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Bola Preta

Hugo Gomes

"Oh não, mais um 'podcast' de cinema!!" O horror, o horror ... No meio da saturação de vinhetas sobre cinema, estreias e outras constelações previamente alinhadas, vamos conversar, e é exactamente isso que faremos. Uma tertúlia cinematográfica, com a crítica no centro, o Cinema como um todo, e o restante a orbitar, a fervilhar ou a expelir. Contra formalidades: Cinema por "tu", sem filtros nem bandanas.

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  • 20 episodes
  • Avg 1 hr 34 min
  • Portuguese
  • S2 · E20
    August 19 · 1 hr 10 min

    Episódio 20: Ritrovato, che nostalgia! Uma conversa com Rui Alves de Sousa e Samuel Andrade (+ Luís Miguel Oliveira)

    Aviso à navegação, este episódio foi gravado antes da estreia de “Odyssey”, do Nolan… fica o aviso, porque as menções aqui feitas foram concebidas com o sabor da antecipação. Mas andiamo, porque o que nos levou ao encontro, a este novo episódio, não foi Nolan em si, mas outro evento, Ritrovato, a contar com a sua 40.ª edição, o Festival de Cinema especializado no clássico e restauro, História do Cinema como nova, contou com uma comitiva portuguesa de peso. Eu, neste pedaço de mar plantado, roído de inveja, admito, solicitei uma viagem aos olhos de outros. Os meus convidados fornecem isso, não uma rota turística (nem gastronómica, pois claro), mas antes uma viagem com o seu rigor crítico. Rui Alves de Sousa e Samuel Andrade, já conhecidos deste universo Bola Preta, prestaram testemunho… oh, espera (“estão a gravar?”). Ouve-se uma voz no fundo. “Sim, junta-te.” Saltando para a água, Luís Miguel Oliveira, outro repetente, também esmiuça sobre esta viagem e o que de lá retirou sobre o estado do cinema. Pelo meio, formatos e Nolan, as suas odisseias, porque a cinefilia tem isso mesmo, algo de aventureiro, por vezes saudoso, mas igualmente bravo. Uns quantos hurras à película porque o “digital é necrofilia pura”, disse alguém… segundo a memória fragmentada de alguns, ‘coisas’ da idade. Material de Apoio A mencionada crónica de André Filipe Gonçalves sobre as “críticas compradas”: https://cinematograficamentefalando.com/2026/07/08/quando-a-critica-se-confunde-com-marketing-o-caso-nolan/ Texto de Samuel Andrade no FilmSpot em que se confessa “Nolaniano”: https://filmspot.pt/artigo/nolaniano-me-confesso-15037/ “Polígrafo” Apesar da motivação e promessa durante o episódio, não fomos ver o “Blowing Wild” do Hugo Fregonese.

  • S2 · E19
    July 24 · 1 hr 29 min

    Episódio 19: O Nosso Verbo é Outro, ou como amar o popular contra o popular. Uma conversa com Lília Lopes.

    Quase se perdeu a alma numa floresta qualquer, em geografias não identificáveis. Pelo meio, o teatro de revista, primeiro ocultado, depois confessado como desejo, porque ser popular não é nefasto, no Cinema a história é outra. Lília Lopes, actriz, escritora e jurada dos Prémios Curtas, falou-nos de algumas delas, numa conversa com birras e milho tostado para o paladar, naquele “lugar do costume”. Foram os processos criativos, as origens e as mulheres fregueses das páginas do seu “O Meu Verbo é Ir”. No final, há o costume da vénia ao título do programa, as Bolas Pretas, ou melhor, à procura delas, deitando mão à popularidade de títulos que constituem o frágil esqueleto dos cinéfilos de ocasião. As coisas movimentam-se, tudo se extingue e o tempo é uma incógnita para as narrações, só que aqui, o Cinema é o propósito, ou a desculpa da conversa … tchim tchim … tilintam os copos, promessas de um regresso, talvez sim, ou talvez não. Ou Ítaca ao longe, mesmo com uns quantos escarros guardados para Nolan. Enquanto isso, vamos defender o popular, a arte de fazer feliz quem dela aproveita … e porque não!? Material de Apoio O livro de Lília Lopes, “O Meu Verbo é Ir”, pode ser adquirido aqui: O Meu Verbo é Ir de Lília Lopes - Livro - WOOK Entrevista a Manuela Serra, realizadora de “O Movimento das Coisas”: https://cinematograficamentefalando.com/2021/06/16/manuela-serra-a-corrida-pelo-desenvolvimento-leva-nos-ao-esquecimento-de-coisas-meramente-importantes/ Canal da banda ‘Os Barbosas’ (O Sindicato da Morte): Os Barbosas (O Sindicato da Morte) - YouTube O filme “A Floresta das Almas Perdidas” poderá ser visualizado aqui: A Floresta das Almas Perdidas - Filmin Trailer da mencionada curta “Calhau” de Paulo Abreu: CALHAU TEASER | Vídeos e Filmes no Vimeo e de “Atom & Void” (ou “a curta das Aranhas”) aqui: Atom & Void by Gonçalo Almeida | Vídeos e Filmes no Vimeo “Polígrafo” Julie Delpy imita Nina Simone na última sequência de “Before Sunset”

  • S2 · E18
    July 11 · 1 hr 58 min

    Episódio 18: Um Passo no Escuro, outro na Irritação. Uma conversa com José Santiago.

