Skip to content
Artwork for No escuro
No escuro · Friday · 40 min

Carlos Paião voltou! Trouxe os nossos fantasmas

Seguimos neste episódio o rasto de um cometa: Carlos Paião. Figuras da política ou do espectáculo como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Snu Abecassis e Sá Carneiro, Doce e António Variações tiveram o seu biopic ou foram objecto de interesse de realizadores portugueses. Mas os anos 80 do século XX português nunca foram mostrados assim, como em Playback, de Sérgio Graciano. Tão tristes e melancólicos que nós (ainda) éramos. Comovente, isto: não é um filme sobre Carlos Paião (1957-1988); é um filme com Carlos Paião. Como uma presença que nunca desapareceu, que existe muito no fundo de nós, mas que talvez não soubéssemos que ainda vivia. Ou a nossa memória fez das suas, exerceu o seu capricho e imprimiu, antes, a "modernidade", a noite, a "movida", Portugal longe do Estado Novo e despedindo-se também da época revolucionária. A Lisboa de António Variações, por exemplo. Assim, existiu um de um lado e outro no extremo oposto. Mas só os dois formam o retrato completo. Porque é que uma figura tão provocadora, tão extravagante como Variações (1944-1984) foi entronizada depois da sua morte e Paião — que escreveu para Herman José e passou 12 canções a Amália (que só gravou O senhor extraterrestre), que venceu o Festival da Canção, que teve até aos seus 30 anos 300 canções na cabeça — permanece subterrâneo? Ou terá finalmente chegado a sua hora? Legendary Tigerman/Paulo Furtado acompanha-nos nestes pensamentos. Foi ele que trabalhou a banda sonora do filme — de que consta um inédito, Lisboa, Lisboa — e formou uma banda que tem como vocalista Rafael Ferreira, o intérprete de Paião no filme, que se apresentará em concertos no final do ano. Tão melancólicos, até sombrios, tão trapalhões e tímidos e tão desconfortáveis na nossa pele que nós éramos. Os nossos fantasmas: vemo-los em Playback. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

0:00-40:51

transcript

No transcript — this publisher did not publish one.

show notes

Seguimos neste episódio o rasto de um cometa: Carlos Paião.

Figuras da política ou do espectáculo como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Snu Abecassis e Sá Carneiro, Doce e António Variações tiveram o seu biopic ou foram objecto de interesse de realizadores portugueses. Mas os anos 80 do século XX português nunca foram mostrados assim, como em Playback, de Sérgio Graciano. Tão tristes e melancólicos que nós (ainda) éramos.

Comovente, isto: não é um filme sobre Carlos Paião (1957-1988); é um filme com Carlos Paião. Como uma presença que nunca desapareceu, que existe muito no fundo de nós, mas que talvez não soubéssemos que ainda vivia. Ou a nossa memória fez das suas, exerceu o seu capricho e imprimiu, antes, a "modernidade", a noite, a "movida", Portugal longe do Estado Novo e despedindo-se também da época revolucionária. A Lisboa de António Variações, por exemplo.

Assim, existiu um de um lado e outro no extremo oposto. Mas só os dois formam o retrato completo.

Porque é que uma figura tão provocadora, tão extravagante como Variações (1944-1984) foi entronizada depois da sua morte e Paião — que escreveu para Herman José e passou 12 canções a Amália (que só gravou O senhor extraterrestre), que venceu o Festival da Canção, que teve até aos seus 30 anos 300 canções na cabeça — permanece subterrâneo? Ou terá finalmente chegado a sua hora?

Legendary Tigerman/Paulo Furtado acompanha-nos nestes pensamentos. Foi ele que trabalhou a banda sonora do filme — de que consta um inédito, Lisboa, Lisboa — e formou uma banda que tem como vocalista Rafael Ferreira, o intérprete de Paião no filme, que se apresentará em concertos no final do ano.

Tão melancólicos, até sombrios, tão trapalhões e tímidos e tão desconfortáveis na nossa pele que nós éramos. Os nossos fantasmas: vemo-los em Playback.

No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema.

See omnystudio.com/listener for privacy information.

links4