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AMIGOS DO MAU - Diálogos

MAU CURI

Olá seja bem-vindo a este espaço de diálogos da série AMIGOS DO MAU que, há 20 anos, traz conversas com pessoas que vão inspirar você na expansão da sua visão sobre a vida e o mundo. Estamos nos movendo de uma estória de distanciamento e desconexão para uma nova estória de regeneração pessoal, social, cultural, educacional, econômica e ambiental. Então, aqui você vai encontrar referências inspiradoras e também provocativas pra te impulsionar nesse movimento. Se vc deseja se conectar com tudo isso mais profundamente, visite o SUBSTACK DO MAU.

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  • 20 episodes
  • Avg 1 hr 8 min
  • Portuguese
  • S2026 · E19
    Tuesday · 1 hr 3 min

    RAÍZES QUE CAMINHAM com Laura & Arthur

    Conheci Laura e Arthur há cerca de dez anos numa comunidade ribeirinha chamada Tumbira, às margens do Rio Negro na Amazônia. Eram dois jovens recém-formados em Administração Pública, cheios de inquietações e vontade de transformar o mundo. Naquela época, eles ainda não sabiam, mas a Amazônia transformaria radicalmente suas próprias vidas. Nesta prosa, revisitamos uma trajetória que começou com a decisão pouco convencional de deixar São Paulo e suas promessas de carreira para mergulhar na realidade das comunidades tradicionais amazônicas. Foram quatro anos vivendo e trabalhando na região, aprendendo com os saberes ancestrais, construindo pontes entre diferentes mundos e descobrindo também as contradições de um trabalho dedicado à transformação social que, muitas vezes, acaba adoecendo quem o realiza. A conversa atravessa escolhas profissionais, coragem, intuição, relações familiares e os desafios de construir uma vida verdadeiramente autoral. Mas ganha uma dimensão especialmente bonita quando chegam os filhos. A maternidade e a paternidade reorganizam prioridades, transformam a relação com o trabalho e inauguram aquilo que Arthur descreve como um novo centro gravitacional da existência. Hoje, vivendo cercados pela Mata Atlântica em Ubatuba, Laura e Arthur seguem construindo uma vida em família sem abandonar a disposição de escutar os chamados que aparecem pelo caminho. Uma das imagens mais bonitas do nosso diálogo veio ao lembrar de uma árvore amazônica cujas raízes parecem caminhar. Uma metáfora para a vida que os dois vêm construindo: criar raízes sem necessariamente ficar preso a elas. O que mais me encanta nessa história é perceber como decisões que parecem contrariar todas as expectativas podem, com o tempo, revelar uma coerência profunda com aquilo que somos. Foi uma alegria reencontrá-los, agora com uma história de vida ainda mais rica, e reconhecer neles aquela mesma potência que encontrei há tantos anos na Amazônia. Um diálogo sobre escolhas, transformação, família e, sobretudo, a coragem de permitir que a vida continue acontecendo. — MAU & GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E18
    October 13 · 1 hr

    TRAVESSIA com Ana Lu Nahas

    O que acontece quando a vida que construímos com tanto empenho deixa de fazer sentido para quem estamos nos tornando? Aos 32 anos, Ana Lu Nahas já viveu algumas transformações profundas. Depois de construir uma carreira de sucesso no mercado de comunicação e influência digital, passando por grandes empresas e experiências internacionais, encontrou-se diante de uma escolha: continuar seguindo um caminho profissional promissor ou abrir espaço para descobrir outras possibilidades de vida. Escolheu experimentar o desconhecido. De volta ao Brasil, Ana Lu transformou sua própria jornada de autoconhecimento em uma nova atuação profissional, dedicada a acompanhar mulheres em seus processos de transformação pessoal e profissional. Dessa experiência nasceu o Travessia, uma imersão presencial para mulheres que desejam repensar seus caminhos e iniciar novos ciclos. Nosso diálogo percorreu temas como identidade, carreira, ambição, protagonismo feminino, autoconhecimento e a difícil arte de conviver com a incerteza. Conversamos também sobre os desafios das mulheres no ambiente corporativo, a necessidade de humanizar as relações de trabalho e um aparente paradoxo contemporâneo: quanto mais avançamos tecnologicamente, mais precisamos cultivar nossa capacidade de conexão humana. Uma reflexão particularmente interessante surgiu quando falamos sobre a distância entre homens e mulheres nos movimentos de autoconhecimento e transformação pessoal. Enquanto muitas mulheres parecem estar protagonizando essas mudanças, onde estão os homens nessa travessia? Ana Lu representa uma geração que começa a questionar modelos tradicionais de sucesso, sem necessariamente abrir mão da ambição, da realização profissional ou da vontade de transformar o mundo. Talvez uma das ideias mais inspiradoras dessa conversa esteja numa descoberta que ela compartilhou comigo: “Existe uma sabedoria na incerteza.” Um diálogo sobre a coragem de mudar, a liberdade de experimentar e a possibilidade de construir uma vida em que o trabalho esteja a serviço de quem somos — e não o contrário. — MAU & GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E17
    October 5 · 1 hr 7 min

