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Artwork for Cabem Todes
Cabem Todes · Friday · 31 min

CABEM TODES #17 Nunca gostei do Halloween, mas...

Apesar de ter crescido com referências norte-americanas, do cinema de Hollywood à música, Pip Marinho nunca se reviu no Halloween, uma efeméride que considera que foi engolida por interesses comerciais. Mas a sua curiosidade infindável levou Pip a traçar a origem histórica desta data, o que acabou por mudar a sua visão sobre esta celebração. De matriz celta, a data partilha com o Dia de Los Muertos, no México, e com o Pão por Deus, em Portugal, a necessidade de comunicar com os mortos e de os honrar, fazendo da sua memória uma forma de afirmação e até de resistência cultural. Esta pista leva Pip ao Haiti, onde percebemos que a figura do zombie é central na cultura vudu, religião que nasceu do cruzamento das religiões originais africanas levadas pelas pessoas escravizadas no tráfico transatlântico com o catolicismo levado pela colonização francesa para o território. Esta figura é originalmente, não um predador como Hollywood nos habituou, mas uma vítima esvaziada de vontade própria e forçada a trabalhar nas plantações. É desta memória diaspórica que parte a sugestão do espetáculo Cadências crioulas, dez mil vezes desdobrada, de Inés Sybille Vooduness & Malvin Puerca de Goma, apresentado no Alkantara festival e no TBA, em que a dança surge como ritmo para manter viva a memória e, quem sabe, promover a descolonização do pensamento. O episódio fecha com “Zombie”, dos Cranberries, canção sobre a Revolta da Páscoa, data marcante da independência irlandesa, que mostra como o trauma colonial atravessa territórios muito distintos e que, de certo modo, nos traz de regresso ao início do episódio. Cabem Todes é um programa de Pip Marinho na Futura - Rádio de Autor que cruza memórias, histórias pessoais e experiências de vida com a programação do TBA, o teatro que não fica no Bairro Alto, mas sim perto do Largo do Rato. Um programa de Pip Marinho Música original F de Vaca Produção Teatro do Bairro Alto

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show notes

Apesar de ter crescido com referências norte-americanas, do cinema de Hollywood à música, Pip Marinho nunca se reviu no Halloween, uma efeméride que considera que foi engolida por interesses comerciais. Mas a sua curiosidade infindável levou Pip a traçar a origem histórica desta data, o que acabou por mudar a sua visão sobre esta celebração. De matriz celta, a data partilha com o Dia de Los Muertos, no México, e com o Pão por Deus, em Portugal, a necessidade de comunicar com os mortos e de os honrar, fazendo da sua memória uma forma de afirmação e até de resistência cultural.
Esta pista leva Pip ao Haiti, onde percebemos que a figura do zombie é central na cultura vudu, religião que nasceu do cruzamento das religiões originais africanas levadas pelas pessoas escravizadas no tráfico transatlântico com o catolicismo levado pela colonização francesa para o território. Esta figura é originalmente, não um predador como Hollywood nos habituou, mas uma vítima esvaziada de vontade própria e forçada a trabalhar nas plantações. É desta memória diaspórica que parte a sugestão do espetáculo Cadências crioulas, dez mil vezes desdobrada, de Inés Sybille Vooduness & Malvin Puerca de Goma, apresentado no Alkantara festival e no TBA, em que a dança surge como ritmo para manter viva a memória e, quem sabe, promover a descolonização do pensamento.
O episódio fecha com “Zombie”, dos Cranberries, canção sobre a Revolta da Páscoa, data marcante da independência irlandesa, que mostra como o trauma colonial atravessa territórios muito distintos e que, de certo modo, nos traz de regresso ao início do episódio.
Cabem Todes é um programa de Pip Marinho na Futura - Rádio de Autor que cruza memórias, histórias pessoais e experiências de vida com a programação do TBA, o teatro que não fica no Bairro Alto, mas sim perto do Largo do Rato.

Um programa de
Pip Marinho
Música original
F de Vaca
Produção
Teatro do Bairro Alto