    Programar um Hitchcock, um Fellini ou um Bergman é “canja” (quer pela sua fama canónica ou já contemplado selo de clássico), espera-se sempre uma enxurrada de cinéfilos saudosos ou dos tais “verdinhos” a dar os primeiros passos e a cumprir a sua caminhada cinematográfica, expondo-a no Letterboxd em X passos, mas o desafio de um sala é realmente confiar sala confiar o seu cartaz a uma obra de série B ou(a) Z. Que escuridão traria uma decisão dessas? Contudo, os resultados têm desafiado a suposta lógica da popularidade e da eternização da série A, e José Santiago que o diga! Programador da iniciativa Passos no Escuro, no Passos Manuel, na cidade Invicta, apresenta, de quinze em quinze dias, cinema de género, de culto ou, nas suas próprias palavras, “a próxima redescoberta”. Foi de Lucio Fulci a Paul Verhoeven, encerrando esta segunda temporada no travestismo festivo de “The Rocky Horror Picture Show” (é preciso dizê-lo correctamente), numa sessão celebratória como tão poucas se fazem neste país. A conversa inicia-se nesses territórios, em jeito de “drag show”, passa pelos temas do momento (dos youtubers a invadirem Hollywood) e acaba por estacionar em irritações, “guilty pleasures” e traumas. Avisam-se os navegantes: há lobisomens ‘bombados’, Bad Bunny, Ana Malhoa entre nós e dildos de Amityville... Que salganhada! Palavras cruzadas, inesperadamente fora de contexto, a relegar este podcast para a sua própria liga. A série B, talvez? Material de Apoio: Site oficial do Passos no Escuro: https://www.passosnoescuro.com/ Páginas das tais “folhas de sala” do Passos no Escuro: https://cinematograficamentefalando.com/passos-no-escuro/ Link da entrevista com Daniel Luchetti sobre o filme “Confidenza” / “Trust”: https://cinematograficamentefalando.com/2025/03/16/daniele-luchetti-cresci-com-um-cinema-em-que-era-preciso-discutir-para-completar-a-experiencia/ "Polígrafo": A propósito de “Nightwatch”, protagonizado por Ewan McGregor, o realizador é Ole Bornedal, dinamarquês (e não norueguês). É verdade que o filme é um remake da sua obra homónima de 1994; no entanto, ao contrário do que foi referido, a versão norte-americana não é de 1994, mas sim de 1997. Como curiosidade, “Nightwatch” teve uma sequela em 2023, também realizada por Bornedal, intitulada “Nightwatch: Demons Are Forever”. A comédia romântica protagonizada por Michelle Pfeiffer e Paul Rudd, cujo título português foi escolhido através de um passatempo, é “I Could Never Be Your Woman”, de Amy Heckerling. O título vencedor foi “Nem Contigo... Nem Sem Ti!”.

  • S2 · E17
    June 8 · 1 hr 14 min

    Episódio 17: Abram alas para os novos, e a geração de trás que se lixe! Uma conversa com André Filipe Gonçalves.

    Tudo rima, é quase uma questão de simetria! Buscando o primeiro episódio de “Bola Preta”, numa varanda com vista para a Arrábida, mencionou-se de uma “geração perdida”, sem espaço nem oportunidade para singrar por deleite dos já estabelecidos. Hoje, deixou-se de falar sobre isso, apostou-se em novos nomes e em novas ideias. Para esta segunda ronda de conversas (bem regadas a cevada, por sinal!) deparamo-nos com outro dilema: o lamento daqueles que foram sendo retirados de cena perante o impulso de uma nova vaga de realizadores, sobretudo no terror, a conquistar público e bilheteiras, e sublinhando as suas origens tecnológicas: agora os youtubers é que mandam! Mas deixemos isso para a inevitável “conversa de café”. O convidado é André Filipe Gonçalves, crítico de cinema de longa data, que, no site que durante anos teve como bandeira um certo “movimento” (o que lhe aconteceu, afinal?), escreveu em tempos uma crítica a “The Perks of Being a Wallflower” saída da alma, quase beijada pela musa do momento. Hoje voltamos a reunir-nos. Falamos de videoclipes, xenomorfos, podcasts e dessa nostalgia que parece estar sempre ali, à esquina. A idade não perdoa! “Gosto desta ideia de podcast espontâneo, com ruído ambiente. Faz-me lembrar João Canijo”, disse-me, momentos antes de carregar no botão de gravação. Material de Apoio Texto de André Filipe Gonçalves sobre a vaga youtuber: https://cinematograficamentefalando.com/2026/05/27/serao-os-youtubers-os-novos-realizadores-de-telediscos/ Polígrafo Ao contrário do que foi dito, Florence Foster Jenkins era norte-americana e viveu em Nova Iorque. A adaptação de Stephen Frears, protagonizada por Meryl Streep, procura reconstituir de forma relativamente fiel (ainda que explorando o potencial cómico e o ridículo da situação) a sua trajectória. Já “Marguerite” (2015), de Xavier Giannoli, com Catherine Frot no papel inspirado em Jenkins, transpõe livremente essa história para o contexto francês, e com conotações mais trágicas.