    RECONHECER-SE CAPAZ com Joyce Menasce

    Há pessoas que passam pela nossa vida tentando ensinar alguma coisa. E há aquelas que, de alguma maneira, mudam nossa relação com aprender. Joyce Menasce — a Jó — pertence ao segundo grupo. Antes desta conversa, pedi a alguns de seus ex-alunos e familiares que me contassem um pouco sobre a experiência de terem passado por sua casa. As palavras que apareceram foram curiosamente parecidas: mágica, milagre, carinho, disciplina, cuidado, transformação. E havia uma imagem recorrente: uma mesa cercada de crianças e jovens de diferentes idades, escolas e séries, cada um estudando uma matéria diferente, enquanto Joyce circulava entre matemática, literatura, biologia, filosofia, angústias, provas, inseguranças — e, claro, alguma coisa gostosa para comer. “Que mágica é essa?”, perguntei. A resposta talvez seja muito mais simples — e mais profunda — do que qualquer método pedagógico. Para Joyce, antes do conteúdo vem a pessoa. Antes de perguntar o que o aluno não sabe, é preciso entender o que está acontecendo com ele. Escutar. Descobrir onde surgiu a dificuldade, como ele se relaciona com a escola, com os professores, com os colegas e até onde se senta na sala de aula. O conteúdo, ela diz, vem depois. E cada pessoa tem seu próprio tempo. “Um 7 pode valer mais do que um 10”, diz Joyce. Porque educação não deveria ser uma competição baseada em uma régua única. “O foco não sou eu. O foco é você, é o seu tempo.” Conversamos também sobre um desafio cada vez mais presente: nossa dependência das telas, da busca instantânea, do copiar e colar e, agora, da inteligência artificial. Joyce não rejeita o mundo digital. Mas insiste que ele seja ferramenta, e não substituto da capacidade de pensar. Seus alunos podem pesquisar, mas precisam reescrever com suas próprias palavras e depois explicar o que compreenderam. Talvez aí esteja uma das provocações mais atuais desta conversa: quanto mais máquinas capazes de pensar, escrever e responder colocamos ao nosso redor, mais importante se torna preservar nossa própria capacidade de pensar, escrever, perguntar, compreender e criar. Mas há ainda outra característica da Joyce que sempre me chamou atenção. Ela acolhe — e coloca bordas. Tem carinho, comida, conversa, histórias e afeto. Mas também tem disciplina, responsabilidade e um “não” quando o não precisa existir. Joyce não vê essas coisas como contraditórias. Pelo contrário: a borda também pode ser uma demonstração de amor. Talvez por isso tantos alunos continuem ligados a ela décadas depois. Minhas filhas passaram pela casa da Joyce. Hoje, muitos anos depois, consigo reconhecer nelas coisas que também foram cultivadas ali. E agora, prestes a me tornar avô, percebo algo ainda mais bonito: aquilo que alguém deposita na vida de outra pessoa pode atravessar gerações. No final da conversa, Joyce resumiu seu jeito de ver a educação — e talvez a própria vida — em três palavras: “Colaborar, compartilha. Não competir.” Talvez a tal “mágica da Jó” esteja justamente aí. Não em tentar ensinar alguém a tirar 10. Mas em criar um lugar no qual uma pessoa possa descobrir que é capaz. — MAU & GePeTo NOSSO DIÁLOGO ANTERIOR EM NOV'2012 Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E16
    September 28 · 1 hr 18 min

