78 bilhões no mercado até maio. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Daniel Sousa para analisar as causas da inadimplência recorde no país. Daniel também explica por que o Brasil tem juros tão altos e alerta para o risco de uma crise sistêmica de endividamentos.

  • April 15 · 23 min

    CPI do Crime Organizado: mais um round entre Congresso e Supremo

    Convidado: Valdo Cruz, comentarista de política e economia da GloboNews. Em novembro de 2025, o Senado Federal instalou a comissão parlamentar que iria investigar o avanço das facções criminosas e milícias pelo país. Nesta terça-feira (14), data limite para os trabalhos da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), presidente da comissão, apresentou o relatório final da investigação – que pouco tratou de crime organizado e que estabeleceu um novo patamar de tensão entre Congresso e Supremo. No texto, Vieira propõe o indiciamento três ministros do STF, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O parecer recebeu críticas públicas e foi rejeitado pela comissão. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Valdo Cruz, comentarista de política e economia da GloboNews, para analisar o relatório da CPI e explicar as reações ao texto em todo o mundo político de Brasília.

  • April 14 · 23 min

    A derrota de Orbán na Hungria: como fica a extrema direita global?

    Convidados: Maurício Moura, fundador do instituto de pesquisa Ideia, professor da Universidade George Washington (EUA) e colunista do jornal O Globo; e Pedro Abramovay, mestre em Direito Constitucional, doutor em Ciência Política e vice-presidente de programas da Open Society. No último domingo (12), os eleitores húngaros decidiram dar fim aos 16 anos de Viktor Orbán como primeiro-ministro do país. A coalizão de centro-direita Tisza venceu a eleição e vai comandar cerca de dois terços das cadeiras do Parlamento. Peter Magyar, ex-aliado de Orbán, assume o governo. Desde que chegou ao poder, em 2010, Orbán corroeu a independência das instituições húngaras: reescreveu a Constituição, redesenhou o mapa eleitoral e corrompeu o Judiciário e a imprensa. E se tornou se tornou um exemplo para lideranças autoritárias ao redor do mundo – o americano Donald Trump e o russo Vladimir Putin, entre outros, apoiavam sua reeleição. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Maurício Moura para explicar o fim da era Orbán na Hungria. Depois, ela fala com Pedro Abramovay para analisar o futuro da coalização internacional da extrema direita.

  • April 13 · 22 min

    Ronaldo Caiado e suas chances na corrida presidencial

    Convidado: Thiago Prado, editor de Política e Brasil do jornal O Globo, autor do e-book ‘Quem será o próximo presidente?’ e da newsletter semanal ‘Jogo Político’. Em 1989, o médico goiano testou seu nome como candidato à Presidência da República pela primeira vez. Numa eleição que contava com mais de 20 alternativas na urna, ele fez menos de 1% dos votos. Desde então, ele construiu trajetória sólida em seu estado: deputado federal, senador e governador. Agora, aos 76 anos e em um Brasil totalmente diferente, Ronaldo Caiado terá uma nova oportunidade. Caiado passou mais de 30 anos na mesma legenda (primeiro como PFL, depois como Democratas e, por fim, União Brasil), mas em janeiro deste ano migrou para o PSD. O objetivo era disputar uma espécie de primárias do partido para lançar uma candidatura presidencial. O favorito de Gilberto Kassab, presidente da sigla, era Ratinho Júnior, governador do Paraná, que desistiu. E o governador de Goiás superou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Agora, os desafios dele são outros. Primeiro, se consolidar como um nome de alcance nacional. Segundo, conquistar dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto para provar que é um candidato viável. Para explicar os desafios e a viabilidade real de Ronaldo Caiado, Natuza Nery conversa com Thiago Prado, editor de Política e Brasil do jornal O Globo. Ele, que também é autor do e-book ‘Quem será o próximo presidente?’ e da newsletter semanal ‘Jogo Político’, relembra as contradições políticas do presidenciável e seus resultados como governador de Goiás. E analisa as condições de uma candidatura não polarizada prosperar.

  • April 10 · 24 min

    Artemis II e o futuro da nova corrida espacial

    Convidados: Lucas Fonseca, engenheiro espacial, e Márcia Alvarenga dos Santos, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Nesta sexta-feira (10), a missão Artemis II retorna à Terra. A aeronave tripulada por quatro astronautas está há dez dias no espaço e foi a que chegou mais longe em relação à Terra – percorreu mais de 400 mil quilômetros. Ela realizou também o primeiro sobrevoo tripulado à órbita da Lua dos últimos 50 anos. O programa Artemis tem como meta montar uma base permanente no Polo Sul e lançar uma estação na órbita lunar até 2030. Assim, a Lua serviria também como ponto de escala para um objetivo ainda maior: chegar a Marte. Este é o horizonte da nova corrida espacial, na qual os Estados Unidos estão disparados na liderança – mas não estão sozinhos. Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados. Lucas Fonseca, engenheiro espacial e CEO da empresa de logística espacial Airvantis, e Márcia Alvarenga dos Santos, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Lucas descreve os objetivos do programa Artemis e o que os Estados Unidos buscam com ele, e explica por que os americanos estão com medo do acelerado desenvolvimento espacial da China. Márcia conta os interesses por trás da exploração da Lua.