  • S1 · E16
    January 17 · 2 hr 9 min

    Episódio 16: Os Cinéfilos que Ninguém Encomendou. Uma conversa com os Três Já é Companhia.

    E chegamos ao fim de temporada! Içam esses copos: brindemos às “Bolas Pretas”, ou às “Bolas Pretas que nos unem”, porque odiar um filme também é uma prova de amor cinematográfico. Um amor torto é certo, mas continua a ser amor. É dar emoção à arte, sair do papel de espectadores passivos ou meramente passageiros, fazer do cinema o centro da vida, dos afectos e dos encontros. Mas deixemos a conversa fiada, para o final da “season 1” (os anglicismos vieram para ficar), eis a galhofa cinematográfica: três amigos juntam-se, abraçam o projecto e uma vampirada mais morta do que viva, e pelo meio, a sugestão de um ciclo de cinema Jon Bon Jovi, um enredo feito de caos e temas avulsos atirados pela janela. Fiquemos com os hot takes, com as abjecções, as tiradas polémicas e o rufar dos tambores antecedido pela piada. “Bola Preta” regressará, com novos desafios, novos convidados e retornados, novos temas e outros já debatidos ao longo de 16 episódios, tudo isso para lembrar que um podcast também pode ser uma narrativa aventureira, só que não aristotélicas, sem os ditos três actos, “tudo ao molho”, porque não nos neguemos a um facto simples: a cinefilia é, ela própria, uma aventura … e por que não partilhá-la? Comigo, o radialista Rui Alves de Sousa, o podcaster António Araújo e Tiago Laranjo, que poderão encontrar em qualquer bar da cidade: três cinéfilos a provar que Três Já É Companhia… dito isto, fica a roda suplente … eu, quem mais? Material de Apoio António Araújo, Rui Alves de Sousa e Tiago Laranjo fizeram parte de um programa intitulado “Três Já é Companhia”: https://www.youtube.com/@Tr%C3%AAsJ%C3%A1%C3%89Companhia/featured Episódio mencionado do podcast Universos Paralelos sobre a saga “The Exorcist”: https://open.spotify.com/episode/4BmkFamTTzuNEFFNGX0Seb?si=vX7BtFujTpKn_TEw9hAF0A Episódio mencionado do podcast Betamax sobre “Halloween 2” e “Halloween 3: Season of the Witch”: https://open.spotify.com/episode/7xN8gBbSfYy2mv1fAlo2wM?si=nV6Tz1opT6ifTDyuqE3Cow Referência ao formato D-VHS: I Watched This Movie on 10 Different Formats Tiago Laranjo refere a existência de um “Aeroplano francês”. O filme “La Cité de la peur” (1994), de Alain Berbérian, com Alain Chabat, Valérie Lemercier e Gérard Darmon, inscreve-se nessa descrição. “Polígrafo” “We're Back! A Dinosaur 's Story” é realmente uma produção de Steven Spielberg através da sua Amblin Entertainment. À época de gravação deste episódio não havia conhecimento algum de que a Cinemateca iria dedicar um ciclo a Mel Brooks para Fevereiro de 2026. Confirma-se que a iniciativa Hall of Fame ainda se encontra em fase de votação: https://www.hall-of-fame.space/

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  • S1 · E15
    January 12 · 1 hr 44 min

    Episódio 15: Os velhos marretas e o melhor bitoque de Lisboa! Uma conversa com João Antunes

    A nostalgia é uma ferramenta, desejável, até, capaz de converter ex-sonhadores, outrora prontos a conquistar o mundo, em marretas de camarote: velhos críticos que desfazem tudo com uma ou duas palavras jocosas, seguidas de uma gargalhada cúmplice. Na companhia de João Antunes, jornalista de cinema no Jornal de Notícias, deparei-me com um tempo que não vivi, quando o Cinema parecia ser sussurrado como o mais apetecível dos segredos. Longe da sua infalibilidade como tal, propagava-se e difundia-se entre os pares: havia filas, cinefilias atentas, rotinas culturais e até a pornografia nos parecia chique. São deambulações por essas correntes nostálgicas, feitos Velhos do Restelo, partilhando histórias de outros cultos, de outras experiências e de Cannes enquanto festival-bolha, por exemplo, a “engolir-nos” na sua montra de cinema de época, como frutarias abertas em horário de expediente. Há debate sobre “Bola Preta”, o seu valor, o seu significado, duas garfadas no bife para saborear o momento, e um espectro entre nós. “Samuel Fuller!!” Sim, o próprio. “O que é o Cinema, caro senhor Fuller?” perguntamos em conjunto. “Um filme é como um campo de batalha. Há amor, ódio, acção, violência, morte… numa palavra: emoção!” Responde o fantasma. Portanto, já sabem, fiquem com os velhos marretas! Material de Apoio O filme realizado por Anjelica Huston mencionado é “Agnes Browne” (1999), adaptado de um livro de Brendan O'Carroll, tem no elenco para além da actriz, Marion O’Dwyer. By NWR, o streaming com curadoria do próprio Nicolas Winding Refn: https://bynwr.com/ O referido livro de Michel Ciment - “Le Cinéma En Partage : Entretiens Avec N.T. Binh”: https://www.wook.pt/livro/le-cinema-en-partage-entretiens-avec-n-t-binh-michel-ciment/29745258 Polígrafo João Antunes refere um filme realizado pelo escritor francês Gilles Legardinier, “Complètement Cramé !”, com Fanny Ardant e John Malkovich (ao invés de Jeremy Irons, por lapso do convidado).