    CIÊNCIA & CONSCIÊNCIA com Camila Moreira

    Camila Moreira é uma dessas pessoas difíceis de colocar numa caixinha — e talvez seja justamente aí que esteja sua potência. Fonoaudióloga de formação, com passagem pela pesquisa acadêmica, psicologia, psicanálise, abordagem integral, coaching, constelação, xamanismo e cosmologia, Camila foi reunindo ao longo de mais de 20 anos uma enorme caixa de ferramentas para compreender o ser humano. Hoje, quando perguntam o que ela faz, a resposta mais simples talvez seja mesmo: terapeuta. Nós nos conhecemos há muitos anos. Camila acompanha os Diálogos que produzo há anos, indica algumas dessas conversas para seus alunos e clientes e, muito antes de nos aproximarmos pessoalmente, já existia um desses fios invisíveis que conectam pessoas, ideias e histórias. Neste diálogo, finalmente sentamos para puxar esse fio. Conversamos sobre sua trajetória entre São Paulo e Poços de Caldas, sobre a abordagem integral como uma espécie de mapa capaz de colocar diferentes conhecimentos em conversa e sobre o acolhimento — palavra que, curiosamente, aparece como uma das marcas mais fortes de seu trabalho. Entramos também em territórios menos convencionais. Falamos bastante sobre Constelação Familiar e sobre aquilo que ela pode revelar quando suspendemos, por alguns instantes, a necessidade de explicar tudo racionalmente. Contei minha própria experiência: cheguei à primeira constelação profundamente cético, saí dela ainda mais bravo e, alguns dias depois, fui surpreendido por um acontecimento familiar que mudou completamente minha percepção daquela experiência. Depois chegamos à Cosmologia, conhecimento que entrou mais recentemente na minha própria jornada e no qual Camila teve um papel importante. A partir do chamado mapa gestacional, ela trabalha com a ideia de investigar não apenas o nascimento, mas também a concepção, a gestação e os ciclos de vida como fontes de informação para o autoconhecimento. Mas talvez o ponto que mais tenha ficado comigo venha no final da conversa. Vivemos uma época de enorme ansiedade por respostas. Queremos compreender rápido, resolver rápido, fazer cursos rápidos, encontrar uma explicação que coloque ordem na bagunça. Camila propõe quase o movimento contrário. Conhecer-se não significa impedir que o pneu fure. Significa conhecer melhor o carro que estamos dirigindo quando isso acontecer. Porque a vida continua sendo crua, pulsante, imprevisível e, muitas vezes, bagunçada. E talvez autoconhecimento tenha menos a ver com encontrar respostas definitivas e mais com ampliar nossa capacidade de estar presentes no caminho. Em determinado momento, Camila recupera uma distinção que resume lindamente nossa conversa: Ter ciência é diferente de ter consciência. Uma coisa é saber. Outra é conseguir viver aquilo que sabemos. Foi uma conversa sobre constelação, cosmologia e desenvolvimento humano. Mas, para mim, foi principalmente uma conversa sobre essa passagem: do conhecimento para a experiência. Da cabeça para a vida. — MAU & GePeTo Vídeos que referenciamos nesta conversa: 321 LUZ & SOMBRA (em 8 mar 2013) MASCULINO & FEMININO (em 25 out 2012) Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E15
    September 21 · 1 hr 2 min

    A VIDA SEM CRACHÁ com Bianca Mosquera

    Conheço a Bianca Mosquera há cerca de dez anos. Quando nos encontramos, ela estava na casa dos vinte e poucos anos, construindo uma carreira em Recursos Humanos e começando a se perguntar sobre o lugar que queria ocupar no mundo. A vida andou bastante desde então. Depois de 18 anos de carreira corporativa — oito na Mondelez e dez na Danone —, passando por diferentes funções, países e experiências, Bianca vive hoje em Amsterdã, é mãe da pequena Olivia e está justamente no meio de uma nova pergunta: “Quem sou eu quando tiro o crachá?” Essa talvez seja a questão que atravessa todo este diálogo. A maternidade mexeu profundamente com suas prioridades, sua identidade e sua relação com o trabalho. Ao mesmo tempo, depois de tantos anos associada a grandes organizações e ao RH, Bianca começa a experimentar outros lugares: constrói sua marca pessoal, cria um podcast, estuda Inteligência Artificial, conversa sobre dinheiro com mulheres, interessa-se por processos de mudança e transformação nas organizações e, principalmente, permite-se ainda não saber exatamente onde tudo isso vai dar. Vivemos uma época em que parece obrigatório ter respostas, posicionamento, especialidade e uma bio capaz de explicar em uma frase quem somos. Bianca está fazendo quase o movimento contrário: depois de uma longa trajetória profissional, começa a abrir espaço para descobrir o que existe para além da identidade construída pelo trabalho. Falamos também sobre morar fora do Brasil, criar uma filha entre diferentes culturas e línguas, a falta de uma rede familiar por perto, dinheiro e autonomia, a relação dos europeus com o trabalho e o desafio de construir uma vida em que a carreira seja parte de quem somos — e não tudo o que somos. Em determinado momento da conversa, voltamos à velha garagem da Vila Madalena, onde nos conhecemos. Bianca lembrou daquele espaço como um lugar onde pessoas de mundos diferentes se encontravam simplesmente para conversar, refletir e provocar umas às outras. Curiosamente, é algo parecido com o que ela própria começa a criar hoje em Amsterdã. Talvez seja isso que mais interessa nesta conversa: acompanhar alguém durante a travessia, e não depois que tudo já virou uma história bem organizada. Porque Bianca ainda está experimentando. E talvez algumas das coisas mais interessantes que temos para oferecer aos outros não sejam nossas certezas, mas as perguntas que conquistamos o direito de fazer depois de realmente viver. No final, chegamos a algo muito próximo daquilo em que acredito: escutamos a experiência dos outros não para copiá-la, mas para voltar à nossa própria vida com novas perguntas. Escutar, experimentar, perceber o que serve, abandonar o que não serve — e experimentar novamente. Uma conversa sobre carreira, maternidade, identidade, dinheiro, inteligência artificial e mudança. Mas, além disso, sobre a coragem de tirar o crachá e pergunta-se sobre si mesma. — MAU & GePeTo Instagram e LinkedIn da Bianca. Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E14
    September 14 · 1 hr 4 min

