
“Se estivesse a pregar a violência, Cabinda teria virado Iraque há muito tempo”
Hoje, Raul Tati é deputado da UNITA, casado, com doutoramento em Ciência Política pela Universidade Católica Portuguesa, mas houve um tempo que eram uma das figuras de mais relevo de Cabinda, o exclave angolano de onde vem a maioria do seu petróleo e onde desde a independência há uma guerra de baixa intensidade e um forte activismo em defesa da autodeterminação do povo cabindense. Raul Tati chegou a vigário-geral da diocese e reitor do seminário maior de filosofia Padre Luís de Gourlet. Terá sido afastado do sacerdócio por Bento XVI por razões políticas, a pedido do Governo de Angola, para calar uma Igreja que estava ao lado do povo de Cabinda no seu desejo de autodeterminação. Acusaram-no de terrorismo e de incitar à violência, nesta entrevista, a propósito do seu livro Crónicas do Cativeiro: Diário de um Padre Terrorista (Elivulu), relato de quase um ano de prisão, Tati garante que se tivesse pregado a via das armas, desde o púlpito da Igreja ou sala de aulas da universidade, Angola seria hoje mais como um Iraque. A conversa com Raul Tati é na segunda parte, na primeira, Elísio Macamo e António Rodrigues conversam sobre a situação na Guiné-Bissau, depois do referendo à Constituição de 30 de Agosto e a caminho das eleições de 6 de Dezembro. E também se debruçam sobre a aprovação no Congresso dos Deputados espanhol de uma lei que oferece a nacionalidade espanhola aos nascidos no Sara Ocidental antes de 29 de Setembro de 1977, mesmo sem nunca terem pisado território da actual Espanha, e aos seus descendentes directos depois do processo de naturalização do pai ou da mãe ser aprovado. E que dá aos sarauís que residem em Espanha, a possibilidade de solicitar a nacionalidade espanhola ao fim de dois anos, enquanto o regime geral prevê dez anos. See omnystudio.com/listener for privacy information.