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  • S1 · E14
    January 2 · 1 hr 14 min

    Episódio 14: Viver nas ruínas do capitalismo? IA, pistoleiras e o Fim do Mundo como se quer. Uma conversa com Mia Tomé

    No início, começamos pelo fim, ou melhor, pelo vislumbre dos escombros que esse projectável ponto final deixará para as (não) futuras gerações. A arte sempre auxiliou o imaginário humano, e é também a primeira a “morrer” pela negligência da espécie, pelo capitalismo fervoroso onde o lucro se assume como o máximo da existência. Discursos fortes e pessimistas à entrada de 2026. Contudo, importa olhar com alguma incerteza e jocosidade - “Não Esperem Muito do Fim do Mundo” -, foi o título de um filme do cineasta romeno Radu Jude, que aponta a desumanização da Humanidade como acelerador do nosso desfecho civilizacional e, ao mesmo tempo, nos acalma as ansiedades: o Apocalipse não terá a espectacularidade que Hollywood nos vendeu. Mia Tomé, actriz, poeta, aventureira no Arizona à procura das stuntwomen dos westerns esquecidos, é a convidada deste episódio, um pouco fatalista, ora habitante desse inquietante uncanny valley. Mesmo sob enredos de IA e substituição humana, é no conforto da “livraria mais bela deste país” (palavras da própria convidada), a Linha de Sombra, que nos refugiamos entre escritos e matéria, toda ela produzida por humanos. Viva a Humanidade? Talvez sim. Ou talvez não. Material de Apoio O álbum “Há um Herbário no Deserto” de Mia Tomé: https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_nQjTT1hFQaL4yK5pBkbZpvFXukEpSbBGE Página oficial dos Artistas Unidos: https://artistasunidos.pt/ O filme soviético referido neste episódio é “Padenie Berlina” (“The Fall of Berlin”, em título internacional), de Mikheil Chiaureli (1950). Devido às constantes “brancas” do vosso anfitrião, o western de William A. Wellman mencionado intitula-se de “Westward of Women”, por cá recebendo o título de “Caravana de Mulheres” (1951) Alguma informação adicional sobre o “Titanic” nazi, produzido pela UFA: https://cinematograficamentefalando.blogs.sapo.pt/a-tragedia-do-titanic-nazi-2948909 Podcast de Rui Alves de Sousa, Imperdoável: https://open.spotify.com/show/7zmdUZyjmfy4SNC4kfkNaO O mencionado episódio de ‘Porta dos Fundos’: https://www.youtube.com/watch?v=-tEPNz8E5jc

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  • S1 · E13
    Dec 21, 2025 · 1 hr 11 min

    Episódio 13: Por onde sopra a Cinefilia? Arqueologia familiar como aventura. Uma conversa com Rafael Fonseca.

    “Que episódio serei?” “Serás o episódio 13!”, respondo com exactidão. “13?!” “Sim, espero que não sejas supersticioso … Eu considero-o um número de sorte.”“Veremos, então.” Para o lugar mais habitual desta jornada chamada “Bola Preta”, sentamo-nos no Bar 39 Degraus da Cinemateca, afastados do balcão para “escapar” dos ruídos habituais de café (esperamos ser bem sucedidos nisso), com possível encosto nos cartazes vintage de filmes de outras épocas: um “Ginger e Fred”, de Fellini, por detrás de mim; uma “Flauta Mágica” diante do convidado; e “Páginas Imortais” entre nós … talvez o filme de Rolf Hansen também ansioso por esta companhia. Pedimos o costume, brindamos. À minha frente está Rafael Fonseca, crítico do site “Tribuna do Cinema”, com uma mão cheia e textos no “Talking Shorts” e no “À Pala de Walsh”, e realizador de uma obra intitulada “Quorum”, filmada no Gerês, povoada por fantasmagorias de invenção camiliana, cavalos improvisados, OVNIs e uma actriz com rosto de cinema à la Eugène Green. Uma das descobertas proporcionadas por 2025, tanto o filme como a pessoa. Fonseca tornou-se presença recorrente em festivais e jantares, e também em ocasionais ‘encontrões’ pelos corredores da Cinemateca. Está aqui para falarmos de uma aventura em particular, a cinéfila no geral. Material de Apoio Rafael Fonseca no Rio Talents 2025 - https://www.festivaldorio.com.br/br/talents/apresentacao Crítica ao “Quorum” - O Cinema da extinção, e dessa morte, a reinvenção. - Cinematograficamente Falando … Informação sobre o Festival Montanha, na Ilha do Pico: mirateca.com/miratecarts/picofestival/default.aspx Entrevista de Rafael Fonseca a Charlie Shackleton no “Talking Shorts”: Truth in Parts — Talking Shorts

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  • S1 · E12
    Dec 17, 2025 · 1 hr 31 min

    Episódio 12: Symbioquê? … O documentário a olhar para si próprio e com alguns amadores pelo caminho. Uma conversa com Luís Mendonça.