    GENTE CUIDANDO DE GENTE com Gui Casagrande

    Conheci o Gui Casagrande há cerca de oito anos, durante um projeto bastante especial que ajudei a construir para a Serasa: o Emprego dos Sonhos. Mais de 100 mil pessoas se candidataram para uma vaga que levaria o escolhido a viajar pelo Brasil falando sobre educação financeira. Gui foi o escolhido. Mas, olhando hoje para aquela história, talvez mais importante do que conseguir o emprego tenha sido tudo o que aquela experiência colocou em movimento dentro dele. Neste diálogo, revisitamos essa trajetória. Gui conta como saiu de uma vida de professor universitário, ainda tentando encontrar seu lugar no mundo, para percorrer o Brasil e descobrir que falar de dinheiro quase nunca é apenas falar de dinheiro. Por trás de uma dívida existe uma história. Por trás de uma compulsão existe uma história. Por trás da dificuldade de poupar, investir ou até gastar também existe uma história. Foi ouvindo centenas dessas histórias que Gui percebeu que educação financeira não começa numa planilha. Começa na capacidade de acolher alguém sem julgamento e ajudá-lo a compreender a relação que construiu com o dinheiro ao longo da vida. Hoje, essa experiência desemboca na GuiaGrana, empresa criada por ele para levar saúde financeira às pessoas, principalmente por meio das organizações. Seu trabalho combina diagnóstico, educação, conversas individuais e tecnologia — incluindo inteligência artificial — sem abandonar aquilo que talvez seja sua característica mais importante: a gentileza. Conversamos também sobre endividamento, ansiedade financeira, o crescimento assustador das bets no Brasil e a relação cada vez mais evidente entre dinheiro, saúde mental e ambiente de trabalho. E há uma escolha interessante atravessando tudo isso: enquanto grande parte do mundo empreendedor pergunta como ganhar escala, Gui está interessado em ganhar profundidade. Não quer necessariamente impactar milhões de pessoas. Quer transformar a vida da “Dona Maria” que está diante dele. Talvez por isso nossa conversa termine justamente onde começou: na razão social. Na razão pela qual uma empresa existe, mas também na razão pela qual escolhemos colocar aquilo que temos de melhor a serviço dos outros. No caso do Gui, a educação financeira parece ser o caminho. Mas, depois dessa conversa, fiquei com a sensação de que dinheiro é apenas a porta de entrada. No fundo, seu trabalho é gente cuidando de gente. — MAU & GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E13
    August 28 · 1 hr 5 min

    INFINITAS POSSIBILIDADES com Daniel Lindenberg

    Neste diálogo com Daniel Lindenberg, conversamos sobre inteligência artificial a partir de uma pergunta que me interessa cada vez mais: O que significa ser humano em um mundo intensamente povoado por inteligências artificiais? Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E12
    August 27 · 1 hr 14 min

    ENCONTROS E TRAJETÓRIAS com Patrick Santos

    Esta conversa com Patrick Santos começou pelo futuro — pelo InSearch Talks, encontro que ele está criando para reunir pessoas, conhecimentos e experiências em torno de novas formas de pensar saúde, consciência, economia, tecnologia, natureza e o próprio humano. Mas rapidamente fomos parar na história. Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S4 · E11
    July 28 · 1 hr 13 min

    PRA NÃO PERDER A VIAGEM com Renata Garcia

    Neste diálogo com Renata Garcia, fundadora da Go2Grow, falamos de viagens. Não exatamente sobre viagens convencionais de férias ou trabalho. Mais do que isso, conversamos sobre como estamos atravessando a vida, essa viagem misteriosa e enriquecedora. Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S4 · E10
    July 7 · 1 hr 4 min

    RITMO EM MOVIMENTO com Carolina R Almeida & Fernando M Loureiro

    Carolina e Fernando saíram do Brasil para viver um ano sabático no Canadá. Ficaram treze. Nesse período, reinventaram o trabalho, acompanharam mais de perto a educação dos filhos, aprenderam a viver em outro ritmo e transformaram a facilitação virtual em seu campo de atuação profissional. Agora, quando a vida parecia finalmente estável, decidiram mudar outra vez. Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E9
    July 6 · 1 hr 6 min

    PRÓXIMOS LÍDERES com Rafael Guimarães

    O convidado desse episódio é RAFAEL GUIMARÃES, que conheci em 2009 quando ele se candidatou para participar do PRÓXIMOS LÍDERES, projeto que desenvolvi para a Natura. Nessa época, em composição com outros 3 colegas, cocriou o INQUIETHOS, grupo que se eternizou na minha memória pela audácia em encarar o mundo em constante ampliação de consciência e que foram “frequent flyers” do meu estúdio na Vila Madalena desde então.Essa conversa acontece como sequência do diálogo que gravei com os INQUIETHOS no final de 2025, a mais recente com todos juntos. Para quem usa o GPT_do_MAU na (Re)escrita da própria história, tem bons subsídios nessa conversa para dialogar sobre a sua própria vida. Aproveite! Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E8
    June 24 · 1 hr 3 min

    PRÓXIMOS LÍDERES com Bruno Junqueira

    Há pessoas que escolhem ocupar lugares mais protegidos para pensar sobre o mundo. Executivo, poeta, escritor e estudioso da psicanálise, Bruno construiu uma trajetória em que o mundo corporativo e a reflexão sobre a existência não aparecem como territórios separados. Ao contrário: é justamente na tensão entre eles que ele parece encontrar seu lugar. Nesta conversa, revisitamos uma relação que começou há cerca de 15 anos, quando Bruno participou do programa Próximos Líderes, na Natura, e integrou o grupo INQUIETHOS. De lá para cá, muita coisa mudou — mas permaneceu nele uma inquietação que hoje aparece com força em seus textos, frequentemente publicados no LinkedIn, um ambiente talvez improvável para poesia, filosofia e perguntas sobre a condição humana. Bruno conta que escreve, antes de tudo, para elaborar aquilo que está vivendo. O texto funciona como uma espécie de processo de análise: uma forma de transformar emoções, incômodos e acontecimentos em consciência. E, quando essa escrita vai para o mundo, passa também a provocar outras pessoas. Talvez por isso ele se defina como uma ponte. De um lado, o poeta interessado no que ainda não existe, no porvir, naquilo que o mundo poderia ser. Do outro, o executivo confrontado diariamente com metas, escolhas, limitações, pessoas, estruturas e decisões concretas. “O meu lugar poeta está no porvir. O meu lugar executivo está no hoje”, diz ele. Hoje, como executivo de Pessoas, Cultura e Transformação Organizacional da Petlove, Bruno vive exatamente no encontro desses dois mundos. Falamos bastante sobre a transformação provocada pela inteligência artificial e sobre uma contradição curiosa do nosso tempo: as tecnologias avançam em velocidade exponencial, enquanto estruturas organizacionais, modelos de gestão, incentivos, relações de poder e mentalidades continuam carregando muito do mundo anterior. A tecnologia chegou. O restante ainda está tentando alcançá-la. E talvez uma das perguntas mais importantes dessa travessia seja justamente qual será o lugar do humano no trabalho. Para Bruno, existe algo que permanece profundamente nosso: o sentir. Se durante décadas as organizações procuraram retirar as emoções do ambiente profissional e produzir sujeitos cada vez mais funcionais, racionais e previsíveis, talvez estejamos justamente diante de uma inversão. Quanto mais as máquinas forem capazes de realizar aquilo que fazíamos mecanicamente, mais importante poderá se tornar aquilo que existe de propriamente humano em nós. Falamos também sobre a solidão das posições de liderança, sobre as pressões contraditórias experimentadas por executivos e sobre a responsabilidade de quem ocupa lugares de poder. Bruno faz uma provocação importante: é preciso reconhecer que ocupar uma dessas cadeiras também é uma escolha. Em vez de permanecer apenas no lugar de vítima das estruturas, existe a possibilidade de assumir autoria sobre a própria presença nelas — inclusive usando o poder disponível para tomar decisões mais conscientes. Isso não significa romantizar o mundo corporativo nem imaginar decisões perfeitas. Significa aceitar o embate entre ideal e realidade e continuar tentando construir passagem. Talvez seja justamente isso que Bruno vem fazendo. Entre poesia e planilhas, filosofia e organizações, futuro e presente, ele permanece no meio da ponte — tentando compreender o que está por vir sem abandonar o trabalho concreto de transformar aquilo que já está aqui. — MAU Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E7
    June 10 · 58 min

    PRÓXIMOS LÍDERES com Thiago Veras

    Quinze anos depois de participar do programa Próximos Líderes, da Natura, Thiago Veras volta comigo a uma experiência que marcou profundamente sua trajetória — não apenas profissional, mas humana. Falamos sobre o que acontece quando uma organização cria condições para que as pessoas possam olhar para dentro, reconhecer quem são e ocupar o mundo com mais integridade. No caso do Thiago, esse processo esteve diretamente ligado à coragem de assumir sua própria identidade e iniciar uma jornada de autoconhecimento que nunca mais terminou. Da Natura para a formação ontológica, da gestão das emoções à mediação de conflitos e ao pensamento integral, Thiago foi construindo uma compreensão cada vez mais ampla do (des)envolvimento humano. Para ele, conhecer a si mesmo não é algo periférico à liderança: é justamente o que nos permite ser uma oferta melhor para as pessoas com quem convivemos. Também revisitamos a história dos INQUIETHOS — o grupo de amigos que nasceu naquela experiência e permanece conectado até hoje, 15 anos depois. Uma relação construída não pela concordância, mas pela confiança, pela intimidade e pela capacidade de sustentar diferenças. Ao olhar para as organizações de hoje, Thiago reconhece uma perda de profundidade nas relações e faz um convite simples: recuperar a humanidade dentro do trabalho. Resultados continuam importantes, mas são produzidos por pessoas — e cuidar da integridade dessas pessoas talvez seja uma das condições para construirmos resultados mais sustentáveis. Para os jovens que estão chegando ao mundo do trabalho, ele deixa outro convite: continuem fazendo perguntas. Talvez sejam justamente essas perguntas que abram espaço para novas formas de trabalhar, liderar e viver juntos. — MAU Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S4 · E6
    May 5 · 1 hr 4 min