    “Então, o que é isso mesmo?”, pergunta o caro convidado. “Diria que é um podcast a tentar regredir, a chegar às suas bases espontâneas… aliás, amadoras.” Esta última palavra ressoa como estardalhaço nos ouvidos do crítico, programador e professor Luís Mendonça. “Amador”, e todas as suas variações, são-lhe queridas, mas não revelamos ainda o porquê. Acrescento: foi numa manhã de segunda-feira, cinzenta, com ameaços constantes de chuva. O cofundador do site de cinefilia “À Pala de Walsh” abriu as “portas” da Cinemateca e, após alguma procura por um espaço que pudéssemos estar no sossego dos deuses, demos de caras com o seu escritório, sob a bênção de um gigantesco cartaz de “As Vinhas da Ira”, de John Ford, pendurado na parede.“Tenho algo para ti”, riposto. “Gostaria de falar contigo sobre um filme específico, do qual tenho a certeza absoluta de estares familiarizado.” “O quê?”, pergunta Mendonça. Abro o bloco de notas; o título não é, de todo, fácil e, como se estivesse a articular a palavra impossível popularizada por Mary Poppins, em alto e bom som, arrisco: “Symbiopsychotaxiplasm: Take One”. Os seus olhos brilham. “Não sabia que William Greaves seria um thing neste nosso encontro!” Material de Apoio Livro “Fotografia e Cinema Moderno: Os Cineastas Amadores do Pós-Guerra” da autoria de Luís Mendonça - https://www.wook.pt/livro/fotografia-e-cinema-moderno-luis-mendonca/19618720 A mencionada crítica a “Marty Supreme” de Josh Safdie: https://www.indiewire.com/criticism/movies/marty-supreme-movie-review-timothee-chalamet-a24-1235163722/ “Polígrafo” Confirma-se! O actor de “Je m'appelle Hmmm...”, Douglas Gordon é um dos realizadores do documentário “Zidane, un portrait du 21e siècle”

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  • S1 · E11
    Dec 12, 2025 · 2 hr 12 min

    Episódio 11: Na teta proustiana do cinema, ou entre dois “velhos do Restelo”. Uma conversa com Pedro Cinemaxunga.

    “Devo dizer que esta será a primeira vez que falamos directamente… quer dizer, estamos à distância, mas mesmo assim…” Avanço como primeira pedra este diálogo em horas de “chichi-cama” com Pedro Cinemaxunga, figura lendária da blogosfera luso-cinematográfica. Hoje, para além do seu espaço ainda imaculado, detém dois podcasts de cinema: “Rádio Cinemaxunga”, considerado por si um exercício lúdico e curatorial, e “Nas Nalgas do Mandarim”, onde, com os dois cúmplices de crime (Miguel Ferreira e Carlos Reis), conduz um programa sem rédeas nem papas na língua sobre cinema e afins. Sobre este episódio em particular, rédeas não há, nem tampouco as ditas papas, mas o resultado é uma conversa entre “gentlemans”, daquelas centradas em histórias e memórias do cinema, temperadas por saudade dos seus tempos áureos. Hoje, com ameaças da Netflix a adquirir a Warner Bros. e a Disney a vender-se à IA, sentimos os “Velhos do Restelo” em nós: datados e obsoletos. Mas o Cinema é uma arte de resistência… é o que é. Eis um “tête-à-tête” com cães, dinossauros, fórmulas, seios, Cannes e o humor de Manoel de Oliveira. Material de Apoio Letterboxd de Pedro Cinemaxunga https://letterboxd.com/cinemaxunga/ Rúbrica “Peitinhos da Quinta” https://cinemaxunga.net/blog/category/peitinhosdaquinta/

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  • S1 · E10
    Dec 5, 2025 · 1 hr 47 min

    Episódio 10: “Procurar o cinema nos filmes”, para lá do conspirativo e da política de autores. Uma conversa com Ricardo Vieira Lisboa.

    Eis o décimo: a viagem pelas bolas pretas ainda agora começou, mas o Cinema continua, paralelamente, a ser desculpa para encontros e reencontros. Não apenas a “ida à sala” ou o filme da semana na Netflix, mas a cinefilia como cuspo que cola eremitas saídos das suas catacumbas. Não é preciso sair da gruta para topar com o centro da questão; para Ricardo Vieira Lisboa, crítico (um dos fundadores do site À Pala de Walsh) e programador da Cinemateca, bastou trazer um barrete. “Estou preparado para o frio.” E assim foi: para a esquina mais distante da esplanada, sob as luzes longínquas do bar e a protecção luminosa da livraria Linha de Sombra na outra ponta. O tempo era contado e a meteorologia estava longe de ser clemente (digamos que o Inverno espreita, aproximando-se sorrateiro), mas nada impediu o que vinha aí: autores, a sua política e o derrube da mesma; criar, implodir, explodir, reinventar, mais uma conversa sobre Cinema, ou melhor, sobre filmes. “Bardamerda para tudo e todos os que são incapazes de descobrir o cinema nos filmes e só procuram os filmes no cinema”, escreveu, certo dia, o nosso ilustre convidado. Material de Apoio Top À Pala de Walsh 2022, onde poderão encontrar a citação no manifesto de Ricardo Vieira Lisboa: https://apaladewalsh.com/2022/12/os-melhores-filmes-de-2022/ Texto mencionado no episódio - “O que é a crítica de cinema” - À Pala de Walsh: https://apaladewalsh.com/2012/07/o-que-e-a-critica-de-cinema/

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  • S1 · E9
    Dec 1, 2025 · 54 min

    Episódio 9: Agentes pasolinianos e chinês com sotaque carioca. Uma conversa com Rodrigo Fonseca.