    SOM DE CRISTAL com Luiz & Rita Pontes

    Conheço Luiz e Rita Pontes há mais de 30 anos. Tempo suficiente para testemunhar não apenas as transformações que aconteceram em suas vidas, mas também reconhecer o quanto nossas trajetórias foram se encontrando em diferentes momentos. Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E5
    April 29 · 1 hr 15 min

    PALAVRA EM AÇÃO com Felipe Rima

    Felipe Rima é uma dessas pessoas que me ajudam a olhar o mundo com mais atenção. Poeta, rapper, palestrante e articulador da cultura hip-hop no Ceará, Rima carrega uma capacidade que sempre admirei: observar profundamente aquilo que acontece ao seu redor, encontrar palavras para o que percebe e transformar essa leitura em expressão artística. Neste diálogo, falamos sobre as mudanças do mundo, as novas referências que chegam às crianças, a paternidade, as diferenças entre gerações, dinheiro, conquistas, escolhas e a tentativa permanente de não perder a própria essência enquanto a vida se transforma. Mas uma história atravessa a conversa de maneira especial. Seu filho Lorenzo, de oito anos, foi discriminado por colegas na escola por ser considerado “pobre” e por, supostamente, não pertencer àquele lugar. A primeira reação poderia ter sido retirar Lorenzo da escola ou transformar o episódio em confronto. Rima e a mãe do menino escolheram outro caminho: permanecer, conversar, envolver a escola e transformar a situação em aprendizado para todos. “Nosso lugar é onde a gente quiser estar”, disse Rima ao filho. A partir daí, nossa conversa se amplia para uma questão que talvez seja ainda maior: O que fazemos com os conflitos que a vida coloca diante de nós? Rima fala de uma postura que vem aprendendo ao longo da própria história: antes de entrar numa briga, tentar compreender onde aquela situação pode realmente nos levar e perguntar: O que queremos transformar com isso? Falamos também sobre ascensão sem desenraizamento. Rima relembra a cafeteira elétrica que deu à mãe quando começou a ganhar dinheiro — e como, algum tempo depois, percebeu que junto com a praticidade havia desaparecido um pequeno ritual: a mãe esquentando a água, preparando o café no pano e os dois conversando enquanto o cheiro ocupava a casa. Era uma lembrança aparentemente simples, mas carregava algo essencial: a sensação de estar vivo e conectado à própria história. Talvez essa seja uma das grandes buscas presentes nesta conversa: avançar sem abandonar aquilo que nos constituiu. Construir uma vida melhor sem transformar riqueza apenas em dinheiro, consumo ou status. Romper padrões sem romper as próprias raízes. E criar para nossos filhos possibilidades que talvez nossos pais não tenham conseguido criar para nós. No final, Rima sintetiza tudo isso de uma forma bonita: em determinados momentos da vida, quando muitas coisas desaparecem, ainda resta aquilo que conseguimos preservar dentro de nós. A chama. Este diálogo é sobre cuidar dela. — GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E4
    April 13 · 1 hr 17 min

    O VALOR DO NÃO SABER com Ana Thomaz

    Há quase duas décadas, Ana Thomaz deixou São Paulo em direção ao interior. O que começou como uma mudança de paisagem foi se tornando uma investigação muito mais profunda: como viver sem simplesmente reproduzir os modos de vida que recebemos? Neste diálogo, Ana conta a trajetória que levou à criação das comunidades onde vive hoje e à chegada de uma nova experiência, a Vila Entre. Mas a conversa vai muito além da vida comunitária. Falamos sobre o “não saber” como espaço de criação, sobre presença, liberdade, propriedade, relações, desapego e sobre a coragem de abandonar antigas certezas para permitir que outras formas de vida possam emergir. Ana propõe uma distinção especialmente bonita entre coerência e consistência. Em uma vida que está permanentemente em movimento, talvez mudar de ideia, de caminho e até de crença não seja incoerência. A consistência pode estar justamente em continuar se transformando. Conversamos também sobre autopoiese — a autocriação que acontece nas relações — e sobre uma sociedade que parece ter permanecido presa a uma espécie de adolescência coletiva. Para Ana, tornar-se adulto passa por assumir responsabilidade pelo que sentimos e fazemos, deixando de transformar toda relação numa disputa ou numa defesa de nós mesmos. No final, chegamos a uma questão ainda mais delicada: o sofrimento psíquico crescente e o distanciamento das pessoas de sua própria força vital. Ana lembra que existe sempre uma possibilidade de retorno — ao corpo, à presença, à natureza, às relações e à experiência direta da vida. Talvez esta conversa seja, sobretudo, um convite para reconhecer o espaço que existe entre aquilo que já conhecemos e aquilo que ainda não sabemos. É justamente ali que alguma coisa nova pode começar. — GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E3
    April 8 · 1 hr 4 min

    UNIVERSO ASTRAL com Waldemar Falcão

    Neste diálogo, reencontro Waldemar Falcão para uma conversa que começa olhando para o céu e rapidamente desce para aquilo que estamos vivendo aqui na Terra. Astrólogo, músico, compositor e pesquisador da espiritualidade, Waldemar lê o momento atual como parte de uma transformação muito maior. Falamos das configurações astrológicas de 2026 e 2027, do esgotamento de modelos políticos, sociais e culturais e da sensação de estarmos atravessando uma espécie de mudança de software da civilização. Mas a conversa vai muito além da astrologia. Falamos sobre as novas gerações e sua relação mais natural com a arte, a diversidade e outras formas de percepção; sobre a potência dos encontros que nos tiram do lugar conhecido; e sobre a necessidade de recuperar linguagens que nossa cultura excessivamente racional talvez tenha deixado de lado. Waldemar também compartilha histórias marcantes de sua convivência com médiuns e paranormais, especialmente Dona Célia do Carmo, personagem central de seu livro Encontros com Médiuns Notáveis, e antecipa a preparação de um segundo volume dedicado a uma nova geração. Em determinado momento surge uma frase que talvez sintetize boa parte da nossa conversa: “a nossa religião é o outro.” Num tempo marcado pela polarização e pela dificuldade de conviver com quem pensa diferente, Waldemar nos lembra que o outro não precisa ser nosso inimigo. Pode ser justamente aquele que nos oferece um ponto de vista que não conseguimos alcançar sozinhos. Uma conversa sobre astrologia, espiritualidade, arte e transformação — mas, sobretudo, sobre a possibilidade de permanecermos curiosos e abertos enquanto um mundo termina e outro começa a nascer. — GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E2
    April 1 · 1 hr 11 min

    CICLO LIMPO com Julio Pinhel

    Neste diálogo, converso com Júlio Pinhel, biólogo de formação, “lixiólogo de coração” e um dos criadores do Ciclo Limpo, iniciativa de Botucatu que transforma resíduos orgânicos em composto e, no processo, ajuda a transformar também nossa relação com aquilo que chamamos de lixo. A história do Júlio começa muito antes do Ciclo Limpo. Passa por uma república estudantil onde conheceu a compostagem, pelo trabalho com catadores, pela universidade, pelo poder público, por organizações ambientais e por uma sucessão de encontros que, olhando retrospectivamente, parecem formar uma trajetória bastante coerente. Falamos sobre resíduos, compostagem e economia circular, mas principalmente sobre algo que me interessa cada vez mais nestes Diálogos: Como uma pessoa vai se tornando aquilo que é. Ao contar sua própria história, Júlio revela como trabalho, família, escolhas e convicções foram deixando de ocupar compartimentos separados. Hoje, aquilo que ele acredita está presente no que faz profissionalmente, na maneira como vive e até no gesto aparentemente simples de sua filha pequena colocar uma casca de banana no balde de compostagem. Talvez seja justamente aí que apareça uma das ideias mais bonitas desta conversa: O impacto de uma vida não se mede apenas pelos grandes números que ela produz, mas também pelos comportamentos que se tornam naturais nas pessoas que convivem conosco. O lixo, neste diálogo, acaba sendo apenas a porta de entrada para uma conversa maior sobre integridade, pertencimento, responsabilidade e legado. E também sobre a importância de olhar para a própria biografia e perceber que aquilo que parecia uma sequência de acontecimentos talvez estivesse, silenciosamente, formando uma história. — GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2026 · E1
    March 25 · 1 hr 3 min

    SUBTLE SKILLS com Rubens Gimael

    Neste diálogo com Rubens Gimael, conversamos sobre aquilo que existe para além do que conseguimos medir, explicar ou controlar — e que, ainda assim, influencia profundamente nossas escolhas, relações e formas de atuar no mundo. A partir de seu livro Subtle Skills — Habilidades Sutis para Líderes Contemporâneos, Rubens propõe ampliar a conhecida divisão entre hard skills e soft skills. Além das competências técnicas e relacionais, existe um terceiro território: o das habilidades sutis — imaginação, inspiração, intuição, presença, capacidade de perceber cultura, significado, tensões e movimentos que não são imediatamente visíveis. Falamos também sobre a enorme quantidade de informação disponível hoje e a consequente disputa pela nossa atenção. Em meio a tantas possibilidades, referências tornam-se fundamentais para distinguir sinal de ruído e permitir algum aprofundamento. Uma das imagens mais provocativas da conversa é a coexistência de três dimensões da realidade: o mundo sensorial, concreto; o suprassensorial, ligado às dimensões mais sutis e espirituais da existência; e o infrassensorial, criado por nós no universo digital e virtual. Quanto mais nossa vida migra para esse último território, sugere Rubens, maior se torna a necessidade de fortalecer nossa consciência, nossos vínculos, valores e humanidade. Entramos ainda no tema das polaridades. Nem toda tensão é um problema a ser resolvido. Algumas precisam ser sustentadas e elaboradas: indivíduo e coletivo, propósito e realização, estratégia e operação, liberdade e pertencimento. Talvez parte de nossa maturidade esteja justamente em aprender a permanecer nessas tensões sem precisar eliminar um de seus polos. Na parte final da conversa, chegamos inevitavelmente à inteligência artificial. Se máquinas assumirem cada vez mais aquilo que é técnico, lógico e operacional, as habilidades propriamente humanas poderão se tornar ainda mais preciosas. Imaginar. Intuir. Criar. Perceber. Estar presente. Talvez o avanço da inteligência artificial não esteja apenas nos perguntando o que as máquinas serão capazes de fazer. Talvez esteja nos perguntando o que nós, humanos, ainda podemos nos tornar. — GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