    Acabado de chegar do Festival do Cairo e mesmo assim com uma insaciável sede de Cinema, Rodrigo Fonseca envia-me um SMS: “Vamos ver o Pasolini que passa no Nimas?”. A resposta foi afirmativa; duas horas depois de ter aterrado, lá estava ele, crítico de cinema de Bom Sucesso, à porta da sala, aguardando a minha chegada naquela tarde com cheiro a Inverno. Um abraço de saudade e partimos rumo ao inóspito: Tebas, romances edipianos e mendigos no fim da linha. “Édipo Rei” fora o filme escolhido para unir dois continentes cinéfilos. Depois, seguiu-se o jantar: uns relatos aqui, outros acolá. “Como foi o Cairo?”, ouve-se da minha parte. “E você? Como tem sobrevivido?”, devolve ele. Pedem-se crepes chineses, vaca à moda de Singapura, sopa de cogumelos, porco com bambu e, a acompanhar tudo, cerveja, pois claro! Clico no record: nasce um novo episódio de Bola Preta, com alguma saudade pelo meio — um reencontro entre amigos, irmãos de mães diferentes, de diferentes no planisférios e cinemas diferentes (nada de utopias aqui). “Temos de ser breves”, avisa, relembrando que o avião partirá pouco depois, rumo ao Rio de Janeiro. Secretismos à parte, a cinefilia tem algo de convívio. “Polígrafo” “Oliver!”, de Carol Reed, a adaptação do romance de Charles Dickens - Oliver Twist - venceu o Óscar de Melhor Filme em 1968, o antecessor desse prémio, do qual nenhum dos intervenientes da conversa recordava era “In the Heat of the Night” de Norman Jewison, com Sidney Poitier.

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  • S1 · E8
    Nov 21, 2025 · 1 hr 42 min

    Episódio 8: Alan Smithee realiza … a uma sexta-feira à tarde com cervejas em promoção! Uma conversa com Tiago Laranjo.

    Descobrir, escavar, ou simplesmente angariar, a cinefilia como um jogo de trivias, ou o conhecimento pelo desconhecido, escasso, o raro, posicionar perante o lado B do Cinema, fora do cânone, das diretrizes e das reluzentes estatuetas e distinções. Tiago Laranjo, conhecido nestas andanças de ‘podcasting’ é uma autêntica enciclopédia de factos e cinematografias fora do radar, apenas o seu debitar leva-nos ir atrás daquele filme poeirento, sempre anexado a uma história de rodagem, ou um capricho de actor. Mas convenhamos, alertar, este episódio não tem nada de enciclopédico, nem há um pingo de organização ou vontade de sê-lo, é antes um caos trabalhado ao sabor da cevada … “Sexta-feira, promoção de cervejas! Leve 2, Pague 1!” … e assim começa, com alguns cameos pelo meio, interrupções pelo outro, informações em rodapé, Alan Smithee passou por aqui, o tal realizador incognito, assinou no pleno anonimato. Um brinde, ou talvez dois, “como é que eu sei isto?”, pergunta retórica do nosso convidado. Ninguém sabe, mas bebemos à mesma, porque a Beatriz Batarda nos espera … Material de Apoio O mencionado episódio do podcast “Livros da Piça”: https://open.spotify.com/episode/27mIT8KoNQddXGFRbb8YDN Podcast “Betamax”, de Tiago Laranjo e António Araújo: https://open.spotify.com/show/16FPxlfAMm7S4hyyS8FY38 Podcast de guiões nunca feitos “Na Gaveta”: https://open.spotify.com/show/101p4HSbTgwxbSBp0M3ozs Episódio de VHS, com a participação de Tiago Laranjo, sobre John Frankenheimer: https://open.spotify.com/episode/6k5DMh9b3eUT5BXDySmKPr Crítica de Roger Ebert a “Transformers: Revenge of the Fallen” de Michael Bay: https://www.rogerebert.com/reviews/transformers-revenge-of-the-fallen-2009 “Polígrafo” Tiago Laranjo menciona um filme de título “Deadly Cop”, mas o verdadeiro título é “Deadly Hero” (Ivan Nagy, 1975) Gillo Pontecorvo teve de facto participação em “The Stupids” de John Landis. Falso! A história de o Fantasporto ter premiado Alan Smithee numa das suas edições é um mito urbano. Contudo, “Hellraiser: Bloodline” encontrou-se a concurso, tendo sido assinado por Alan Smithee, na realidade realizado por Rick Yagher. Correcto! O workshop de Werner Herzog nos Açores tem a inscrição de 8800 euros.

  • S1 · E7
    Nov 13, 2025 · 1 hr 35 min

    Episódio 7: ‘Estás à janela encantada com a tua cinefilia’, os blogs de cinema, o que fazer com as suas carcaças? Uma conversa com José Carlos Maltez

    Um jantar (mais um!? Tradição neste programa? Talvez… não sei, andiamo). Um jantar de resistentes, após o vislumbre do “novo” filme de John Ford na Cinemateca — “The Scarlet Drop” — achado mudo que contraria a extinção declarada destas metragens. História a ser feita, recontada ou apenas contemplada. Sim, aqueles exteriores remetem-nos sobretudo ao teor fordiano que remexemos e embutimos nos nossos textos. Os resistentes são, porém, outros, os bloggers, essa raça maldita, hoje em iminente extinção como os filmes desaparecidos, e, de igual modo, de vez em quando surgem, dão sinais de vida, prometem manifestar-se perante a História, ou, neste caso, na forma de ver e partilhar cinema. José Carlos Maltez é o último dos moicanos, e os treze anos do seu projecto, “A Janela Encantada”, são prova viva dessa teimosia de existir num meio cada vez mais acelerado, imediato e efémero. Entre garfadas e tragos amargos de cevada, eis uma conversa (perdoem a minha voz constipada) de um tempo que não regressa … para o bem e para o mal. Material de Apoio Comemoração 13 Anos de “A Janela Encantada”: https://ajanelaencantada.wordpress.com/category/hoje-escrevo-eu/ Ciclo Alfred Hitchcock na “A Janela Encantada”: https://ajanelaencantada.wordpress.com/category/alfred-hitchcock/ Para adquirir o livro “O Cinema Expressionista Alemão” de José Carlos Maltez: https://ajanelaencantada.wordpress.com/2025/11/13/livro-o-cinema-expressionista-alemao/

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  • S1 · E6
    Nov 2, 2025 · 1 hr 27 min

    Episódio 6: "Há uma beleza triste na derrota", melancolias e finitudes. Uma conversa com Carolina Serranito

    Somos gerações deprimidas, melancólicas, saudosas de tempos que nunca chegámos a viver. E então, o que fazer com esse desalento acumulado e reprimido? O que exigir dela? O que reclamar? Não há respostas para estes encontros tristes, mas existem encontros que, apesar de tudo, não são em nada tristes. Um deles aconteceu com Carolina Serranito, co-fundadora e programadora do Festival Triste para Sempre, uma mostra de filmes longe do circuito “tear-jerker” ou miserabilista, obras que reflectem a nossa natureza cinzenta, por vezes derrotista, por vezes impotente. Falámos dessa tristeza como ponto de partida e viajámos longe: da animação à gaivota como prato principal, de documentários sobre avós a 'almodramas', e tudo cronometrado para um filme perdido de John Ford na Cinemateca, essa curiosidade cinéfila que desfaz qualquer discurso derrotista que tenhamos tecido até então: porque até aquilo que se perde, encontra-se. Material de Apoio Submissões (até 31 de dezembro), questões, outras informações da 6ª edição Festival Triste para Sempre: tristetristeparasempre@gmail.com Episódio-piloto de “Verdade seja Dita” da ETIC: https://www.youtube.com/watch?v=BpsZRbSbhM4 Livro “A Existência da Vida” da escritora finlandesa Iida Turpeinen (Livros do Brasil): https://www.wook.pt/livro/a-existencia-da-vida-iida-turpeinen/31914083

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  • S1 · E5
    Oct 26, 2025 · 1 hr 7 min

    Episódio 5: Cinefilia, a abençoada anomalia … do obsessivo ao paranóico. Uma conversa com Luís Miguel Oliveira.

    Convite feito. Convite aceite. O crítico e programador da Cinemateca, Luís Miguel Oliveira, prepara a sua “Santa Trindade” como oferenda de uma paz cinéfila, e, ao mesmo tempo, sem harmonias nem consensos. Do meu lado, o cinema obsessivo a dar lugar ao cinema paranoico como resposta, dos autores à, realça o convidado, política dos autores (riscar autores se faz favor). Foi assim, naquela tarde rendida ao tempo chuvoso, no Bar 39 Degraus: um pé na boémia, o outro na Cinemateca. “Deveres chamam”, havia alertado Luís. O tempo era curto, mas não interessa, a conversa teria de nascer a qualquer custo. Não foi um combate de boxe, nem algo que valha. Foi, antes, um brinde com copos de imperial — “À decadência!” — porque, neste plano devastado, ou melhor, nas belíssimas ruínas que contemplamos, a cinefilia, a tal anomalia num mundo que nada presta à sua gerência, deve ser debatida, discutida e, muitas vezes, contestada. Contra a consensualidade. Contra o seriado dominante do quotidiano. Material de Apoio “Por Entre Belíssimas Ruínas”, de Luís Miguel Oliveira, no Cinematograficamente Falando …: https://cinematograficamentefalando.blogs.sapo.pt/por-entre-belissimas-ruinas-2316064 “Crítica e Consenso”, da autoria de Filipe Furtado, no À Pala de Walsh: https://apaladewalsh.com/2025/10/critica-e-consenso/

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  • S1 · E4
    Oct 15, 2025 · 1 hr 30 min

    Episódio 4: Depois da Cinemateca, um jantar projectado com VistaVision. Com Samuel Andrade.