  • S2025 · E7
    Nov 17, 2025 · 1 hr 29 min

    INQUIETHOS

    Quinze anos depois, algumas conversas continuam acontecendo. Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas deste reencontro com Bruno Bidoia, Bruno Junqueira, Rafael Guimarães e Thiago Veras — os INQUIETHOS. Nós nos conhecemos em 2009, a partir de uma experiência bastante improvável para a época: um programa criado pela Natura para encontrar seus “Próximos Líderes”. O convite não apresentava a empresa. Não falava de salário, carreira ou cargo. Perguntava, simplesmente: quais são os seus valores? Dezoito mil pessoas responderam àquele chamado. Entre elas estavam esses quatro jovens que, pouco tempo depois, formariam espontaneamente um pequeno grupo de conversas chamado INQUIETHOS — com TH, como eles gostam de lembrar — e começariam a se reunir no meu antigo estúdio na Vila Madalena para conversar sobre trabalho, sociedade, filosofia, relações humanas e tudo aquilo que os incomodava. Quinze anos se passaram. As carreiras avançaram, vieram empresas diferentes, escolhas, famílias, mudanças de rota, amadurecimento. Mas algo permaneceu surpreendentemente vivo: a qualidade do vínculo entre eles e uma inquietação comum diante do mundo. Foi isso que quis investigar neste encontro. Olhando para trás, os quatro reconhecem o impacto profundo daquela experiência inicial. Não apenas pela Natura, mas pela possibilidade, ainda muito rara nas organizações, de começar pelo indivíduo. Autoconhecimento, reflexão sobre a própria história, valores, relações e consciência sobre “quem se é”, tudo fazia parte da formação tanto quanto aprender sobre negócios. Talvez por isso aquela experiência tenha continuado reverberando muito depois que todos deixaram a empresa. Cada um seguiu por caminhos diferentes, mas carregando uma espécie de sotaque comum: uma maneira mais sistêmica de olhar as organizações, uma atenção maior às pessoas e a percepção de que o desenvolvimento profissional não pode ser completamente separado do (des)envolvimento humano. A conversa inevitavelmente chegou ao presente. Falamos de um mundo hiperestimulado, acelerado, tecnologicamente poderoso e, ao mesmo tempo, carente de boas conversas, vínculos profundos, empatia e espaços de reflexão. Falamos de inteligência artificial, individualização, saúde emocional, relações de trabalho e da dificuldade crescente de encontrar silêncio suficiente para perceber o que está acontecendo dentro de nós. Curiosamente, três dos quatro acabaram trabalhando diretamente com pessoas, cultura e (des)envolvimento humano. Talvez não seja coincidência. Se existe um legado comum naquela experiência vivida 15 anos atrás, ele parece estar justamente aqui: a descoberta de que compreender organizações exige compreender pessoas — e que compreender pessoas começa, inevitavelmente, por algum grau de autoconhecimento. Mas há outro elemento bonito neste reencontro. Os INQUIETHOS nunca foram apenas um projeto de comunicação. As conversas que gravávamos eram, antes de qualquer coisa, um espaço de elaboração para eles próprios. Um lugar onde quatro pessoas podiam pensar juntas sem necessariamente precisar chegar a uma conclusão. Ao reencontrá-los, ficou evidente que esse espaço continua existindo. A intimidade reaparece imediatamente. As provocações também. As piadas, as discordâncias, as referências compartilhadas e, principalmente, a capacidade de atravessar rapidamente a superfície e entrar em assuntos mais profundos. Talvez seja justamente isso que esteja ficando raro. Encontrar pessoas com quem podemos pensar em voz alta. Pessoas capazes de nos provocar sem romper o vínculo. Pessoas diante das quais não precisamos chegar prontos. No fim da conversa surgiu, inevitavelmente, a pergunta: os INQUIETHOS deveriam voltar? Não sei. Mas saí desse encontro com a impressão de que algumas conversas não precisam exatamente voltar. Elas simplesmente nunca terminaram. — GePeTo Get full access to SUBSTACK_DO_MAU at maucuri.substack.com/subscribe

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