    Após um dia de trabalho, Samuel Andrade sai da cabine de projecção da Cinemateca com um único objectivo: jantar. Porém, alguém estava no seu caminho. O encontro gerou outro encontro.“Aonde vamos jantar?” “Aqui, mesmo ao lado; nem é preciso andar muito e ainda ficamos no convívio dos fantasmas da Cinemateca.” Abancamos no fundo da cervejaria, na esperança do mais discreto e sossegado possível. Fomos, contudo, traídos pela compostura daquela noite quente. Depois de solicitarmos o menu, o nosso redor começou a encher-se: cacofonia, tilintar de loiça, brindes avulsos na celebração dos mais diversos tratos. Do nosso canto, o Cinema era parte do cardápio. Samuel havia escrito recentemente um Manifesto pela Salvação da Sala de Cinema, e foi a partir dele que agendamos uma pequena luta armada. Paul Thomas Anderson e o seu “One Battle After Another” serviram de pólvora para o embate. “O streaming não tem piada nenhuma!” Chegámos a um acordo mútuo, entre cavalheiros, cada um com o seu prato, opinando entre garfadas sobre o cinema que relembramos enquanto Cinema: o da sala, e, nos mínimos dos mínimos, o do home video, para destilar os desertores. Cheers. Ler Manifesto aqui: https://filmspot.pt/artigo/manifesto-pela-salvacao-da-sala-de-cinema-14859/

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  • S1 · E3
    Oct 10, 2025 · 1 hr 50 min

    Episódio 3: Uma tarde sem solidão. Uma conversa com Susana Bessa

    Escrever crítica de cinema é um ato solitário e nem sempre o mais pacífico. São guerras interiores, ideias em combustão, a incessante procura por um espaço “silencioso”, longe dos ruídos e da vida urbana, que, ao contrariar a corrente, libertam a inspiração de que necessitamos… ou assim acreditamos. Foi numa dessas tardes solarengas, com vista para a serra da Arrábida, do outro lado da margem do estuário (engajando o episódio inaugural), que a crítica de cinema Susana Bessa se juntou para uma conversa sobre lutas quotidianas, emoções impressas em textos e representações positivas, como também sobre o inevitável ‘entrar’ na arena sob violência intrinsecamente cultural e o sacrilégio desse ritualizado encontro entre homem e animal. Filme, esse, que no seio desta pequena sociedade chamada “cinefilia à portuguesa”, acabou por gerar um debate politizado e até ético. Alguns lamentos acerca da nossa contemporaneidade emergiram, até porque não se combinou ser rigoroso nem seguir fórmulas (aqui não se fala de cartaz). Nelas revelámos o desgaste e, sobretudo, Vida. Porque escrever crítica é aproximar da nossa Humanidade.

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  • S1 · E2
    Oct 3, 2025 · 1 hr 55 min

    Episódio 2: O Cinema quer-se nostálgico … ou será aguerrido? Uma conversa com António Araújo.

    Queixamo-nos da falta de criatividade nos estúdios americanos, mas deixamo-nos embriagar por uma ideia de tempo distante, desses que apenas vivem na memória, como prova de uma existência alternativa. António Araújo, figura central do "podcasting" luso-cinematográfico e coautor do livro "Olhar o Medo", viagem ao cinema de terror em português de Portugal, aceitou, numa noite adentro, abordar este flagelo, porta aberta a outras necrofilias, desapropriações, princesas intergalácticas e crianças armadas. Do elevated horror constatamos a ausência: uma batalha sucedendo-se a outra — emotiva, política, cinematográfica — longe das fortalezas pueris do "cinema confortável". A nostalgia matou o cinema político? Acreditamos que sim. Mas quem somos nós para confirmar ciência exacta?

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  • S1 · E1
    Sep 24, 2025 · 1 hr 33 min

    Episódio 1: Por detrás de uma geração sacrificada e de uma cinefilia estagnada. Uma conversa com Rui Alves de Sousa

    “Não há revolução sem violência”. Recordo estas palavras ao sair do novo filme de Paul Thomas Anderson (“One Battle After Another”) e ao tentar encaixá-lo no mundo que nos cerca cada vez mais. Contudo, escolhi outra forma de resistência: a de um podcast sobre crítica, cinema, cinefilia e latências (ou até lactâncias, se preferirem). Não quis formatos rigidamente definidos, nem estúdios com auscultadores para soar profissional. Quis, sim, uma vista para o Tejo (e a Serra da Arrábida a acenar no horizonte), uma ‘litrosa’ como companhia e um parceiro no crime: o primeiro desta jornada, já tão habituado (ou calejado) nestas andanças do ‘podcasting’. Rui Alves de Sousa, radialista da Antena 1 e editor/colaborador da “À pala de Walsh”, aceitou o desafio. E permitiu, assim, esta resistência: a de fazer um podcast sob a ordem da palavra, do diálogo, por vezes labiríntico; das queixas e lamentos de uma geração perdida e de uma cinefilia pelo mesmo caminho. Sem guiões, sem planos, partimos para a tertúlia. Ao contrário do filme do PTA, sem violências, porque não é a revolução que procuramos, deixaremos isso para outras estâncias, ou estações.

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